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China bane 73 pessoas do futebol por esquema de manipulação de resultados

Associação chinesa impõe punições vitalícias e sanções esportivas após revisão que expôs esquemas de apostas e fraudes no campeonato nacional

Li Tie (Foto: REUTERS/Ibraheem Al Omari)

247 - A Associação Chinesa de Futebol (ACF) anunciou nesta quinta-feira uma das maiores ações disciplinares já realizadas no esporte do país, ao decretar o banimento vitalício de 73 pessoas envolvidas em esquemas de corrupção e manipulação de resultados. Entre os punidos está Li Tie, ex-treinador da seleção nacional, além de dirigentes e outros agentes ligados ao futebol profissional. A ofensiva também atingiu clubes da elite, com perdas de pontos e aplicação de multas financeiras.

O endurecimento das medidas fazem parte de uma campanha anticorrupção promovida pelo governo chinês nos últimos anos. Sob a liderança do presidente Xi Jinping, o país vem ampliando investigações que revelaram a fragilidade estrutural e ética do futebol profissional local.

De acordo com a ACF, as punições são resultado de uma “revisão sistemática” conduzida pela entidade. Em nota oficial, a associação afirmou que as sanções são necessárias “para reforçar a disciplina do setor, purificar o ambiente do futebol e garantir a competição justa”. A entidade, no entanto, não especificou quando as irregularidades ocorreram nem detalhou o funcionamento dos esquemas ilícitos identificados.

Li Tie, que teve passagem como jogador por Everton e Sheffield United, comandou a seleção chinesa entre 2019 e 2021. Em 2024, ele foi condenado a 20 anos de prisão por suborno. Com a nova decisão da ACF, o ex-técnico está definitivamente impedido de exercer qualquer função relacionada ao futebol ao longo da vida.

Outro nome de destaque entre os sancionados é Chen Xuyuan, ex-presidente da própria Associação Chinesa de Futebol. Ele cumpre prisão perpétua após ter sido considerado culpado por aceitar propinas avaliadas em cerca de US$ 11 milhões, em um dos casos mais emblemáticos da crise institucional enfrentada pela modalidade no país.

No âmbito esportivo, as punições alcançaram 11 dos 16 clubes que disputaram a temporada 2025 da Superliga Chinesa. As penalidades incluem perda de pontos e multas financeiras, com impacto direto na tabela da próxima edição do campeonato. Tianjin Jinmen Tiger e Shanghai Shenhua, vice-campeão nacional, sofrerão as sanções mais severas: começarão a temporada de 2026, prevista para março, com menos 10 pontos e multa de 1 milhão de yuans, o equivalente a aproximadamente US$ 144 mil.

Já o Shanghai Port, vencedor das três últimas edições da liga, perderá cinco pontos e terá de pagar multa de 400 mil yuans, cerca de US$ 58 mil. A mesma punição foi aplicada ao Beijing Guoan, outro tradicional clube do futebol chinês. As medidas reforçam a tentativa das autoridades esportivas de restaurar a credibilidade das competições e conter práticas ilegais que comprometeram a integridade do futebol no país.

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