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Textor é afastado do comando da SAF do Botafogo

Afastamento de John Textor da SAF do Botafogo envolve disputa por gestão e dívida bilionária

John Textor (Foto: Reprodução (Youtube))

247 - O empresário norte-americano John Textor foi afastado temporariamente do comando da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo por decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas (FGV), em meio a questionamentos sobre sua gestão e medidas recentes ligadas à situação financeira do clube.

A determinação foi tomada por três árbitros e ainda será reavaliada na próxima quarta-feira (29), quando as partes envolvidas poderão se manifestar. De acordo com o tribunal, decisões recentes adotadas por Textor apresentam riscos relevantes. Para os árbitros, tais ações “têm o potencial de causar danos irreparáveis aos acionistas e a toda a comunidade de torcedores do Botafogo”.

Entre os fatores que motivaram o afastamento está a medida cautelar apresentada para dar início a um processo de recuperação judicial da SAF, protocolada na terça-feira (21). O pedido foi feito em meio a um cenário de endividamento estimado em R$ 2,5 bilhões, o que acentuou tensões entre os acionistas.

Diante desse contexto, o tribunal determinou o afastamento imediato de Textor, atendendo a uma solicitação da Eagle Bidco, acionista majoritária da SAF. A decisão, no entanto, foi alvo de críticas por parte da própria SAF do Botafogo.

Em nota oficial, a entidade contestou a medida arbitral. “A decisão avança sobre matéria tipicamente societária, substituindo, de forma excepcional e sem a devida deliberação, a vontade dos acionistas, cuja manifestação, por definição legal e estatutária, deve ocorrer em assembleia regularmente convocada”, afirmou o comunicado.

Com o afastamento, a estrutura administrativa do clube passou por mudanças. Embora Danilo Caixeiro ocupe a função de chefe operacional da SAF, responsável por supervisionar os departamentos, a direção optou por nomear Durcesio Mello, ex-presidente do Botafogo, como diretor-geral interino durante a ausência de Textor.

O empresário também se manifestou sobre a decisão e indicou que pretende contestá-la. “Recebi a decisão com muita serenidade e respeito pelo tribunal. Mas foi uma decisão baseada em informações incorretas e enganosas apresentadas pelos advogados da Ares, que induziram os árbitros a erro”, declarou.

A Ares, fundo citado por Textor, concedeu empréstimos ao empresário utilizados na aquisição do Lyon, da França. Segundo o contexto da disputa, a dívida não teria sido quitada, e ações da SAF do Botafogo foram oferecidas como garantia, ampliando a influência do fundo sobre decisões na Eagle Football Holdings, grupo que controla clubes ligados ao empresário.

O afastamento de Textor marca um novo capítulo na crise envolvendo a gestão da SAF do Botafogo, com impactos diretos na administração do clube e desdobramentos previstos para os próximos dias.

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