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Djokovic perdia por 2 a 0, mas vai à semifinal do Australian Open 2026 após desistência de Musetti

Italiano vencia por 2 sets a 0 quando sentiu a perna direita; sérvio lamenta: "Ele deveria ter sido o vencedor hoje, não tenho dúvida"

Novak Djokovic e Lorenzo Musetti (Foto: Reuters)

247 – Novak Djokovic avançou à semifinal do Australian Open 2026 de forma incomum e dramática, depois que Lorenzo Musetti abandonou a partida das quartas de final mesmo tendo aberto vantagem de 2 sets a 0 em Melbourne. As informações são do site oficial do torneio, o Australian Open.

Nesta quarta-feira (28), o italiano — cabeça de chave número 5 — vencia por 6/4 e 6/3 quando sofreu uma lesão na perna direita, caiu de rendimento no início do terceiro set e, após ser quebrado no terceiro game, decidiu encerrar o confronto. O resultado colocou o sérvio na sua 13ª semifinal no Melbourne Park e manteve vivo o sonho de mais um título na Austrália, onde ele já foi campeão dez vezes.

Um desfecho raro nas quartas e um gesto de empatia em quadra

A cena pegou o público de surpresa: a partida parecia sob controle de Musetti, que vinha impondo variedade, resistência defensiva e pressão nos pontos longos. A desistência, porém, virou o roteiro de cabeça para baixo — e Djokovic reagiu com visível desconforto diante do que chamou de “infortúnio”.

Em entrevista ainda na quadra, o sérvio evitou comemorar e tratou o desfecho como uma injustiça esportiva para o rival. "Não sei o que dizer," afirmou Djokovic. "Essas coisas acontecem no esporte, e aconteceu comigo algumas vezes. Mas estar nas quartas de um Grand Slam, dois sets a zero acima e estar com pleno controle… muito azar. Não sei o que mais posso dizer — desejo a ele uma recuperação rápida, e ele deveria ter sido o vencedor hoje, não tenho dúvida."

A fala traduz o peso simbólico do momento: Djokovic avançou, mas o jogo, na prática, terminou quando Musetti já havia feito o mais difícil — abrir 2 sets a 0 contra um recordista de títulos e o maior vencedor de Grand Slams da era moderna.

Musetti dominava com variação, defesa e pressão sobre os erros

Até a interrupção, Musetti havia mostrado por que entrou na quadra como um dos tenistas mais perigosos do torneio: mistura de ritmo, bolas anguladas e capacidade de alongar trocas, forçando Djokovic a bater “mais uma” quando, normalmente, a maioria já teria perdido o ponto. O site do torneio registrou um dado que ajuda a medir a tensão do duelo: antes do fim precoce, o italiano havia provocado 32 erros não forçados do sérvio — um número alto mesmo para uma partida longa, e ainda mais relevante em um jogo que terminou antes de completar o terceiro set.

Djokovic, que busca seu 25º Grand Slam (ele já tem 24), reconheceu que passou boa parte do confronto sem “sentir a bola” do jeito habitual — e atribuiu isso ao mérito do adversário, não apenas a um dia abaixo. "Ele faz você jogar… quando você acha que o ponto acabou, não acabou," disse o sérvio. "Quando você o ataca, você não sabe o que esperar, se vai ser uma passada, cruzada, ou um slice curto, ou se ele vai bater reto no seu corpo, ou só uma bola alta no meu golpe mais fraco, que é a smash, acho que vimos isso hoje de novo."

Ao descrever o quebra-cabeça tático imposto por Musetti, Djokovic também admitiu o desconforto técnico dos primeiros sets: "Eu simplesmente não estava sentindo a bola hoje nos dois primeiros sets, mas isso também se deve à qualidade dele e à variedade dele. Eu sou extremamente sortudo por ter passado hoje."

A “rota” de Djokovic até a semifinal e o peso do improvável

O resultado desta quarta-feira ganha contornos ainda mais marcantes porque Djokovic já havia se beneficiado de um avanço sem jogo na rodada anterior. Segundo o relato oficial do Australian Open, ele chegou às quartas depois que Jakub Mensik se retirou por lesão antes do confronto das oitavas (quarta rodada). Ou seja: em duas fases consecutivas, o sérvio avançou sem concluir uma partida em condições normais — primeiro por desistência antes de entrar em quadra, depois por abandono durante o jogo, quando estava em desvantagem.

O próprio Djokovic reconheceu a excepcionalidade do cenário e foi direto ao ponto sobre o que teria acontecido em um dia “normal” de quartas: "Olha, eu tive um walkover na quarta rodada e hoje, eu deveria ter sido derrotado, perdendo por dois sets a zero, e eu consigo a vitória," afirmou. "Vou dobrar minhas orações hoje à noite, com certeza, e gratidão a Deus por realmente me dar essa oportunidade mais uma vez. Então vou fazer o meu melhor em alguns dias para usar isso."

A declaração revela duas camadas importantes: a percepção do acaso (e do risco físico) como parte do tênis de alto nível e, ao mesmo tempo, a pressão para transformar uma “chance extra” em desempenho real na próxima fase. Em Grand Slams, sobretudo nas fases finais, a linha entre vitória e eliminação pode depender tanto de um ajuste tático quanto da integridade física em um esporte que exige explosão e repetição extrema.

Estratégia na rede, estatísticas e o próximo desafio na sexta-feira

Mesmo com o jogo interrompido, alguns números ajudam a explicar como Djokovic tentou reagir ao que vinha acontecendo. Um dos pontos centrais foi a busca por encurtar trocas: o sérvio foi à rede com frequência e venceu 63% dos pontos disputados ali — 20 de 32 — numa tentativa clara de reduzir o desgaste e escapar da defesa elástica de Musetti.

A escolha, contudo, não impediu que ele passasse por momentos de instabilidade, especialmente nos dois primeiros sets. O volume de erros não forçados provocado pelo italiano e a falta de “controle de bola” admitida por Djokovic sugerem que o plano de abreviar pontos era tanto uma resposta tática quanto uma necessidade circunstancial diante da qualidade e do repertório do adversário.

Agora, Djokovic avança para uma semifinal marcada para sexta-feira, enfrentando o vencedor do duelo das quartas entre o número 2 do mundo, Jannik Sinner, e o cabeça de chave 8, Ben Shelton, que acontece ainda nesta noite. O confronto promete um choque de estilos: Sinner com intensidade de base e ritmo pesado; Shelton com potência e agressividade. Para Djokovic, o desafio será transformar o alívio do avanço em prontidão competitiva — e, principalmente, garantir que o corpo responda, já que a reta final do Australian Open costuma exigir mais do que técnica: exige sobrevivência física.

Um lembrete duro sobre o corpo no limite em um Grand Slam

A desistência de Musetti, quando o jogo apontava para um resultado histórico, reitera um ponto conhecido, mas sempre doloroso: no tênis, o mérito pode ser interrompido pelo corpo. E isso é ainda mais cruel quando acontece com um atleta em vantagem e “em pleno controle”, como descreveu Djokovic.

O Australian Open 2026, assim, ganha uma semifinal com Djokovic — mas perde a chance de ver, até o fim, uma das atuações mais fortes de Musetti no torneio. Para o sérvio, fica a obrigação de corresponder ao que ele mesmo chamou de “oportunidade”: avançar é parte do caminho; justificar em quadra é a próxima exigência.

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