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Alcaraz vence Djokovic no Australian Open e vira o mais jovem a completar o Grand Slam

Espanhol de 22 anos supera virada histórica em Melbourne, conquista seu sétimo Slam e impõe a primeira derrota de Djokovic em finais no Melbourne Park

Carlos Alcaraz (Foto: Reuters)

247 – Carlos Alcaraz colocou mais um capítulo marcante na história do tênis ao conquistar, neste domingo, o seu primeiro título do Australian Open e completar o Grand Slam de carreira. Na final disputada em Melbourne, o espanhol saiu atrás de Novak Djokovic, mas cresceu ao longo do jogo e venceu de virada por 2/6, 6/2, 6/3 e 7/5, em 3h02.

A informação foi publicada pelo TenisBrasil, que destacou o peso histórico do feito. Com o troféu em Melbourne, Alcaraz se tornou o nono homem na história a vencer os quatro principais torneios do circuito e, aos 22 anos e 272 dias, passou a ser o mais jovem a alcançar essa marca, quebrando um recorde de 87 anos que pertencia a Don Budge, que completou o Grand Slam em Roland Garros de 1938 aos 22 anos e 363 dias.

Um título que reescreve a cronologia dos maiores

O triunfo de Alcaraz no Australian Open tem impacto imediato em duas frentes. A primeira é simbólica, por completar o conjunto de títulos em Wimbledon, Roland Garros, US Open e agora em Melbourne, formando o chamado Grand Slam de carreira. A segunda é estatística, por estabelecer uma nova referência de precocidade entre os campeões capazes de dominar os quatro palcos mais tradicionais do esporte.

Além disso, o título em Melbourne foi a sétima taça de Slam do espanhol, que, segundo o relato do TenisBrasil, igualou o número de títulos de John McEnroe e Mats Wilander nos principais torneios do mundo, passando a integrar o grupo de nomes que aparecem entre os maiores campeões de Grand Slam.

O resultado também preserva um dado que vem caracterizando o circuito masculino desde 2024. A conquista mantém o duopólio de Alcaraz e Jannik Sinner, que, conforme a reportagem, somam todos os Grand Slam desde 2024. Trata-se do nono Slam seguido dominado por essa dupla, marca que empata com uma série de Djokovic e Rafael Nadal e fica atrás apenas dos 11 títulos seguidos combinados entre Nadal e Roger Federer.

A quebra de um tabu em Melbourne Park

A vitória teve um componente extra de raridade por ter sido construída diante de um adversário historicamente dominante no Australian Open. Djokovic, descrito como o maior campeão da história em Melbourne, carregava um retrospecto específico impressionante: ele nunca havia perdido uma final no Melbourne Park.

Esse tabu caiu com a virada do espanhol, que encontrou soluções táticas e físicas ao longo do confronto. Depois de um primeiro set em que o sérvio controlou o jogo, Alcaraz ajustou a rota, passou a incomodar mais nos games de saque do adversário e elevou seu rendimento quando a partida exigiu estabilidade nos pontos longos.

O placar final por 3 sets a 1 resume uma mudança gradual de controle, com o espanhol neutralizando a agressividade inicial do rival e explorando, com o passar do tempo, uma queda de precisão do sérvio.

Primeiro set: Djokovic domina com intensidade e precisão

O início da final teve a assinatura de Djokovic. De acordo com o relato do TenisBrasil, o sérvio foi preciso e cometeu apenas quatro erros não forçados na primeira parcial, contra nove de Alcaraz. A superioridade apareceu cedo, com pressão constante sobre o saque do espanhol e uma quebra já no quarto game.

Com o serviço funcionando em alto nível, Djokovic chegou a ceder apenas dois pontos em seus games de saque no primeiro set, com 89% de aproveitamento. A autoridade ficou ainda mais clara quando veio uma segunda quebra, que encaminhou o 6/2 em 33 minutos.

A leitura daquele começo era de controle total: o sérvio sustentava intensidade, devolvia com profundidade e forçava Alcaraz a jogar sob risco, sem permitir que o espanhol encontrasse conforto nos ralis.

A virada: Alcaraz muda o ritmo e toma o protagonismo

A partida começou a se transformar no segundo set. Djokovic não manteve o mesmo ritmo, e Alcaraz aproveitou a janela para assumir o protagonismo. O espanhol conseguiu uma quebra no terceiro game e confirmou a vantagem ao salvar um break-point no game seguinte, abrindo 3/1.

O roteiro do set passou a ser ditado por uma troca de papéis. Alcaraz elevou sua consistência, cresceu nos próprios games de saque e também passou a atacar com mais frequência o serviço do adversário. O TenisBrasil registrou que o espanhol venceu 81% dos pontos em seu saque naquele momento, indicando um ganho expressivo de confiança e eficiência.

A superioridade se consolidou com mais uma quebra no sétimo game, e o 6/2 devolvido no placar igualou a decisão. O que parecia uma final sob controle do sérvio virou um jogo aberto, com Alcaraz mais confortável para variar direções, abrir a quadra e acelerar quando encontrava a bola certa.

Terceiro set: consistência, desgaste e a vantagem definitiva

No terceiro set, a balança continuou pendendo para o lado do espanhol. Djokovic, cada vez menos preciso, começou a acusar desgaste, sobretudo após pontos mais longos. O espanhol, por sua vez, ampliou o repertório de construção, abriu ângulos e capitalizou bolas menos profundas do sérvio.

A quebra decisiva veio no quinto game, e Alcaraz administrou a vantagem com maturidade. Um dos retratos do momento do jogo apareceu no nono game, descrito pelo TenisBrasil como uma sequência em que Djokovic assumiu mais riscos e passou a errar mais. O sérvio chegou a enfrentar 0-40, salvou três break-points, mas não resistiu à consistência do espanhol, que fechou a parcial em 6/3.

Com 2 sets a 1, Alcaraz se colocou a um passo do título e, sobretudo, passou a jogar com o placar a favor, aumentando a pressão sobre um Djokovic obrigado a se manter agressivo sem o mesmo nível de precisão do começo.

Quarto set: resistência de Djokovic e golpe final no 12º game

O quarto set foi o trecho mais tenso do desfecho. Djokovic evitou perder o serviço logo no primeiro game, salvando seis break-points, e, após esse momento crítico, sustentou melhor seus games seguintes. Na reta final, o sérvio ainda encontrou espaço para elevar o nível e chegou a ter um break-point no nono game, mas Alcaraz se manteve firme, salvou a chance e devolveu a pressão.

A decisão veio no 12º game. Djokovic foi quebrado e, com isso, perdeu o set por 7/5 e a partida por 3 sets a 1. O gesto final traduziu a dinâmica do confronto: Alcaraz cresceu ao longo da partida, manteve a calma nos momentos-chave e foi mais consistente quando o jogo exigiu controle emocional e execução sob pressão.

Premiação e marco para a Espanha no Australian Open

Além do impacto esportivo, a conquista também foi relevante no aspecto financeiro. Segundo o TenisBrasil, Alcaraz recebeu 4.150.000 dólares australianos, valor equivalente a quase US$ 2,8 milhões. O vice-campeonato rendeu a Djokovic 2.150.000 dólares australianos, aproximadamente US$ 1,5 milhão.

O título também colocou Alcaraz em um grupo raro em seu país. Ele se tornou apenas o segundo espanhol a vencer o Australian Open, feito que, até então, havia sido alcançado apenas por Rafael Nadal.

Com a taça em Melbourne e o Grand Slam de carreira concluído aos 22 anos, Alcaraz reforça a transição geracional do circuito e adiciona mais um elemento ao domínio recente que divide com Jannik Sinner. A partir de agora, sua história passa a ser contada também pelo recorte estatístico mais simbólico do tênis, o de quem venceu em todos os quatro palcos maiores do esporte.

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