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Homem explica por que não entregou passaporte de Eliza Samudio à polícia

Homem que localizou o documento diz que procurou a imprensa antes da polícia para garantir que caso chegasse ao Brasil

Eliza Samudio, atriz e modelo paranaense, desapareceu em 4 de junho de 2010 (Foto: Reprodução- leo Dias TV)

247 - O reaparecimento do passaporte de Eliza Samudio, assassinada em 2010, voltou a colocar o caso em evidência após o documento ser encontrado em uma residência em Portugal. O homem que localizou o passaporte explicou por que decidiu procurar a imprensa antes de entregá-lo às autoridades, atitude que gerou críticas e questionamentos nas redes sociais.

O brasileiro, que preferiu não se identificar, afirmou que sua intenção desde o início era entregar o documento à polícia, mas temia que o achado não chegasse ao conhecimento da família e do público no Brasil. 

“Eu tentei com os veículos aqui de Portugal primeiro. A minha intenção sempre foi entregar à polícia. Só que se eu entrego esse documento aqui para a polícia diretamente, vocês no Brasil não iam saber… Ninguém”, disse o homem ao Domingo Espetacular.

Segundo ele, a decisão de procurar a imprensa foi motivada pela dificuldade inicial de contato com veículos portugueses e pela preocupação em dar visibilidade ao caso. A atitude, no entanto, gerou reações negativas, especialmente após ele mencionar a possibilidade — ainda que como especulação — de Eliza estar viva, hipótese amplamente rejeitada pela Justiça brasileira.

“Eu fiquei questionando sobre o passaporte, passa na cabeça que sim [que ele poderia estar viva], mas é só especulação mesmo pelo fato de não ter corpo. A gente pode até pensar que sim. Mas era saber sobre o passaporte, como veio parar aqui”, afirmou.Diante da repercussão, o homem acabou entregando o passaporte no Consulado-Geral do Brasil em Lisboa. A entrega foi feita sem identificação formal, mas, segundo ele, já estava previamente agendada. Em nota, o Itamaraty informou que o documento será encaminhado ao Brasil e ficará à disposição da família de Eliza Samudio.

O passaporte tem data de emissão de 9 de maio de 2006 e validade até 8 de maio de 2011. De acordo com o relato, ele foi encontrado em uma estante antiga, entre livros, no apartamento onde o brasileiro aluga um quarto. O único carimbo registrado no documento é o de entrada em Portugal, datado de 1º de maio de 2007. 

“Quando eu fui tomar banho, fui pegar uma roupa no varal e vi ali uns livros. Por curiosidade, fui ver um livro e vi o passaporte. Peguei, abri e já vi de quem se tratava. Estava em cima de um livro. Eu li o nome, vi a foto e vi de quem era. Eu já conhecia o caso”, relatou.A defesa da família de Eliza reagiu com cautela e estranhamento ao estado de conservação do documento. A advogada Maria do Carmo dos Santos, madrinha de Bruninho, filho de Eliza com o ex-goleiro Bruno Fernandes, questionou a integridade do passaporte após quase duas décadas. 

“O passaporte, vamos supor que foi perdido, quase 18 anos atrás, ele está mais preservado do que os meus que estão na gaveta mofando… Isso é estranho”, afirmou.Ela também criticou duramente a reabertura de especulações sobre a possibilidade de Eliza estar viva.

“Cada vez que isso é mexido e é colocado dúvidas de que foi um golpe da Eliza e etc, é de uma covardia com a mãe e com a vítima…”, declarou.Eliza Samudio foi assassinada em 2010 em um crime que teve ampla repercussão nacional. 

O ex-goleiro Bruno Fernandes foi condenado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver, recebendo pena inicial de 22 anos de prisão, posteriormente reduzida para 20 anos e 9 meses. Outros dois envolvidos, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, também foram condenados.

O corpo de Eliza nunca foi encontrado. Em janeiro de 2013, a Justiça expediu a certidão de óbito da modelo, apontando como causa da morte asfixia mecânica com emprego de violência. Mesmo após mais de uma década, o caso segue despertando forte comoção e reações sempre que novos elementos vêm à tona.

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