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"Sionismo não tem compromisso ideológico, exceto consigo mesmo", diz Mansur Peixoto

Em entrevista à TV 247, Mansur Peixoto diz que o sionismo opera acima de divisões entre direita e esquerda e influencia agendas políticas

Judeus em manifestação contra o sionismo (Foto: Reprodução)

247 - O sionismo opera acima de divisões entre direita e esquerda e influencia agendas políticas, afirmou Mansur Peixoto ao analisar, em entrevista, como esse movimento atravessa diferentes campos partidários e se projeta sobre o debate público. Para o criador do projeto História Islâmica, a atuação sionista não se orienta por alinhamentos tradicionais, mas por uma lógica própria de poder e preservação.

A declaração foi dada por Mansur Peixoto em entrevista à TV 247, na qual ele tratou da presença do sionismo em setores conservadores e progressistas e criticou iniciativas que, segundo ele, buscam criminalizar críticas ao Estado de Israel. “O sionismo não tem compromisso ideológico, exceto consigo mesmo”, disse. Em seguida, reforçou: “O sionismo não é de direita, o sionismo não é de esquerda. O sionismo é um movimento supremacista, etno supremacista, que só tem compromisso consigo mesmo.”

Ao desenvolver essa avaliação, Mansur sustentou que o sionismo historicamente construiu alianças com diferentes forças políticas, conforme seus interesses. Segundo ele, esse padrão pode ser observado tanto em experiências vinculadas à direita quanto em correntes que se apresentam como progressistas. “Não é nada surpreendente você ter pessoas da direita progressista, digamos, sendo sionistas, porque, se a gente for pegar a história do século XX, as grandes lideranças progressistas no mundo todo foram pró-Estado de Israel e foram sionistas”, afirmou.

Na entrevista, ele também argumentou que a presença de símbolos pró-Israel em manifestações da direita não esgota a dimensão política do fenômeno. Para Mansur, a identificação pública mais visível do sionismo com setores conservadores não elimina sua influência em outros espaços. “Dentro do progressismo ocidental e dentro do, digamos, progressismo de esquerda, o sionismo é fortíssimo”, declarou.

Mansur associou essa dinâmica ao financiamento de trajetórias políticas e mediáticas. Na avaliação dele, o apoio ao sionismo não decorre apenas de convicções ideológicas, mas também de mecanismos de sustentação e cobrança política. “O sionismo financia carreiras políticas, ele financia carreiras mediáticas e depois ele cobra o preço disso, que é a submissão ideológica”, disse.

Ao comentar propostas em debate no Brasil, ele afirmou que iniciativas voltadas à punição de críticas ao Estado de Israel revelam uma tentativa de restringir o debate político. Segundo Mansur, esse tipo de formulação parte da ideia de que o problema estaria apenas em governos específicos, e não na estrutura do regime israelense. “O problema de Israel é um problema de governo, não é um problema de regime”, resumiu, ao criticar esse raciocínio.

Na mesma linha, ele rejeitou a interpretação de que a saída de uma liderança do poder alteraria a política de Estado. “Em toda a história do Estado de Israel, qual líder agiu diferente de Benjamin Netanyahu?”, questionou. Para ele, a trajetória israelense é marcada pela permanência de práticas de violência, ocupação e expansão territorial.

Mansur também afirmou que o avanço de projetos de criminalização da crítica a Israel não expressa força, mas reação diante do desgaste internacional do país. “Quando o lobby de um país passa a querer criminalizar a crítica a ele, isso não mostra uma força, isso mostra um desespero”, declarou. Na entrevista, ele comparou essa situação à ausência de iniciativas semelhantes, no Brasil, por parte de outros países envolvidos em guerras ou disputas internacionais.

Ao tratar do caso brasileiro, Mansur disse que o sionismo encontrou canais de difusão em diferentes matrizes políticas e religiosas. Embora tenha destacado o peso do campo evangélico e da direita organizada nesse processo, ele insistiu que o fenômeno não pode ser reduzido a um único espectro. “Não é algo somente do campo da direita e também não é algo somente do campo progressista”, afirmou.

Na avaliação do entrevistado, o debate sobre o tema exige observar menos os rótulos partidários e mais a forma como o sionismo se adapta a contextos distintos para preservar seus objetivos. Por isso, voltou ao ponto central de sua análise: “O sionismo não tem compromisso ideológico, exceto consigo mesmo.”

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