Carol Solberg é suspensa pela FIVB por comemorar prisão de Bolsonaro
Atleta do vôlei de praia fica fora da etapa de João Pessoa do Circuito Mundial depois de fala sobre prisão do ex-presidente
247 - A jogadora de vôlei de praia Carol Solberg foi suspensa pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) por “conduta antidesportiva” e está fora da primeira etapa do Circuito Mundial de 2026, marcada para março, em João Pessoa. A punição ocorreu após declarações feitas pela atleta no fim do ano passado, quando comemorou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A entidade internacional enquadrou a conduta da atleta no artigo 8.3 de seu regulamento disciplinar, que trata de insultos, gestos ou linguagem ofensiva, além de comportamentos considerados prejudiciais à imagem do esporte ou da instituição.
As declarações ocorreram em 23 de novembro de 2025, após Carol Solberg conquistar a medalha de bronze ao lado de Rebecca no Mundial da Austrália. Em entrevista ao vivo a um canal de televisão australiano, ela celebrou o resultado esportivo e fez referência à prisão de Bolsonaro no Brasil.
“É um dia maravilhoso para mim, estou tão feliz”, afirmou a atleta. Em seguida, acrescentou: “E também é um dia maravilhoso para o mundo. Ontem, no Brasil, colocaram na cadeia o pior presidente de todos os tempos. Bolsonaro está preso e é tão importante que celebremos”.
Carol ainda declarou: “Estou orgulhosa de carregar essa bandeira agora”. Logo depois, já em português, disse: “Vamos comemorar, galera, Bolsonaro na cadeia, porra!”.
De acordo com Juca Kfouri, a FIVB considerou que as falas se enquadram como manifestação de natureza não esportiva e comportamento que pode trazer descrédito à modalidade, conforme previsto no regulamento disciplinar da entidade.
Em outubro de 2020, ela recebeu advertência da 1ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do vôlei após declarar “fora, Bolsonaro” em entrevista ao vivo ao SporTV. Na ocasião, a Procuradoria do STJD havia pedido multa de R$ 100 mil e suspensão por seis competições, a penalidade máxima prevista.
À época, Carol comentou a punição e defendeu sua postura. “Não me arrependo, zero, nem um pouco. Foi totalmente espontâneo, um grito mesmo, uma coisa que está entalada há muito tempo, por conta das coisas que estão acontecendo no nosso país. Está no peito, na garganta... e sinto que nós atletas temos a obrigação de usar a nossa voz. E o momento em que estou em quadra é o momento que tenho voz”, afirmou.
Ela também declarou: “Como cidadã me sinto na obrigação de me manifestar e exercer a minha cidadania mesmo.”


