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Violência contra crianças e adolescentes mais que dobra no Brasil em seis anos

Levantamento foi feito pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina com dados do Ministério da Saúde

Ilustração colorida mostrando um contraste forte entre violência policial e uma cena infantil de paz em uma comunidade urbana. À esquerda, um cenário de guerra: um helicóptero preto com a palavra “POLICIA” voa baixo; um carro blindado da polícia com luzes vermelha e azul avança por uma rua destruída. Há fumaça preta e grandes chamas ao fundo, com escombros espalhados pelo chão e poças de água. Policiais armados aparecem em posição de tiro; um disparo com clarão é visível. Perto do primeiro plano, uma pessoa está caída no chão com sangue visível na roupa, enquanto outra pessoa se inclina sobre ela em desespero. Na parede da esquerda há um texto grande: “OPERAÇÃO SEM DISTINÇÃO TERRITÓRIO EM GUERRA”. À direita, a cena muda para um espaço cheio de plantas e flores, com degraus pintados e um grande mural colorido com arco-íris, flores e corações. No mural está escrito: “EDUCAÇÃO CULTURA RESPEITO FUTURO”. No alto de um prédio há uma faixa roxa com o texto: “COMUNIDADE VIVA”. Crianças aparecem em atividades tranquilas: uma criança lê sentada nos degraus; duas crianças brincam perto de uma bola de futebol; outra criança lê deitada na grama com um livro aberto. No primeiro plano, quatro crianças sentadas no chão parecem exaustas ou tristes, com a cabeça apoiada nas mãos; uma delas está em uma cadeira de rodas. Em frente a elas, um caderno aberto no chão mostra as palavras: “PAZ”, “AMOR”, “SONHOS”, “DIREITOS”, com um coração desenhado. (Foto: Gerada por IA)
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247 - A violência infantil mais que dobrou no Brasil em seis anos, aponta levantamento da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) com dados do Ministério da Saúde. As notificações envolvendo crianças e adolescentes de 0 a 18 anos passaram de 73.635 em 2020 para 165.413 em 2025, uma alta de 125%.

As informações foram divulgadas pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo. A análise da SPDM utilizou registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), base do Ministério da Saúde que reúne ocorrências de doenças e violências identificadas pelos serviços de saúde em todo o país.

Ao todo, o levantamento contabilizou 685.529 notificações de violência contra crianças e adolescentes entre 2020 e 2025. O avanço ocorreu em todas as regiões brasileiras, mas foi mais intenso no Nordeste, onde a variação chegou a 1.200%. Em seguida aparecem Norte, com alta de 809%; Centro-Oeste, com 508%; Sul, com 421%; e Sudeste, com 221%.

Para o presidente da SPDM, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, o crescimento das notificações pode refletir, em parte, uma melhora na capacidade dos serviços de saúde e da rede de proteção em identificar os casos. Ainda assim, ele avalia que os números revelam a permanência de um quadro grave.

Segundo Laranjeira, o volume de registros mostra "que a violência contra crianças e adolescentes permanece como um problema grave e persistente no país" e demanda políticas de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas.

A violência sexual aparece como o tipo mais frequente nas notificações, presente em 34% dos registros analisados. Casos de negligência e abandono representam 33,3%, enquanto a violência física corresponde a 32,9% das ocorrências.

A adolescência concentra a maior parcela dos casos. Foram 294 mil notificações nessa faixa etária, o equivalente a 43% do total. A primeira infância, que reúne crianças de até 6 anos, aparece em seguida, com 256,6 mil registros, ou 37%. Já a segunda infância, entre 7 e 12 anos incompletos, responde por 135 mil notificações, 20% do total.

O levantamento também aponta que meninas e adolescentes do sexo feminino são maioria entre as vítimas, representando 62% dos casos. Meninos aparecem em 38% das notificações.

A análise por raça e cor mostra que quase metade das crianças e adolescentes envolvidos nas ocorrências foi classificada como parda, grupo que representa 49,1% dos registros. Crianças e adolescentes brancos somam 35,7%, enquanto negros aparecem em 7,6% das notificações.

Outro ponto destacado pelo estudo é a predominância do ambiente familiar como cenário da violência. A mãe aparece como autora da agressão em 34% das notificações, enquanto o pai está envolvido em 26% dos registros. Para a SPDM, esse dado reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção e à proteção dentro dos núcleos domésticos.

"Quando uma criança ou adolescente é vítima de violência, os impactos podem ultrapassar o momento da agressão e se estender por toda a vida. Por isso, é fundamental fortalecer a atuação integrada entre saúde, assistência social, educação e sistema de justiça", afirma Ronaldo Laranjeira.

Os dados indicam que a ampliação da rede de identificação e notificação é importante, mas também expõem a dimensão persistente da violência contra crianças e adolescentes no país, especialmente em contextos familiares e domésticos.

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