'Seleção iraniana é a mais oprimida da história da Copa', critica treinador
Jogadores e integrantes da comissão técnica do Irã precisam deixar os EUA após as partidas e retornar ao México
247 - A seleção do Irã voltou a reclamar das condições impostas para sua participação na Copa do Mundo de 2026, após o empate com a Nova Zelândia, em Los Angeles. O técnico Amir Ghalenoei denunciou restrições dos Estados Unidos na Copa e afirmou que a equipe foi impedida de permanecer na cidade antes e depois da partida, o que obrigaria jogadores e comissão técnica a retornarem ao México ao fim dos compromissos em território norte-americano.
A declaração foi feita na segunda-feira (15), depois da estreia iraniana no Mundial. Ghalenoei criticou a FIFA e os Estados Unidos pela decisão de autorizar a delegação do Irã apenas a disputar os jogos no país, sem permitir sua permanência fora do período das partidas.
“A seleção iraniana é talvez a mais oprimida da história da Copa do Mundo”, afirmou o treinador.
De acordo com o relato do técnico, a preparação da equipe foi afetada porque o planejamento esportivo não pôde ser executado conforme previsto. A delegação pretendia chegar a Los Angeles com antecedência maior e também permanecer na cidade após o jogo para descanso, mas a autorização não foi concedida.
“O planejamento da nossa equipe é feito em um lugar, mas a decisão final é tomada em outro. Deveríamos ter vindo para Los Angeles duas noites antes do jogo, mas não permitiram. Nosso plano era ficar aqui esta noite, descansar e voltar amanhã à tarde, mas mesmo assim não permitiram, e eu não sei por quê”, lamentou Ghalenoei.
As limitações impostas à seleção iraniana ocorrem em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã. Com a restrição, jogadores e integrantes da comissão técnica precisam deixar os EUA após as partidas e retornar ao México, onde fica a base da equipe durante a competição.
Após o empate contra a Nova Zelândia, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, esteve no vestiário da seleção iraniana e conversou com os atletas. Ele elogiou o desempenho do grupo e destacou o peso simbólico da participação da equipe no Mundial.
“Vocês estão escrevendo a história e o mundo inteiro está assistindo vocês. Continuem jogando com seu coração pelo seu povo, sua família e seus amigos. Vocês são mais fortes do que qualquer coisa”, disse Infantino aos jogadores.
Dentro de campo, Irã e Nova Zelândia ficaram no empate. Rezaeian e Mohebi marcaram os gols da seleção iraniana, enquanto Just fez os dois gols dos neozelandeses.
A partida também foi marcada por manifestações políticas nas arquibancadas, apesar da proibição da FIFA. Torcedores iranianos contrários ao regime dos aiatolás exibiram bandeiras com o leão e o sol, símbolo do Irã antes da Revolução Islâmica de 1979.
Houve ainda protesto contra o ataque dos Estados Unidos que matou 168 pessoas, a maioria crianças, em Minab, no sul do Irã, em fevereiro. Em memória às vítimas, torcedores exibiram a mensagem “Mina168”.



