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Mãe se passa por adolescente, aciona polícia e consegue proteger filha de predador sexual

O crime começou a ser arquitetado de forma digital

Menor de idade (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

247 - Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro resultou na prisão em flagrante de um homem de 32 anos pelo crime de estupro de vulnerável. O suspeito, que não teve a identidade revelada para preservar o próprio filho, foi detido dentro de um cinema em um shopping na Baixada Fluminense, acreditando que encontraria uma adolescente de 13 anos. Conforme reportagem exibida pelo Jornal Nacional, o caso foi solucionado graças à relação de confiança entre mãe e filha e à intervenção estratégica dos investigadores.

O crime começou a ser arquitetado de forma digital. O homem obteve o contato da vítima através do celular do próprio filho, colega de escola da menina, sem que o jovem soubesse. Ao receber uma mensagem inesperada com um "oi" e um "boa tarde", a adolescente suspeitou da abordagem e recorreu imediatamente à família. "Era o pai de um coleguinha dela, que ela não tinha passado o número dela para ele. Ela achou estranho e veio me mostrar", relatou a mãe em entrevista.

A partir do segundo contato, o tom das mensagens tornou-se explícito e criminoso, com o envio de conteúdos sexuais e ofertas de dinheiro em troca de atos libidinosos. Neste ponto, a mãe assumiu o controle da conversa, fingindo ser a filha para colher provas. "Tudo que ela recebe no celular dela é espelhado no meu computador. Ele começou a mandar propostas de dinheiro, em troca dela fazer favores sexuais e mandou fotos e mandou fotos dele", detalhou a mulher. Para garantir a identificação precisa do agressor, ela aceitou uma transferência via PIX, obtendo assim o nome completo do suspeito antes de acionar as autoridades.

A Polícia Civil assumiu a negociação e monitorou o encontro marcado pelo criminoso em um shopping center. No local e horário combinados, em vez da adolescente, o homem encontrou os agentes da lei. Segundo a delegada Kelin Deosti, a configuração do crime independe do encontro físico ter se concretizado: "O estupro de vulnerável, conforme a tipificação, é pratica de um ato libidinoso ou ato sexual em face de um menor de 14 anos, a idade dela é de 13 anos e a violência é absoluta. Não precisava nem manter contato físico com a menina que o delito já estaria consumado".

Além do crime de estupro de vulnerável, o homem responderá por resistência à prisão. Na delegacia, ele optou por permanecer em silêncio. Para a mãe da vítima, a denúncia foi um ato de proteção coletiva. "Pela questão de estar fazendo o meu dever como cidadã de estar cuidando e zelando não só pela minha filha, mas por outras meninas, outras crianças. Se a gente quer um futuro melhor para os nossos filhos, a gente tem que olhar para um todo", afirmou. A jovem, agora em segurança, reforçou a importância da transparência familiar: "Sempre ter conversas constantes com a sua mãe sobre sua vida pessoal e esse tipo de coisa".

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