Wallace Palhares: “Lula é o maior brasileiro de todos”
Presidente da Acadêmicos de Niterói rebate acusações de crime eleitoral e diz que desfile é homenagem histórica ao presidente Lula
247 - Em meio à reta final de preparação para o Carnaval, o presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, afirmou que a escola está enfrentando uma onda de pressão política e midiática por levar à Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diretamente do barracão, onde a equipe trabalha intensamente nos últimos ajustes, Palhares negou qualquer intenção de transformar o desfile em palanque e afirmou que o objetivo é exclusivamente artístico e histórico.
A declaração foi feita durante entrevista exibida ao Bom Dia 247, em que o dirigente comenta a repercussão do desfile e relata o clima de tensão às vésperas da apresentação no Grupo Especial do Rio de Janeiro.
Segundo Palhares, a escola foi surpreendida por uma narrativa que tenta enquadrar o desfile como propaganda eleitoral antecipada, por ocorrer em ano de disputa presidencial. Ele afirmou que o projeto carnavalesco foi concebido com cautela desde o início e acompanhado por suporte jurídico, justamente para evitar qualquer infração.
“A gente nunca pensou em usar esse enredo como palanque político. A gente tá contando a história do maior brasileiro”, declarou.
O presidente também criticou a forma como o tema vem sendo tratado por setores da imprensa, citando comentários feitos em programas televisivos que tentaram associar a homenagem a Lula a episódios políticos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Se ele voltasse um pouco à história, volta em 75. Beija-Flor estava exaltando a ditadura. Vargas então, foi enredo em vários momentos”, afirmou, ao lembrar que figuras políticas já foram retratadas em carnavais anteriores.
Enredo nasceu dentro da escola e sem imposição externa
Wallace Palhares relatou que a escolha do tema surgiu internamente, após ele rejeitar quatro propostas iniciais e defender que a Acadêmicos de Niterói deveria contar a história do presidente Lula por considerar que a trajetória do petista se confunde com a vivência de milhões de brasileiros.
“A ideia surge quando a gente tem quatro propostas na mesa e eu ignoro as quatro. Falava: vamos falar da história do presidente Lula”, disse.
Ele contou que a diretoria aceitou rapidamente e que a escola chegou a tentar obter uma autorização formal, mas o tempo curto impediu a tramitação. Ainda assim, posteriormente o samba-enredo foi apresentado ao presidente Lula, que teria aprovado o material.
“Conseguimos apresentar o samba-enredo ao presidente... Ele gostou muito”, afirmou.
“Pode fazer o L à vontade”, diz presidente da escola
Outro ponto que ganhou repercussão nas redes sociais foi a especulação sobre a possibilidade de integrantes da escola realizarem o gesto do “L” durante o desfile. Para Palhares, a discussão não faz sentido e foi inflada artificialmente.
“A história do L foi uma história absurda. Não sei de onde saiu isso. Pode fazer o L à vontade. O L não é slogan de campanha”, declarou.
Na entrevista, ele também comentou a expectativa em torno da presença da primeira-dama Janja da Silva no desfile. Segundo ele, existe um lugar reservado para ela, mas a decisão dependerá de questões internas e de segurança.
“O local dela tá mantido aqui no desfile. A gente tá esperando que ela venha”, afirmou.
Samba emocionou comunidade e reforçou identidade popular
O presidente da Acadêmicos de Niterói disse que o samba foi amplamente aceito pela comunidade e que até integrantes com posicionamentos políticos divergentes teriam aderido à proposta ao longo dos ensaios.
“Se tinha bolsonarista, já foi embora e não falou nada, porque todo mundo canta muito alto esse samba”, afirmou.
Palhares destacou ainda que a composição carrega forte carga emocional, especialmente por narrar a trajetória de Dona Lindu, mãe do presidente Lula, em tom de canção.
“Esse samba é narrado pela Dona Lindu cantando para ele”, explicou.
Entre os trechos citados na entrevista, um dos que mais impactaram o dirigente é o momento em que a letra descreve a migração nordestina em busca de melhores condições.
“Quando chega a parte ‘fui atrás do amor dos meus sonhos, peguei os meus meninos pelos braços’, eu acho que todo ensaio eu não tô preparado para não chorar”, disse.
História pessoal e o impacto das políticas públicas
Durante a conversa, Wallace Palhares também compartilhou aspectos de sua trajetória, afirmando que conseguiu ingressar no ensino superior por meio do FIES, e atribuiu ao governo Lula a oportunidade que mudou sua vida.
“Eu fiz pelo FIES... em de 10 dias já estava ingressando na faculdade. E isso foi uma virada de chave na minha vida total”, declarou.
Ele também relatou, emocionado, como mudanças materiais vividas por sua família marcaram o período do primeiro governo Lula.
“Minha avó teve a primeira máquina de lavar dela durante o primeiro governo Lula... era quase um membro da família”, disse.
Desfile abrirá o Grupo Especial e terá transmissão completa
A Acadêmicos de Niterói será a primeira escola a desfilar na noite de abertura do Grupo Especial do Rio de Janeiro, com entrada marcada para às 22h. Palhares afirmou que a transmissão televisiva está garantida do início ao fim.
“Vai ter porque o formato mudou, vai pegar desde a primeira escola até o final”, afirmou.
Em tom provocativo, ele disse que o desfile será inevitável para quem critica a homenagem.
“Vão ter que aturar a gente. Vai ter surra do presidente Lula durante uma hora na TV”, declarou.
Spoiler: carro da metalúrgica deve ser destaque
No fim da entrevista, o presidente deu um “spoiler” sobre o que considera um dos pontos altos da apresentação na avenida. Segundo ele, o terceiro carro alegórico, que homenageia a fase metalúrgica da vida de Lula, deverá chamar atenção pelo porte e acabamento.
“Fiquem atentos ao terceiro carro, carro da metalúrgica... é um carro que hoje me impressiona no barracão”, disse.
Palhares afirmou que o clima no barracão é de correria e emoção, com equipes trabalhando sem descanso para garantir que tudo chegue em segurança à Sapucaí.
“É muita gente envolvida nesse projeto para que tudo dê certo... estamos fazendo história”, concluiu.

