Justiça manda exumar corpo de PM encontrada morta com tiro na cabeça em São Paulo
Nova perícia pode esclarecer circunstâncias da morte de Gisele Santana; caso é investigado como morte suspeita após surgirem indícios que contestam versão
247 - A Justiça de São Paulo determinou a exumação do corpo da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, na região central da capital paulista. A decisão atende a pedidos da Polícia Civil e do Ministério Público e busca esclarecer as circunstâncias da morte, que agora é investigada como "morte suspeita". As informações foram divulgadas pelo g1.
De acordo com a reportagem, a retirada dos restos mortais será realizada pelo Instituto Médico Legal (IML) da Polícia Técnico-Científica nesta sexta-feira (6). A previsão é que a nova perícia no cadáver comece no sábado (7). Os resultados dos exames devem ser encaminhados posteriormente ao 8º Distrito Policial (DP), no Brás, responsável pela investigação.Inicialmente, o caso havia sido registrado como suicídio. No entanto, a linha de investigação mudou após familiares da policial afirmarem à polícia que Gisele enfrentava problemas no relacionamento e sofria violência psicológica por parte do marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos.
Segundo parentes da vítima, o relacionamento era marcado por comportamentos considerados controladores. Eles relataram à polícia que Gisele era constantemente vigiada pelo companheiro e teria sido proibida de usar perfumes, batom e salto alto. Ainda de acordo com os relatos, o coronel exigia acompanhá-la até mesmo em atividades cotidianas, como ir à academia.
Em seu depoimento inicial à polícia, o oficial afirmou que o casal havia discutido pouco antes da morte da soldado. Segundo ele, a discussão começou quando contou à esposa que desejava se separar. Depois disso, disse que foi tomar banho e ouviu o disparo cerca de um minuto depois.O coronel relatou que, ao sair do banheiro, encontrou a esposa caída na sala do apartamento, ferida na cabeça e segurando uma arma de sua propriedade. Ele afirmou ter acionado imediatamente as autoridades para pedir socorro e comunicar o ocorrido.
Apesar dessa versão, novos elementos surgidos na investigação levantaram dúvidas sobre a dinâmica da morte. Durante a perícia no apartamento, especialistas da Polícia Técnico-Científica utilizaram luminol e identificaram vestígios de sangue ainda não identificados no box do banheiro — local onde o oficial afirmou que estava tomando banho no momento do disparo.Outro ponto considerado relevante é o laudo necroscópico, que concluiu que o tiro foi disparado com o cano da arma encostado no lado direito da cabeça da vítima.
Além disso, o exame residuográfico — teste utilizado para identificar vestígios de pólvora nas mãos de uma pessoa que tenha disparado uma arma — apresentou resultado negativo tanto para Gisele quanto para o tenente-coronel. A polícia ainda realiza análises complementares para tentar identificar quem efetuou o disparo.Mesmo com as dúvidas levantadas pela investigação, o oficial ainda não é formalmente tratado como investigado no caso.Após a morte da esposa, ocorrida em 18 de fevereiro, Geraldo Leite Rosa Neto solicitou afastamento de suas funções na Polícia Militar. O pedido foi aceito pela corporação.
O casal vivia junto desde 2024. Gisele deixa uma filha de sete anos, que morava com eles, mas não estava no apartamento no momento do disparo que resultou na morte da policial.A defesa do tenente-coronel foi procurada pela reportagem, mas não havia se manifestado até a última atualização da matéria.
Segundo o boletim de ocorrência registrado na época, o próprio coronel afirmou que as discussões do casal estavam relacionadas a ciúmes e a rumores que circulavam na Corregedoria da Polícia Militar sobre possíveis relacionamentos extraconjugais dele. Ele também relatou que, devido às tensões no relacionamento, o casal havia passado a dormir em quartos separados e que a arma utilizada no episódio ficava guardada no armário de um dos cômodos do apartamento.


