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Princípio de Uma Só China amplia isolamento da “independência de Taiwan”

Editorial do Global Times aponta fracassos diplomáticos recentes e reforça consenso internacional sobre soberania chinesa envolvendo Taiwan

Princípio de Uma Só China amplia isolamento da “independência de Taiwan” (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration)

247 - O princípio de Uma Só China tem consolidado o isolamento internacional das forças que defendem a chamada “independência de Taiwan”, após uma série de episódios recentes que evidenciam a falta de apoio global a essa agenda. O mais recente revés envolveu a negativa de sobrevoo ao líder regional taiwanês Lai Ching-te por países africanos, frustrando uma viagem planejada e ampliando o debate sobre o alcance internacional da ilha.

Segundo editorial publicado pelo Global Times, Seychelles, Maurício e Madagascar recusaram legalmente a passagem do voo fretado de Lai, inviabilizando sua pretendida visita ao reino de Eswatini. Para o jornal, o episódio demonstra que o princípio de Uma Só China permanece como base das relações internacionais e reflete um consenso consolidado na comunidade global.

Sequência de reveses diplomáticos

O episódio na África é parte de uma tendência mais ampla. Nos últimos anos, decisões políticas e diplomáticas em diferentes regiões têm sinalizado restrições ao espaço internacional de Taiwan. Em 2025, por exemplo, o governo da África do Sul transferiu o chamado escritório de representação taiwanês de Pretória para Joanesburgo, alterando também sua denominação para “Escritório Comercial de Taipei”.

No mesmo período, uma viagem de Lai à América Central e do Sul foi cancelada após relatos de que os Estados Unidos não teriam autorizado sua escala em Nova York. Já em 2026, o primeiro-ministro da Lituânia reconheceu como “erro” a autorização anterior para instalação de um escritório de representação taiwanês no país e indicou a revisão da medida.

Ainda de acordo com o editorial, declarações recentes também reforçam essa tendência. O representante brasileiro em Taiwan reiterou, em entrevista à imprensa local, que a ilha faz parte do território chinês.

Reações e disputa narrativa

Após o fracasso da viagem, autoridades do Partido Progressista Democrático (DPP), que governa Taiwan, atribuíram o episódio à suposta “pressão” da China. O editorial critica essa postura e afirma que tais acusações tentam distorcer a atuação soberana dos países envolvidos.

O texto também menciona a reação de outros atores internacionais, como o Departamento de Estado dos Estados Unidos, que manifestou “preocupação” com o caso. Para o Global Times, esse posicionamento representa uma tentativa de interferência em assuntos internos da China.

África e o princípio de Uma Só China

O continente africano é destacado como exemplo de adesão ao princípio de Uma Só China. Dos 54 países da região, 53 mantêm relações diplomáticas com Pequim, sendo Eswatini a única exceção. A União Africana e seus membros reafirmaram esse posicionamento em fóruns internacionais, como a Cúpula de 2024 do Fórum de Cooperação China-África.

Na avaliação do editorial, a decisão de Seychelles, Maurício e Madagascar demonstra alinhamento com normas internacionais e respeito ao direito soberano de controle do espaço aéreo.

Base jurídica e percepção interna em Taiwan

O texto também argumenta que a posição chinesa sobre Taiwan se apoia em uma base jurídica consolidada, citando documentos como a Declaração do Cairo, a Proclamação de Potsdam e a Resolução 2758 da Assembleia Geral da ONU, que reconhece o governo da República Popular da China como o único representante legítimo do país nas Nações Unidas.

Além disso, o editorial menciona uma pesquisa da Fundação para a Democracia de Taiwan indicando que 50,7% dos entrevistados apoiariam uma abordagem favorável à reunificação como forma de garantir segurança e estabilidade.

Tendência internacional e cenário futuro

Para o Global Times, os recentes acontecimentos reforçam a tendência de isolamento das forças pró-independência e evidenciam a consolidação do princípio de Uma Só China como padrão dominante nas relações internacionais. O editorial conclui que ações consideradas separatistas tendem a enfrentar resistência crescente e menor espaço diplomático no cenário global.

Nesse contexto, o governo chinês reafirma sua disposição de defender a soberania e a integridade territorial, ao mesmo tempo em que conclama outros países a manterem cautela e aderirem ao princípio reconhecido internacionalmente.

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