Erika Hilton aciona MPF contra propaganda de bets em programas esportivos
Deputada quer barrar propaganda de bets por comentaristas esportivos durante transmissões e cobra mais transparência ao público
247 - A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público Federal (MPF) nesta terça-feira (23) para tentar impedir que comentaristas esportivos façam propaganda de bets durante transmissões de eventos esportivos. A parlamentar argumenta que profissionais da área utilizam a credibilidade construída junto ao público para incentivar apostas em tempo real, especialmente durante partidas.
Segundo o pedido apresentado por Erika Hilton, a prática ocorre quando comentaristas recomendam palpites, divulgam odds e associam suas análises esportivas à promoção de plataformas de apostas. Odds são as cotações usadas pelas empresas do setor para indicar o possível retorno financeiro de uma aposta vencedora.
A deputada afirmou, em publicação no X, que a atuação de comentaristas nesse tipo de divulgação pode induzir telespectadores a apostar. “É inaceitável um comentarista usar a sua posição de especialista para induzir os telespectadores a apostarem”, declarou Erika Hilton.
A parlamentar também criticou a forma como as bets são apresentadas ao público durante a cobertura esportiva. “Bet não é esporte. É jogo de azar”, afirmou.
No documento enviado ao MPF, Erika Hilton não citou nomes de comentaristas, emissoras de televisão ou empresas de apostas. O foco da iniciativa é a forma como a publicidade de bets aparece durante transmissões esportivas e a possível confusão entre análise técnica e ação comercial.
Para a deputada, o problema central está na utilização da autoridade de profissionais do esporte para promover apostas diante de uma audiência que acompanha jogos e comentários em tempo real. Ela sustenta que parte do público pode não perceber com clareza quando uma fala é uma opinião esportiva ou uma peça publicitária.
Erika Hilton defende que conteúdos relacionados a apostas esportivas sejam submetidos a regras mais rígidas de divulgação. A parlamentar afirma que a promoção de bets em transmissões precisa ser mais transparente e devidamente sinalizada ao telespectador.
O pedido encaminhado ao MPF busca que a Justiça proíba comentaristas esportivos de divulgar apostas durante eventos esportivos. A iniciativa ocorre em meio ao avanço das plataformas de apostas no mercado esportivo brasileiro e ao aumento da presença dessas marcas em transmissões, programas e conteúdos ligados ao futebol e a outras modalidades.
A discussão levantada pela deputada envolve a separação entre jornalismo esportivo, entretenimento e publicidade. Para Erika Hilton, o uso da imagem e da credibilidade de comentaristas para estimular apostas exige maior controle, especialmente quando a divulgação ocorre no contexto de partidas acompanhadas ao vivo por milhões de pessoas.
Críticas à CazéTV ampliam debate sobre bets na Copa
A discussão levantada por Erika Hilton ocorre em meio a críticas de telespectadores e analistas de mídia sobre a presença constante de propagandas de bets nas transmissões da Copa do Mundo FIFA 2026 pela CazéTV. O canal, comandado por Casimiro Miguel, exibe gratuitamente todos os 104 jogos do torneio no Brasil e se consolidou como uma das principais plataformas digitais do Mundial.
As críticas se concentram na quantidade de inserções publicitárias de casas de apostas durante a cobertura, especialmente nos intervalos e ações comerciais associadas ao ambiente das transmissões. O questionamento é semelhante ao apresentado por Hilton ao MPF: a dificuldade de separar, para parte do público, o conteúdo esportivo da promoção de apostas.
A CazéTV também se tornou um caso central nessa discussão por combinar grande alcance digital, linguagem informal, interação em tempo real e patrocínios de marcas do setor de apostas. O modelo ampliou o acesso gratuito aos jogos, mas reacendeu o debate sobre os limites da publicidade de bets em transmissões esportivas acompanhadas por milhões de pessoas.



