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‘Exemplo de obstinação e talento, Oscar Schmidt elevou o nome do Brasil’, diz Lula

O presidente também prestou solidariedade aos familiares de uma das maiores lendas da história do esporte mundial

Presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva homenageou Oscar Schmidt e destacou o legado do ex-jogador como um dos maiores nomes do basquete mundial, ressaltando sua importância para o esporte brasileiro e sua trajetória marcada por conquistas históricas. A manifestação reforça o reconhecimento da relevância de Oscar para gerações de atletas e torcedores no país.

"Exemplo de obstinação, talento e de amor à camisa da Seleção. Sua dedicação elevou o nome do país e fez dele inspiração para gerações de atletas e amantes do esporte", escreveu Lula na rede social X. "Oscar Schmidt, o 'Mão Santa', foi o maior ídolo da história do basquete brasileiro e um dos maiores cestinhas da modalidade". 

Na publicação, Lula enfatizou o impacto de Oscar Schmidt dentro e fora das quadras: "Ao longo de décadas, uniu o país em torno das quadras, com arremessos inesquecíveis e liderança indiscutível". "Neste momento de pesar, deixo minha solidariedade à família, aos amigos e à legião de fãs que ele conquistou no esporte".

A trajetória de Oscar Schmidt permanece como uma das mais emblemáticas da história do esporte brasileiro, marcada por recordes, protagonismo internacional e forte identificação com a seleção nacional.

Entenda

A informação sobre a morte de Oscar foi confirmada pela Equipe 14 Eventos, responsável pela assessoria do ex-atleta, que destacou a relevância esportiva e humana de Oscar. 

Em nota, a assessoria afirmou: "É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo". 

O comunicado também ressaltou: "Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo". A despedida ocorrerá de forma reservada, apenas com familiares.

Carreira histórica e reconhecimento internacional

Oscar Schmidt construiu uma carreira singular no basquete mundial, mesmo sem atuar na NBA, principal liga da modalidade. Ainda assim, recebeu reconhecimento internacional e entrou para o Hall da Fama do basquete, consolidando seu nome entre os maiores da história, conforme destacou Eduardo Simões, na Reuters.

Conhecido pela capacidade de pontuar, ele figurou durante décadas como o maior cestinha do basquete mundial. Em 2024, perdeu essa posição para o norte-americano LeBron James. Ao longo da carreira, também enfrentou desafios fora das quadras. Em 2011, médicos diagnosticaram um câncer no cérebro. Onze anos depois, anunciou o fim do tratamento com quimioterapia e declarou: "eu matei o câncer".

Feitos pela seleção e jogos memoráveis

Natural de Natal (RN), Oscar teve passagens por clubes do Brasil e da Europa, mas alcançou seus principais feitos com a seleção brasileira. Disputou cinco edições dos Jogos Olímpicos — Moscou-1980, Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996 — e se tornou o maior pontuador da história dos torneios olímpicos masculinos.

Um dos momentos mais emblemáticos ocorreu nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Na final contra os Estados Unidos, que jogavam em casa, o Brasil venceu por 120 a 115. Oscar marcou 46 pontos e liderou a equipe na conquista do ouro, resultado que representou a primeira derrota dos norte-americanos em seu território na competição.

Sobre aquela partida, relembrou em entrevista ao portal R7, em 2022: "Ficamos atrás nos primeiros dois quartos, mas ganhamos os dois seguintes e, no final, vencemos por 120 a 115. Fiz 46 pontos nessa final e 249 nos sete jogos do Pan... A linha de três pontos ainda tinha um pouco de novidade".

Estilo de jogo e identidade marcante

A precisão nos arremessos de longa distância garantiu a Oscar o apelido de "Mão Santa". Ele, no entanto, atribuía o desempenho ao esforço constante nos treinamentos e reforçava: "Mão Santa, não. Mão treinada".

Antes da consagração no Pan de 1987, já despertava interesse nos Estados Unidos. Em 1984, o New Jersey Nets o selecionou no draft e ele chegou a treinar com a equipe. Ele decidiu não atuar na NBA para preservar a possibilidade de defender a seleção brasileira, já que, na época, jogadores da liga não podiam disputar competições internacionais por seus países.

Durante sua entrada no Hall da Fama, em 2013, relembrou a decisão: "Eles me ofereceram um contrato para jogar no New Jersey Nets, e eu disse: 'Muito obrigado, mas se jogar um jogo aqui, eu nunca mais vou poder jogar pela minha seleção'. Essas eram as regras, caso vocês não saibam".

Trajetória nos clubes e influência global

Oscar iniciou a carreira no Palmeiras e ganhou projeção no Sírio. Após longa passagem pelo basquete europeu, retornou ao Brasil em 1995, quando defendeu Corinthians e Flamengo.

Ao longo da carreira, também construiu relações com grandes nomes do esporte. Tornou-se amigo de Kobe Bryant, que morreu em 2020. O ex-jogador norte-americano acompanhava a carreira de Oscar desde a infância, quando vivia na Europa e via o pai atuar ao lado do brasileiro na liga italiana.

A trajetória de Oscar Schmidt permanece como uma das mais relevantes do esporte brasileiro, marcada por conquistas, recordes e influência duradoura dentro e fora das quadras.

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