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Plano para evitar contato de Suzane Richthofen com herança do tio contou até com busca exaustiva por Andreas

O patrimônio deixado por Miguel Abdalla Netto é estimado em cerca de R$ 5 milhões e se tornou alvo de uma disputa judicial

Polícia investiga como suspeita a morte do tio de Suzane von Richthofen (Foto: Reprodução)

247 - A empresária Carmem Silvia Magnani procurou o primo Andreas von Richthofen na tentativa de impedir que Suzane von Richthofen concentrasse o controle sobre a herança deixada pelo médico Miguel Abdalla Netto, tio materno dos irmãos. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles.

Segundo o relato, Silvia chegou a viajar até São Roque, no interior de São Paulo, para tentar localizar Andreas pessoalmente e convencê-lo a reivindicar os bens do tio. A iniciativa, no entanto, não teve sucesso. De acordo com um amigo que acompanhou a empresária à delegacia nesta terça-feira (10), Andreas não foi encontrado na região onde costumava viver e tampouco respondeu a contatos telefônicos feitos ao longo de vários dias.

O patrimônio deixado por Miguel Abdalla Netto é estimado em cerca de R$ 5 milhões e se tornou alvo de uma disputa judicial envolvendo Suzane von Richthofen e a prima. Apesar do histórico criminal de Suzane, condenada pelo assassinato dos próprios pais em 2002, a Justiça decidiu nomeá-la inventariante do espólio. A decisão partiu da 1ª Vara da Família e Sucessões, que entendeu não haver impedimento legal automático para que ela administre os bens, já que, naquele momento, era a única interessada formal no processo.

Paralelamente à briga judicial, Silvia Magnani acusa Suzane de ter furtado bens da casa do médico após a morte dele. Miguel Abdalla foi encontrado morto aos 76 anos, em 9 de janeiro, em sua residência na Vila Congonhas, zona sul de São Paulo. Dias depois, em 20 de janeiro, a Polícia Militar foi acionada e constatou que o imóvel havia sido invadido, com o desaparecimento de móveis, documentos e dinheiro.

Na semana passada, a empresária formalizou a denúncia à polícia. “Conforme consta no processo judicial de abertura de inventário em trâmite, Suzane admitiu expressamente ter subtraído e estar na posse dos bens do espólio (carro e demais bens), sem qualquer autorização judicial para tanto”, diz o relato oficial apresentado por ela.

A Polícia Civil investiga o caso como furto e apura as circunstâncias da invasão à residência do médico. Silvia afirma que um dos veículos pertencentes ao espólio foi retirado do local “sem qualquer autorização judicial prévia”, o que, segundo ela, reforça a necessidade de medidas urgentes para proteger o patrimônio deixado por Miguel.

Em nota enviada ao Metrópoles, assinada pelas advogadas Débora Cristina Vaccari e Marielli Helena Arruda, a defesa de Silvia manifestou “grande preocupação diante dos episódios de saques, violações e invasões ocorridos“. O texto acrescenta que “os fatos reforçam a necessidade de que o inventário seja conduzido por uma pessoa idônea, responsável e comprometida com a legalidade, capaz de proteger o legado de Miguel, resguardar os bens do espólio e preservar a honra da família”.

A nota também destaca a atuação da empresária após a morte do primo. “Silvia Magnani esclarece que foi a responsável por todos os trâmites do sepultamento de Miguel, observando rigorosamente os procedimentos legais, além de colaborar integralmente com as autoridades competentes, prestando todas as informações solicitadas tanto na investigação sobre a morte quanto nos fatos relacionados às invasões no imóvel”, diz o comunicado.

Embora não tenham sido encontrados sinais de violência, o boletim de ocorrência referente à morte de Miguel Abdalla foi registrado como morte suspeita no 27º Distrito Policial, no Campo Belo, e um inquérito foi aberto para apuração. A mesma delegacia ficou responsável, no passado, pelo registro do caso do assassinato de Marisia e Manfred von Richthofen, mortos em 2002 a mando da própria filha.

Miguel Abdalla era tutor de Andreas e chegou a ser inventariante dos bens do casal assassinado. Em 2005, após completar 18 anos, Andreas assumiu essa função, depois que Suzane pediu o afastamento do tio, alegando que ele estaria sonegando bens do espólio. No ano seguinte, Abdalla acionou a Justiça afirmando que Suzane teria sido vista “rondando” a casa onde ele vivia com a mãe e o sobrinho, o que levou o Ministério Público a pedir a prisão preventiva dela na época.

Após a morte do médico, Suzane também teria tentado assumir os trâmites para liberação do corpo no Instituto Médico-Legal, apesar de, segundo fonte policial ouvida pelo Metrópoles, a documentação já estar sendo providenciada por Silvia. A disputa pelo controle da herança e as acusações de irregularidades agora correm paralelamente às investigações policiais sobre o furto e às decisões judiciais sobre o inventário.

Condenada a 39 anos e seis meses de prisão por duplo homicídio triplamente qualificado, Suzane von Richthofen cumpre atualmente pena em regime aberto desde janeiro de 2023. Enquanto isso, a sucessão de Miguel Abdalla Netto segue indefinida e cercada de controvérsias, com a família dividida e o caso sob acompanhamento da Justiça e da polícia.

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