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O que aconteceu com o Cubo D’água em Beijing após os jogos olímpicos?

Beijing mostra que grandes torneios esportivos podem, sim, ser financeiramente sustentáveis e deixar um legado positivo para a população

O Cubo D’água, em Pequim, China (Foto: Rafael Henrique Zerbetto)
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Por Rafael Henrique Zerbetto, para o 247 - São cada vez maiores as críticas a grandes competições esportivas, como a Copa do Mundo de Futebol da FIFA e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, tanto os de inverno como os de verão. Os críticos afirmam que os eventos tornaram-se caros demais e deixam elefantes brancos pelo caminho.

De fato, não é difícil encontrar exemplos pelo mundo de estruturas construídas para eventos assim que hoje se encontram abandonadas ou subutilizadas. Na maioria dos casos, o custo de manutenção acaba sendo maior que a receita obtida.

Mas há uma exceção: a China. O país que sediou as Olimpíadas e Paralimpíadas de verão, em 2008, e as de inverno, em 2022, consegue não apenas obter lucro com as estruturas construídas para os jogos como também gerar benefício social.

O Cubo D’água, um dos prédios icônicos das olimpíadas de 2008, em Beijing, é um excelente exemplo: após os jogos, o local não apenas se tornou um destino turístico que preserva parte da história dos jogos, como também passou a servir à comunidade.

Durante as Olimpíadas de 2008: o local disponibilizava 17 mil assentos ao redor das piscinas de competição, incluindo 4 mil assentos permanentes, 2 mil assentos removíveis e 11 mil assentos temporários instalados especificamente para os jogos.

Após as competições, o local foi reestruturado. Com 11 mil assentos a menos, o custo de manutenção do estádio aquático diminuiu e o espaço interno foi reconfigurado, dando lugar a lojas e espaços de lazer que atraem visitantes e geram caixa. Atualmente restam os 4 mil assentos permanentes, com os 2 mil removíveis podendo ser reinstalados rapidamente conforme a necessidade. No caso de grandes eventos, basta uma reforma para aumentar ainda mais a capacidade do local com assentos temporários.

A piscina onde Cesar Cielo obteve o primeiro ouro olímpico do Brasil em natação, nos 50m nado livre masculino, estabelecendo um novo recorde olímpico, virou atração turística com direito a um espetáculo com projeções multimídia. As demais piscinas, usadas para treinos e aquecimento dos atletas, foram abertas ao público.

O local também abriga um parque aquático com toboáguas, piscina aquecida e com ondas, teatro, salão para eventos, entre outras estruturas previstas desde o início para tornar lucrativa a manutenção do espaço. Também foi feito um excepcional trabalho de branding para transformar o Cubo D’água em uma marca rentável, com uma linha de produtos oficiais à venda em lojas de souvenirs para turistas.

Novas olimpíadas, novos desafios

Quando Beijing foi escolhida para sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2022, tornando-se a primeira cidade a sediar olimpíadas tanto de verão como de inverno, o Cubo D’água passou a ser o Cubo de Gelo, sede das provas de curling.

A histórica piscina olímpica foi mantida em seu lugar, e sobre ela foi construída uma estrutura reversível composta por mais de 2,5 mil vigas de aço e mais de 1,5 mil painéis de concreto pré-moldados leves, o que exigiu um alto nível de precisão, pois a deformação de toda a estrutura não poderia superar um milímetro sob uma pressão de 150 kg por metro quadrado.

Esse feito notável de engenharia tornou o Cubo D’água a primeira estrutura do mundo capaz de sediar competições tanto de curling quanto de esportes aquáticos. Mas ainda havia outro problema: a necessidade de um local para os atletas se prepararem antes da competição. A solução, para não arruinar a fachada do prédio com um puxadinho, foi construir um espaço subterrâneo sob a praça sul.

Nesta nova instalação, visitantes podem aprender a esquiar e jogar curling, sob orientação de instrutores fluentes em chinês e inglês. Dessa forma o local conseguiu preservar o legado dos jogos de inverno e ainda aumentar seu retorno financeiro.

O exemplo de Beijing mostra que grandes torneios esportivos podem, sim, ser financeiramente sustentáveis e deixar um legado positivo para a população. A chave para o sucesso está na capacidade de planejamento do Estado chinês, cuja visão holística e de longo prazo consegue integrar diferentes projetos e estratégias e pensar muito além de um evento esportivo.

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