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“Esta guerra pode se arrastar por anos e destruir a economia global”, alerta professor chinês Jiang Xueqin

Em entrevista a Tucker Carlson, analista projeta escalada no conflito com o Irã, choque energético, desorganização global e novas tensões geopolíticas

Jiang Xueqin concede entrevista a Tucker Carlsoon (Foto: Reprodução Youtube)

247 – O professor chinês Jiang Xueqin fez um diagnóstico alarmante sobre a guerra contra o Irã em entrevista concedida ao apresentador Tucker Carlson, publicada no YouTube sob o título “Profeta político prevê a próxima fase no Irã, o plano de guerra de Trump e a estratégia de Israel para sabotá-lo”. Segundo Jiang, o conflito tende a se prolongar por anos e pode provocar uma ruptura profunda na economia mundial, nas cadeias de energia e no equilíbrio geopolítico global.

Logo no início da conversa, Jiang sintetiza sua avaliação com uma afirmação contundente: “Acho que esta guerra no Irã será muito semelhante à guerra na Ucrânia, ou seja, será prolongada, uma guerra de atrito.” Para ele, nenhum dos lados está disposto a reconhecer derrota, mesmo que um cessar-fogo fosse racional do ponto de vista estratégico, o que empurra o mundo para um cenário de instabilidade prolongada.

Choque energético e impacto global

Um dos principais pontos destacados pelo professor é o impacto direto da guerra sobre a energia e, por consequência, sobre toda a economia mundial. Segundo Jiang, o conflito já começa a produzir efeitos relevantes e tende a agravá-los de forma significativa.

Ele afirma: “O Irã declarou que seu objetivo é levar o petróleo a 200 dólares por barril”, acrescentando que “toda a economia global é baseada no acesso a energia barata.” Na visão do analista, esse movimento teria efeitos devastadores, encarecendo transportes, alimentos e produção industrial em escala global.

Jiang também menciona sinais iniciais de desorganização, como cancelamentos de voos, escassez de combustível em países do Sudeste Asiático e previsões de falta de alimentos, que poderiam levar governos a adotar medidas de racionamento.

Guerra de atrito e risco de escalada internacional

Ao analisar a dinâmica militar, Jiang sustenta que o conflito tende a se expandir. Segundo ele, há um risco crescente de envolvimento de novos atores regionais e até globais.

“Eventualmente, os Estados Unidos enviarão tropas terrestres. Eventualmente, o estreito de Ormuz será disputado. Eventualmente, isso se espalhará pelo mundo e outras nações serão arrastadas para a guerra”, afirmou.

Ele também aponta que países como Arábia Saudita e Paquistão poderiam ser envolvidos, ampliando o alcance do conflito. Para Jiang, a lógica da guerra, uma vez iniciada, ganha dinâmica própria e torna-se extremamente difícil de interromper.

Estados Unidos presos ao conflito

Outro eixo central da análise é a dificuldade dos Estados Unidos em sair do conflito. Jiang argumenta que uma eventual retirada americana do Oriente Médio teria consequências profundas para sua posição global.

Segundo ele, o fim da presença dos EUA na região poderia desestruturar o sistema do petrodólar e comprometer o papel do dólar como moeda de reserva internacional. “A economia americana não conseguiria suportar uma retirada do Oriente Médio”, afirmou, ao destacar que Washington estaria, na prática, sem uma saída fácil para o impasse.

China e o interesse na estabilidade

Questionado sobre o papel da China, Jiang afirma que Pequim tem interesse direto em uma solução rápida para o conflito, devido à sua dependência energética da região do Golfo.

“A China importa cerca de 40% de sua energia dessa região”, disse, acrescentando que o país prefere estabilidade e continuidade do comércio global. No entanto, ele ressalta que a tradição diplomática chinesa de não interferência limita sua atuação direta na resolução de conflitos armados.

Três tendências globais: desindustrialização, rearmamento e mercantilismo

Ao projetar os impactos de médio prazo, Jiang identifica três grandes tendências que podem emergir com força caso a guerra se prolongue.

A primeira seria a desindustrialização, com países sendo obrigados a reduzir sua dependência de energia barata e reorganizar suas economias. A segunda é a remilitarização, com nações voltando a investir pesadamente em defesa diante da perda de capacidade dos EUA de garantir segurança global.

A terceira tendência seria o avanço do mercantilismo, com países buscando cadeias produtivas mais autossuficientes. “As nações precisarão criar cadeias de suprimento independentes e autossuficientes”, afirmou.

Impactos na Ásia e risco de crise mais ampla

Jiang destaca que a Ásia será particularmente afetada pelo choque energético. Ele cita países como Índia, Japão, China e nações do Sudeste Asiático, altamente dependentes de importações de petróleo e gás.

Segundo ele, já há sinais de escassez de combustível em países como Tailândia e Vietnã, com impactos diretos na mobilidade e na economia. “A questão não é quem será impactado, porque todos serão. A questão é quem será mais resiliente”, afirmou.

Um mundo em transformação

Ao longo da entrevista, Jiang Xueqin sustenta que o mundo está entrando em uma fase de transformação profunda, marcada pelo fim da energia barata, pela fragmentação do comércio global e pela intensificação das disputas geopolíticas.

Para ele, o conflito contra o Irã pode acelerar essas mudanças e inaugurar um novo ciclo histórico. “Não estamos falando de uma guerra de curto prazo, mas de uma mudança estrutural na economia global”, afirmou.

A entrevista, marcada por previsões contundentes e análises controversas, reforça a percepção de que o conflito no Oriente Médio pode se tornar um dos principais fatores de instabilidade global nos próximos anos, com impactos que vão muito além da região.

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