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China aposta em relações amistosas para mediar conflitos no Oriente

MédioEnviado especial afirma que postura neutra e diálogo fortalecem papel chinês em meio à guerra dos EUA e Israel contra o Irã

Zhai Jun, enviado chinês ao Oriente Médio (Foto: Global Times )

247 - A China avalia que sua rede de relações equilibradas com países do Oriente Médio representa um diferencial estratégico para atuar na mediação de conflitos na região. A afirmação foi feita por Zhai Jun, enviado especial do governo chinês para o Oriente Médio, durante coletiva de imprensa em Pequim, em meio à intensificação da guerra dos EUA e Israel contra o Irã. 

As declarações foram divulgadas pelo jornal Global Times, que acompanhou o evento realizado pela Associação Chinesa de Diplomacia Pública nesta segunda-feira (23). Segundo Zhai, a postura de não interferência e de incentivo ao diálogo tem contribuído para que Pequim seja aceita por diferentes governos da região.

Postura chinesa e defesa da neutralidade

Ao comentar as vantagens da China em relação a potências ocidentais, o diplomata destacou princípios que orientam a atuação do país. “Nunca interferimos nos assuntos internos dos países desta região. Nunca buscamos ganhos egoístas na região e nunca fomentamos confrontos entre blocos. Sempre apoiamos os países da região no fortalecimento da solidariedade e da independência”, afirmou.

Zhai reforçou que a China se posiciona como agente de estabilidade. “Como sempre dizemos, atuamos como construtores da paz e promotores do desenvolvimento”, declarou.

Escalada militar e recuo dos Estados Unidos

As declarações ocorrem enquanto a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã entra em sua quarta semana. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou recentemente da decisão de atacar a rede elétrica iraniana, após conversas consideradas construtivas entre Washington e Teerã.

Segundo informações divulgadas por agências internacionais, Israel foi informado sobre as negociações e pode seguir a mesma linha de suspensão de ataques a infraestruturas energéticas iranianas. Paralelamente, países como Turquia, Egito e Paquistão estariam atuando como intermediários para reduzir as tensões, embora autoridades iranianas tenham negado qualquer contato com os Estados Unidos.

Alerta sobre riscos nucleares

O Kremlin também se manifestou sobre a escalada da guerra. O porta-voz Dmitry Peskov alertou para os riscos envolvendo instalações nucleares no Oriente Médio, classificando como “extremamente perigosos” os ataques próximos à usina de Bushehr, no Irã.

De acordo com ele, a solução deve ser política e diplomática. “Esta é a única maneira eficaz de desarmar a situação catastrófica e tensa que se desenvolveu na região”, afirmou, segundo a Reuters.

Defesa de cessar-fogo e negociações

Durante a coletiva, Zhai Jun reiterou que a prioridade da China é interromper imediatamente as hostilidades. “A posição da China sobre a situação atual é muito clara: o ponto central é pedir um cessar-fogo e o fim das hostilidades, e iniciar o diálogo e as negociações”, disse.

O enviado revelou ter realizado recentemente visitas a países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Egito, onde discutiu a crise com autoridades locais e representantes de organizações regionais.

Ele também criticou diretamente a ofensiva contra o Irã, afirmando que os ataques realizados por Estados Unidos e Israel ocorreram sem autorização do Conselho de Segurança da ONU e violaram o direito internacional.

Impactos globais e riscos à economia

Zhai alertou que a continuidade da guerra ameaça não apenas a segurança regional, mas também a economia global. Segundo ele, a escalada já afeta cadeias de abastecimento, rotas marítimas e o fornecimento de energia, além de colocar em risco o bem-estar de diversos países.

O diplomata destacou ainda a importância de preservar a segurança de vias estratégicas como o Estreito de Ormuz e condenou ataques contra civis e alvos não militares.

Relatos da missão diplomática

Ao final da coletiva, Zhai compartilhou detalhes de sua recente missão na região, marcada por dificuldades logísticas em meio à guerra. “Devido ao conflito em curso, esta visita foi bastante atípica. Vários dos países que eu planejava visitar fecharam seu espaço aéreo, o que levou ao cancelamento de voos, então meus colegas e eu tivemos que viajar de carro por diversos países”, relatou.

Ele descreveu também a experiência direta com os efeitos da guerra. “Ao longo do caminho, ouvimos sirenes de ataque aéreo e testemunhamos interceptações de mísseis, o que nos proporcionou uma noção mais direta e profunda do tremendo impacto que a guerra teve nos países da região.”

O enviado concluiu reafirmando o compromisso da China com a mediação. “Quero enfatizar que, enquanto o conflito continuar, os esforços de mediação diplomática da China não cessarão”, afirmou.

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