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Itália rejeita proposta "vergonhosa" de Trump para substituir Irã na Copa

Sugestão de enviado do presidente dos EUA é criticada por autoridades italianas e considerada inviável pela Fifa

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da FIFA, Gianni Infantino, na Casa Branca em Washington, D.C., EUA, em 6 de maio de 2025 (Foto: REUTERS/Kent Nishimura)

247 - A proposta de substituir o Irã pela Itália na Copa do Mundo deste ano gerou forte reação negativa entre autoridades italianas e especialistas do futebol, sendo classificada como inadequada e sem viabilidade prática, conforme informações da agência Reuters.

A sugestão foi feita por Paolo Zampolli, enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou ao Financial Times ter levado a ideia tanto ao líder norte-americano quanto ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. A proposta, no entanto, foi recebida com constrangimento e pouca repercussão na mídia esportiva italiana.

Zampolli, que é ítalo-americano, justificou a iniciativa destacando o histórico da seleção italiana. “Sou italiano de nascimento e seria um sonho ver a Azzurra em um torneio sediado nos Estados Unidos. Com quatro títulos, eles têm o histórico para justificar a inclusão”, declarou. Ele não possui ligação oficial com a organização do Mundial nem com o futebol italiano.

A reação de autoridades foi imediata. O ministro do Esporte, Andrea Abodi, afirmou à agência LaPresse: “Em primeiro lugar, não é possível; em segundo lugar, não é apropriado... A classificação se conquista em campo”. Já o ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti foi mais contundente e classificou a ideia como “vergonhosa”.

No meio esportivo, a avaliação também foi de rejeição. O técnico italiano Gianni De Biasi afirmou à Reuters que a hipótese não faz sentido do ponto de vista regulatório. “Além disso, acredito que a Itália não precisa do apoio de Trump em uma questão como essa. Acho que podemos nos virar sozinhos”, disse.

A Fifa indicou que não há qualquer mudança prevista na participação do Irã. Em declaração anterior, Gianni Infantino foi categórico ao defender a presença da seleção asiática no torneio. “A seleção iraniana virá, com certeza. O Irã tem que vir se quiser representar seu povo. Eles realmente querem jogar, e devem jogar. O esporte deve estar fora da política”, afirmou.

Sem classificação para a Copa do Mundo, a Itália ficou de fora do torneio pela terceira edição consecutiva após eliminação na repescagem. Já o Irã garantiu vaga para sua quarta participação seguida no Mundial e segue com os preparativos normalmente, mesmo após tensões geopolíticas recentes.

O presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj, afirmou que a equipe segue focada na competição. “Estamos nos preparando e fazendo os arranjos para a Copa do Mundo, mas somos obedientes às decisões das autoridades. Por enquanto, a decisão é que a seleção nacional esteja totalmente preparada para a Copa do Mundo”, declarou.

A possibilidade de exclusão do Irã é considerada remota, e, caso ocorresse, a decisão sobre eventual substituição caberia à Fifa, que possui autonomia para definir o país substituto. Ainda assim, a tendência seria de escolha dentro da própria Ásia, respeitando critérios esportivos.

A Copa do Mundo será disputada a partir de 11 de junho, com partidas nos Estados Unidos, México e Canadá. O Irã está programado para estrear contra a Nova Zelândia, em Los Angeles, quatro dias após a abertura do torneio.

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