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“Um Enem do Mercosul fortalece a democracia e enfrenta a guerra híbrida na região”, diz Daniel Cara

O professor da USP defende que a integração educacional entre países do Mercosul ampliaria a mobilidade estudantil, consolidaria políticas públicas

Daniel Cara (Foto: Reprodução/Divulgação | Agência Brasil/Marcelo Casal Jr.)

247 - Em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, o professor da Faculdade de Educação da USP, Daniel Cara, defendeu que o Brasil deve assumir a dianteira na construção de uma política educacional integrada no Mercosul. Segundo ele, a criação de um “Enem do Mercosul”, como anunciado pelo ministro da Educação, Camilo San tana, fortaleceria a democracia regional e funcionaria como resposta concreta às estratégias de desestabilização que afetam governos progressistas em toda a América Latina.

Daniel Cara destacou que a educação sempre foi alvo prioritário de grupos que tentam manipular narrativas e minar políticas de inclusão. Para ele, avançar em uma política comum de avaliação e mobilidade estudantil no Mercosul é mais do que uma pauta técnica: é uma escolha estratégica de soberania regional.

“Um Enem do Mercosul fortaleceria a democracia, aumentaria a mobilidade estudantil e criaria uma base comum de políticas públicas entre nossos países”, afirmou.

O professor explicou que o setor educacional é capaz de criar vínculos sociais duradouros e redes de colaboração entre jovens, universidades e centros de pesquisa. “Quando você fortalece a educação, fortalece o tecido democrático. E quando integra a educação regionalmente, você dificulta a ação de grupos que tentam desestabilizar governos progressistas”, disse.


Integração regional

Ao tratar especificamente do Enem, Daniel Cara afirmou que o exame, por ser consolidado, técnico e amplamente reconhecido, poderia servir de base para um sistema regional de avaliação.

“O Brasil precisa levar o Enem ao Mercosul. Ele já tem estrutura, credibilidade e poderia ser adaptado para permitir circulação acadêmica entre os países”, observou.

Segundo ele, a integração educacional ampliaria oportunidades para estudantes e consolidaria políticas sociais regionais. “Mobilidade educacional é mobilidade social. E isso sempre incomoda quem aposta na desigualdade como projeto político”, afirmou.


A guerra híbrida e o papel da educação

O professor analisou também o cenário geopolítico. Ele avaliou que a América Latina vive uma nova onda de desestabilização, marcada por campanhas de desinformação, operações psicológicas e manipulação de narrativas, uma estratégia conhecida como guerra híbrida.

Daniel Cara relacionou essas ações ao avanço da extrema direita continental e às movimentações dos Estados Unidos, hoje sob o comando do presidente Donald Trump, que têm buscado ampliar sua influência sobre governos progressistas e instituições da região.

“O que vemos é uma ofensiva coordenada, que opera pela desinformação e pela criação de crises artificiais. A educação, por reduzir desigualdades e ampliar cidadania, acaba se tornando alvo central”, explicou.


Ataques ao Enem

O professor criticou também as tentativas constantes de deslegitimar o Enem dentro do Brasil. Ele lembrou que, sempre que o exame avança como instrumento de inclusão, surgem campanhas para desestabilizá-lo.

“Toda vez que o Enem fortalece a mobilidade social, ele incomoda. Aí começam as fake news, as acusações sem fundamento e a tentativa de transformar o exame em arma ideológica”, disse.

Para ele, esse fenômeno não é isolado, mas parte da mesma lógica que opera em toda a região.

Ele reforçou que a cooperação educacional no Mercosul deve ser tratada como prioridade estratégica, tanto para fortalecer a integração latino-americana quanto para proteger as democracias da região.

“A melhor resposta à guerra híbrida é fortalecer nossas instituições e integrar nossas políticas públicas. E a educação é o coração dessa estratégia”, concluiu.

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