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Morte em 8 minutos, fuga pela escada e vídeo crucial: delegado dá novos detalhes sobre o assassinato de corretora

Daiane foi vista pela última vez por volta das 19h do dia 17 de dezembro de 2025, momento em que deixou o elevador do edifício

Ele disse que agiu sozinho e que, após o crime, colocou o corpo na carroceria de sua picape e deixou o condomínio (Foto: TV Globo/ Reprodução)

247 - A corretora de imóveis Daiane Alves, de 43 anos, foi morta em um intervalo de apenas oito minutos dentro do prédio onde morava, em Caldas Novas (GO). A informação foi divulgada pelo delegado André Luiz Barbosa, responsável pelo caso. A linha do tempo foi reconstruída a partir de imagens de câmeras de segurança e de dados obtidos durante a investigação. As informações são do G1.

Daiane foi vista pela última vez por volta das 19h do dia 17 de dezembro de 2025, momento em que deixou o elevador do edifício. Após isso, nenhuma outra pessoa foi registrada no andar até 19h08, quando uma senhora aparece acessando o subsolo. Para a Polícia Civil, esse intervalo é considerado decisivo para a execução do crime.

Imagens mostram que, minutos antes de desaparecer, Daiane descia no elevador com o celular em mãos, gravando vídeos que eram enviados a uma amiga. Ela seguia para o subsolo para verificar o padrão de energia do prédio, já que seu apartamento estava sem eletricidade. No trajeto, a corretora chegou a encontrar outra pessoa no elevador e passou pela portaria antes de seguir para o subsolo.

Durante entrevista coletiva, o delegado destacou a importância desse material. "Esse vídeo que ela grava descendo no elevador foi encaminhado às 18h59. E os senhores podem observar que quando ela desce, é claro que ela estava gravando um vídeo. Então ela gravava e enviava. O terceiro vídeo ela não conseguiu enviar", afirmou André Luiz Barbosa. A polícia trabalha com a hipótese de que o último vídeo possa conter provas relevantes contra o suspeito.

O síndico do prédio, Cléber Rosa de Oliveira, de 49 anos, foi preso após confessar o crime e indicar à Polícia Civil o local onde havia deixado o corpo da vítima. Ele passou por audiência de custódia na quinta-feira (29) e teve a prisão mantida. Em nota, a defesa informou que Cléber está colaborando com as investigações.

De acordo com a polícia, após cometer o homicídio, Cléber teria utilizado as escadas do prédio para evitar ser flagrado pelas câmeras de segurança. Em seguida, imagens mostram o carro do síndico, uma Fiat Strada, trafegando com a capota fechada em direção a uma área de mata. Cerca de 48 minutos depois, o veículo retorna com a capota aberta, o que reforçou a suspeita de transporte do corpo.

O corpo de Daiane foi encontrado em uma região de mata no município de Ipameri, a aproximadamente 15 quilômetros de Caldas Novas, na madrugada da quarta-feira (28). O local foi indicado pelo próprio Cléber após a prisão.

Além do síndico, o filho dele, Maicon Douglas de Oliveira, também foi preso, suspeito de obstrução das investigações. Segundo o delegado, Maicon teria entregue um celular novo ao pai, possivelmente com o objetivo de dificultar a coleta de provas. “A prisão foi solicitada, em um primeiro momento, para que a gente pudesse entender se essa participação já acontecia desde a prática desse homicídio ou se só aconteceu depois que o crime ocorreu”, explicou o delegado em entrevista à TV Anhanguera.

A Polícia Civil também apura indícios de que pai e filho estariam se preparando para fugir após o crime. No momento da prisão, malas foram encontradas no apartamento do síndico. "Não podemos afirmar categoricamente (que eles iriam fugir). Mas existiam, sim, malas no local, no momento do cumprimento da prisão", afirmou.

O corpo de Daiane Alves foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia, onde passará por exames detalhados. Segundo a Polícia Científica, o laudo da necropsia, que apontará a causa da morte, deve ser concluído em até 10 dias.

A perita criminal Núbia Miranda explicou que serão realizados diversos procedimentos para identificação e análise. "A identificação não demora tanto, pode demorar um pouco, mas se for necessário só DNA. Se for por exame antropológico ou de arcada dentária, sai mais rápido", afirmou. Ainda segundo ela, "a necropsia em si, junto com o laudo de tomografia computadorizada, pode levar 10 dias".

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Goiás, que busca esclarecer todos os detalhes do crime, incluindo a dinâmica do homicídio e a possível participação de outras pessoas.

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