Filha de Maradona denuncia "plano de controle" sobre o ex-jogador antes de sua morte
Durante julgamento na Argentina, Gianinna Maradona acusa equipe médica e entorno de manipulação e negligência no cuidado com o ídolo
247 - A filha de Diego Maradona, Gianinna Maradona, afirmou estar convencida de que havia um "plano" articulado pelo entorno e pela equipe médica do ex-jogador para manter o pai sob controle nos meses que antecederam sua morte. As declarações foram dadas em entrevista a meios de comunicação durante o julgamento em San Isidro, na Argentina, de sete profissionais de saúde acusados de negligência no caso do falecimento do ídolo do futebol ocorrido em 2020. As informações são da RFI.
Segundo Gianinna, a articulação não teria necessariamente o objetivo de provocar a morte do ex-jogador, mas de controlar sua vida e seus interesses. O processo judicial analisa a conduta da equipe médica responsável pelo atendimento de Maradona antes de sua morte, ocorrida em 25 de novembro de 2020.
Ela apontou nomes ligados ao círculo próximo de Maradona, como o ex-advogado e representante Matías Morla e o ex-assistente Maximiliano Pomargo. Ambos não são réus neste processo específico, mas já foram enviados a julgamento por suspeita de gestão fraudulenta de marcas associadas ao nome do ex-jogador.
"Não consigo conceituar corretamente esse plano, a ideia de que queriam matá-lo. Mas Morla queria ter a vida do meu pai nas mãos? Com certeza", afirmou Gianinna. Ela acrescentou ainda acreditar que havia alguém "dirigindo" o esquema, mas que teria perdido o controle da situação.
Disputas sobre decisões médicas
Gianinna relatou que, em novembro de 2020, integrantes da equipe convenceram a família de que a recuperação de Maradona após uma neurocirurgia deveria ocorrer em casa, e não em uma internação psiquiátrica. Segundo ela, essa alternativa exigiria supervisão judicial, o que não interessaria ao círculo próximo.
"Não era conveniente que meu pai fosse internado em psiquiatria, porque muitas coisas desmoronariam para Morla", disse. Ela também afirmou que o advogado possuía procuração para uso comercial do nome de Maradona. "Ele tinha a assinatura, podia assinar como se fosse o papai."
De acordo com Gianinna, esse controle permitiria a administração de decisões e negócios ligados ao ex-jogador, enquanto o grupo priorizava "o tempo todo o aspecto financeiro, não a saúde do papai". Em depoimento anterior ao tribunal, ela havia descrito uma "manipulação total, horrível" da família pela equipe.
O local escolhido para a recuperação, uma casa em Tigre, nos arredores de Buenos Aires, também é alvo de questionamentos. O imóvel foi descrito pela acusação como inadequado e sem estrutura médica suficiente.
Acusações, omissões e morte do ex-jogador
Gianinna afirmou ainda que os sete profissionais de saúde acusados no processo compartilham responsabilidade, embora em diferentes níveis. Ela apontou o médico pessoal Leopoldo Luque como figura central da equipe. "Era a voz principal", disse, ao afirmar que ele "gerenciava tudo" dentro do grupo responsável pelos cuidados de Maradona.
Ela também citou falhas de acompanhamento durante o período de internação domiciliar. "O enfermeiro que deveria tê-lo examinado antes de ir embora não o examinou, e o enfermeiro que chegou depois também não." Maradona morreu aos 60 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória e de um edema pulmonar, segundo laudos médicos. Ele estava em uma residência alugada para recuperação e foi encontrado sozinho em seu quarto após horas de agonia.
Gianinna sustenta que os integrantes da equipe seguiam uma mesma orientação, o que, segundo ela, reforça a existência de um "plano". "Puxava os fios", afirmou ao se referir a Maximiliano Pomargo, descrito como intermediário entre o advogado Matías Morla e o ex-jogador. Ela disse ainda que, quando o estado de saúde do pai se agravou, membros da equipe "ficaram com medo".
"Nos áudios, escutam-se coisas como 'vou me resguardar legalmente'. Eles nunca imaginaram que a promotoria agiria rápido, apreenderia seus telefones, faria buscas." Os sete acusados negam responsabilidade e afirmam que a morte de Maradona ocorreu por causas naturais. As penas possíveis no processo variam entre oito e 25 anos de prisão.

