Djokovic dá aula no Australian Open e mira marcas históricas rumo à vitória 102 em Melbourne
Sérvio vence qualifier Maestrelli, destaca adaptação ao vento e pode chegar a 400 vitórias em Grand Slams na próxima rodada
247 – Novak Djokovic voltou a acelerar no Australian Open e entregou uma exibição de controle e consistência para avançar em Melbourne, impondo seu jogo desde a base e construindo pontos com autoridade diante do italiano Francesco Maestrelli, um adversário menos experiente no palco de Grand Slam.
As informações constam em relato publicado no site oficial do Australian Open, que destaca como o sérvio — atual número 4 do mundo e quarto cabeça de chave — foi ajustando o ritmo e “pisando no acelerador” até fechar a partida, mesmo após um breve momento de pressão em que sofreu sua primeira quebra no torneio em Melbourne Park neste ano.
Ritmo crescente, quebra decisiva e resposta imediata
O duelo teve um roteiro de aceleração gradual. Djokovic voltou a quebrar o saque de Maestrelli em um momento-chave, beneficiado por uma dupla falta do italiano, e a partir daí passou a ditar com mais frequência o ponto de contato, empurrando o rival para trás com golpes pesados do fundo e uma construção de pontos que, segundo o texto, “continuou a atormentar” o adversário.
Maestrelli ainda conseguiu prolongar a disputa ao se tornar o primeiro jogador a quebrar Djokovic no torneio em Melbourne Park nesta temporada. Mas a reação do sérvio veio rápida: ele devolveu a quebra, retomou o controle e selou a vitória com o tipo de execução que combina peso de bola, variação e leitura tática.
Com o triunfo, Djokovic ampliou um dado que ajuda a dimensionar sua regularidade contra jogadores vindos do qualificatório: ele estendeu para 32-0 sua campanha invicta contra qualifiers em partidas de Grand Slam.
Vento em Melbourne muda “o torneio”, diz Djokovic
Além da atuação em si, Djokovic chamou atenção para as condições climáticas. Ele comparou o cenário do jogo mais recente com o que viveu na estreia, quando venceu Pedro Martinez à noite, sob os refletores, e afirmou que as sensações foram de estar em “outro torneio”.
"As condições de quinta-feira pareceram como se eu estivesse competindo em um torneio completamente diferente daquele em que consegui uma vitória na primeira rodada sobre Pedro Martinez à noite, sob as luzes".
O sérvio apontou especialmente o vento como um fator fora do padrão na edição atual do Australian Open. Aos 38 anos, ele enfatizou que tem sido necessário ajustar decisões e execução, principalmente contra um adversário com saque forte.
"O vento tem soprado este ano mais do que em qualquer outro ano em que eu tenha jogado aqui na Austrália. Obviamente, você precisa ajustar isso e se adaptar a um adversário diferente, com um grande saque, mas… estou satisfeito com a forma como estou me movendo e batendo na bola".
Trabalho de pré-temporada e poucos jogos: “Está valendo a pena”
O texto também contextualiza o momento competitivo de Djokovic: ele é o detentor de 101 títulos de simples na carreira e havia se retirado do Adelaide International. Ainda assim, disse estar colhendo sinais positivos das duas primeiras partidas em Melbourne, tratando o desempenho como resultado direto do que fez na pré-temporada.
"Está valendo a pena, o trabalho que fiz na pré-temporada. Estou realmente feliz por conseguir jogar assim, considerando a falta de partidas competitivas por mais de dois meses".
A declaração reforça a leitura de que, mesmo sem grande volume recente de jogos, Djokovic se sente fisicamente confortável para sustentar deslocamentos, intensidade e a repetição de padrões do fundo de quadra — elementos essenciais do seu tênis quando pretende “encurtar” as opções do adversário e forçar decisões sob pressão.
Próximo desafio: van de Zandschulp e duas marcas no horizonte
Na terceira rodada, Djokovic enfrentará Botic van de Zandschulp. O confronto carrega ingredientes de interesse porque o holandês, hoje com 30 anos, venceu o sérvio em Indian Wells no ano passado, em três sets — e, de acordo com o texto, o retrospecto entre eles está empatado em 1 a 1.
Para além do emparelhamento em si, a partida pode ter peso histórico. Djokovic terá a chance de se tornar o primeiro jogador a alcançar 400 vitórias em simples em torneios de Grand Slam e, ao mesmo tempo, de igualar Roger Federer em uma das marcas mais simbólicas do Australian Open: 102 vitórias no torneio em Melbourne.
O cenário abre duas frentes narrativas: a busca por longevidade competitiva em nível máximo, com números inéditos, e a necessidade de atravessar um adversário que já provou ser capaz de surpreendê-lo recentemente em um Masters 1000. Em um torneio em que detalhes como vento, adaptação ao saque rival e paciência nos ralis podem redefinir um jogo, Djokovic chega embalado pela consistência das primeiras rodadas — mas diante de um teste que mistura estatística histórica com um componente de revanche esportiva.
Sem depender de um único golpe, o sérvio avançou até aqui combinando movimentação, peso de bola e construção de pontos, e deixou claro que está atento ao que as condições exigem. Agora, com a próxima rodada, o Australian Open oferece a ele não apenas uma vaga adiante na chave, mas também a possibilidade de escrever mais um capítulo em sua coleção de marcas que atravessam gerações do tênis.


