Carney fala em “nova parceria estratégica” com a China e sinaliza reaproximação após anos de tensão
Posts no X, cota para carros elétricos chineses e negociações sobre canola indicam degelo nas relações entre Ottawa e Pequim
247 – O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que a relação bilateral com a China, “distante e incerta por quase uma década”, está mudando com uma “nova parceria estratégica”, em publicações feitas no X após uma visita de quatro dias a Pequim.
A informação foi publicada pelo jornal chinês Global Times, que relatou a divulgação de dois posts no domingo (18) celebrando avanços no diálogo bilateral e apontando para uma reaproximação que vinha sendo travada por anos de atritos diplomáticos e comerciais.
“Estamos mudando isso”, diz Carney em post no X
Em uma das publicações, Carney escreveu: “A relação Canadá-China tem sido distante e incerta por quase uma década. Estamos mudando isso, com uma nova parceria estratégica que beneficia o povo de nossas duas nações.”
Em outro post, o primeiro-ministro afirmou que a China teria se comprometido a permitir em breve a entrada de canadenses sem visto — ponto que, segundo o Global Times, ainda não havia sido confirmado oficialmente por Pequim no momento da publicação. No mesmo texto, ele mencionou a dimensão da comunidade sino-canadense ao observar que “quase 2 milhões de canadenses são de ascendência chinesa, muitos com família e amigos do outro lado do Pacífico”.
Cota de 49 mil veículos elétricos por ano e tarifa de 6,1% no Canadá
A visita ocorreu em paralelo a anúncios na área comercial. De acordo com o plano de ajuste citado na reportagem, o Canadá passará a conceder uma cota anual de 49 mil veículos elétricos chineses, que, dentro desse limite, terão tarifa de Nação Mais Favorecida (MFN) de 6,1%, com o fim de um imposto suplementar de 100% que vinha incidindo sobre esses automóveis. O volume da cota aumentaria anualmente.
A medida foi tratada por autoridades chinesas como um passo para reequilibrar o ambiente de negócios do setor. Um representante do Ministério do Comércio da China afirmou: “Por meio de consultas amigáveis, devemos criar um ambiente mais justo, mais estável e não discriminatório para expandir ainda mais a cooperação comercial e de investimento no setor de veículos elétricos. Esperamos que as indústrias dos dois países aproveitem esta oportunidade, fortaleçam a coordenação e alcancem benefício mútuo e resultados ganha-ganha.”
Canola entra no centro das negociações e sinaliza “descongelamento”
Além dos veículos elétricos, a canola — produto estratégico para exportadores canadenses — apareceu como outro eixo do degelo. O Global Times informou que China e Canadá chegaram a um consenso preliminar para ajustar medidas antidumping relacionadas ao produto, após “múltiplas rodadas de consultas” e a tentativa de reduzir a lista de pendências.
O tema tem peso político e econômico no Canadá, sobretudo em províncias agrícolas. A reportagem destaca que Carney viajou acompanhado do premiê de Saskatchewan, Scott Moe, chefe da principal província produtora de canola. Moe escreveu em sua conta no X: “Este acordo é um sinal muito positivo que vai restaurar os volumes de comércio existentes e abrir caminhos para novas oportunidades para os canadenses.”
Comércio como “porta de entrada” para normalização política
O quadro descrito pela reportagem sugere que o comércio vem funcionando como a principal via de reaproximação após anos de relações travadas. Ao destacar uma “parceria estratégica” e associá-la a medidas concretas — cota para veículos elétricos, ajustes tarifários e negociações sobre canola — Carney busca sinalizar resultados internos no Canadá e, ao mesmo tempo, abrir espaço para uma agenda mais ampla com Pequim.
Ainda assim, a própria narrativa deixa um ponto em aberto: a promessa de isenção de visto para canadenses, citada por Carney, segue pendente de confirmação oficial pela China.


