“Não foi uma briga, foi execução”, denuncia tio de jovem morto por piloto Pedro Turra
Rodrigo foi agredido em 22 de janeiro e morreu neste sábado (7), no Hospital Brasília, em Águas Claras
247 - A morte do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 17 anos, após 16 dias internado em estado grave, reacendeu o debate sobre a violência envolvendo jovens no Distrito Federal e intensificou a cobrança por respostas da investigação. Rodrigo foi agredido em 22 de janeiro e morreu neste sábado (7), no Hospital Brasília, em Águas Claras.
As informações foram publicadas originalmente pelo Metrópoles, que ouviu familiares e acompanhou os desdobramentos do caso. Em entrevista à imprensa, o tio do jovem, o fisioterapeuta Flávio Henrique Fleury, afirmou que a morte do sobrinho não pode ser tratada como resultado de uma briga comum entre adolescentes.
“É muito complicado pensar que um garoto como o Rodrigo foi morto de graça. Um jovem com um futuro enorme, um garoto maravilhoso… Um rapaz resolveu matá-lo e pronto”, disse Flávio, ao comentar o impacto da perda para a família e a sensação de injustiça que, segundo ele, cerca o episódio.
O tio também questionou a desproporção física entre os envolvidos e citou informações que teriam surgido ao longo da apuração policial, apontando para a possibilidade de uma emboscada motivada por ciúmes. “[No dia do crime] eles esperaram várias vezes dando voltas no quarteirão esperando o Rodrigo estar sozinho. Um cara de 1,90 m pegar um garoto de 1,65m é totalmente desproporcional, não é briga de adolescente. Não foi uma briga, foi execução.”
Em outro momento, Flávio reforçou a convicção de que o ataque não foi um confronto casual. “Quero que entendam que não foi uma briga que deu errado e ele morreu. Não. Na minha visão, o Rodrigo morrer já era planejado. Aguardo ansiosamente que a Justiça vá atrás dele [jovem que teria tramado a morte]. Acredito muito que a Justiça vai atrás, vai condenar. Por ele ser menor de idade, acredito que devam ir atrás dos pais dele.”
Abalada, a mãe de Rodrigo, Rejane, ainda não conseguiu conversar com outros familiares, segundo o tio. “Ela me mandou mensagem falando sobre a morte, mas avisou: ‘Não me ligue, porque eu não dou conta’.” Amigos e parentes do adolescente realizaram vigílias em frente ao hospital nos dias que antecederam o falecimento, em oração pela recuperação do jovem.
Rodrigo era morador do DF, estudava no Colégio Vitória Régia e, de acordo com a família, tinha forte ligação com o esporte, especialmente o futebol. “Ele tinha elo com futebol, paixão pelo futebol, por esporte. Era um menino que não parava, muito atleta, muito ativo. Era muito difícil vê-lo em uma cama. Com certeza ele está num lugar bem melhor”, afirmou o tio.
A família também avalia a possibilidade de doação de órgãos, embora ainda não haja definição. “Particularmente, acho muito interessante, mas ainda não sabemos”, disse Flávio.
Segundo a investigação, a confusão começou na noite de 22 de janeiro, após o ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, atirar um chiclete mascado em um amigo da vítima. Após provocações, houve agressões físicas. Imagens gravadas no local mostram o momento em que Turra desfere um soco que faz Rodrigo bater a cabeça contra um carro, caindo desacordado. O adolescente chegou a vomitar sangue enquanto era socorrido.
Em coletiva de imprensa, o delegado responsável pelo caso, Pablo Aguiar, informou que o investigado já teria se envolvido em outros episódios de violência, incluindo a suposta tortura de uma adolescente com um taser, e classificou o comportamento de Turra como “sociopata”.
Do ponto de vista jurídico, o caso é tratado como lesão corporal seguida de morte, prevista no artigo 129, parágrafo 3º, do Código Penal. Trata-se de um crime preterdoloso, quando há intenção de agredir, mas a morte ocorre sem intenção direta de matar, com pena que varia de quatro a 12 anos de reclusão.
Turra foi preso preventivamente no dia 30 de janeiro, após já ter sido detido e liberado mediante pagamento de fiança de cerca de R$ 24 mil. Ele permanece à disposição da Justiça, enquanto a família de Rodrigo aguarda o avanço das investigações e a responsabilização de todos os envolvidos.
