Assembleia Mundial da Saúde rejeita proposta sobre Taiwan pela 10ª vez
Organismo recusou incluir na agenda proposta para convidar Taiwan como observador
247 - A Assembleia Mundial da Saúde rejeitou, pelo décimo ano consecutivo, uma proposta relacionada a Taiwan, ao recusar incluir na agenda da 79ª edição do encontro a iniciativa de alguns países para convidar a ilha como observadora. As informações são do Global Times.
A decisão foi tomada na segunda-feira pelo Comitê Geral e pela Sessão Plenária da Assembleia Mundial da Saúde, segundo a Agência de Notícias Xinhua citada pelo Global Times. O caso ocorreu no mesmo dia em que autoridades chinesas criticaram a presença em Genebra de Lin Chia-lung, chefe da chamada autoridade de relações exteriores de Taiwan.
Pequim reafirma princípio de Uma Só China
Ao comentar a rejeição da proposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que Taiwan não tem base, razão ou direito de participar da Assembleia Mundial da Saúde sem a aprovação do governo central chinês.
Segundo Guo, a persistência das autoridades do Partido Democrático Progressista, o DPP, em uma postura separatista eliminou a base política para a participação de Taiwan na Assembleia. Ele também afirmou que a atuação de alguns países em defesa da presença taiwanesa na reunião representa uma manipulação política.
O porta-voz disse ainda que o governo central chinês tem adotado medidas concretas relacionadas ao bem-estar da população taiwanesa. Para Pequim, a alegação de que a ausência de Taiwan criaria uma “lacuna” nos esforços globais de combate a epidemias é uma narrativa com motivações políticas.
Chen Binhua, porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, também se manifestou sobre o tema. Ele afirmou que a decisão da Assembleia Mundial da Saúde mostra novamente que a adesão ao princípio de Uma Só China é o consenso predominante da comunidade internacional.
Autoridade taiwanesa foi a Genebra durante a reunião
A 79ª Assembleia Mundial da Saúde teve início na segunda-feira (18). No mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores da China criticou Lin Chia-lung por liderar uma delegação a Genebra para tentar marcar presença durante a sessão.
De acordo com o veículo regional taiwanês CTi News, Lin afirmou que Taiwan continua impedido de participar da reunião deste ano em razão do que chamou de “repressão diplomática” por parte da China continental.
Questionado sobre o tema em coletiva de imprensa, Guo Jiakun classificou a ação das autoridades taiwanesas como uma tentativa de chamar atenção em fóruns internacionais.
“Já deixamos nossa posição clara”, disse Guo.
O porta-voz acrescentou que “só existe uma China no mundo” e que Taiwan é parte inalienável do território chinês. Ele afirmou ainda que o Governo da República Popular da China é o único governo legítimo que representa toda a China.
Guo também declarou que a Organização Mundial da Saúde e outras organizações internacionais devem seguir o princípio de Uma Só China ao lidar com temas relacionados a Taiwan. Segundo ele, esse princípio está refletido na Resolução 2758 da Assembleia Geral da ONU e na Resolução 25.1 da Assembleia Mundial da Saúde.
Postagens de Lin geram críticas nas redes
Segundo reportagem da CNA citada pelo Global Times, Lin Chia-lung foi o primeiro chefe da chamada autoridade de relações exteriores de Taiwan a viajar a Genebra durante uma sessão da Assembleia Mundial da Saúde. Ele alegou que a exclusão de Taiwan da OMS se deve principalmente à “repressão diplomática” da China continental e enquadrou o tema como uma questão de saúde pública e também diplomática.
As postagens de Lin no Facebook receberam comentários irônicos de internautas. Alguns criticaram seu inglês e questionaram por que ele parecia tão entusiasmado em “aparecer sem ser convidado na Assembleia Mundial da Saúde”.
Um internauta identificado como Noty Kom sugeriu que um “exército de água” teria sido contratado para publicar comentários de apoio e questionou quanto dinheiro teria sido gasto no que chamou de golpe publicitário.
Outro usuário, Niecky Lee, ironizou que Lin poderia aprender com o líder regional de Taiwan, Lai Ching-te, e “se infiltrar” na Assembleia Mundial da Saúde, dizendo que eles eram “bons nisso”. O comentário fazia alusão à suposta invasão de Lai a um avião da Eswatini.
No X, o internauta weihuweihu9999 escreveu: “Tentar explorar a Assembleia da OMS para manobras políticas mesquinhas, ignorando o princípio inabalável de Uma Só China — não importa o quanto você faça alarde, é tudo um desperdício de esforço e não te levará a lugar nenhum respeitável.”
Decisão reforça disputa diplomática
A nova rejeição da proposta sobre Taiwan ocorre em meio à disputa entre Pequim e as autoridades do DPP em torno da participação da ilha em organismos internacionais. Para o governo chinês, a decisão da Assembleia Mundial da Saúde reforça a prevalência do princípio de Uma Só China no sistema internacional.
A posição de Pequim é que qualquer participação de Taiwan na Assembleia Mundial da Saúde depende da aprovação do governo central chinês. Já Lin Chia-lung buscou apresentar a ausência taiwanesa como resultado da pressão diplomática da China continental, em uma disputa que marcou a abertura da 79ª Assembleia Mundial da Saúde.



