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China critica lista militar dos EUA contra empresas

Pentágono inclui em lista188 entidades chinesas de setores estratégicos

China critica lista militar dos EUA contra empresas (Foto: Gerada por IA/DALL-E)
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247 - A China critica lista militar dos EUA após o Pentágono incluir 188 entidades chinesas de setores estratégicos em sua chamada relação de “empresas militares chinesas”, em uma medida que, segundo editorial do Global Times, amplia a pressão de Washington contra companhias ligadas à inovação, à tecnologia avançada e à indústria de ponta do país asiático.

Em editorial, o jornal chinês afirmou que chegou o momento de encerrar o que classificou como a “farsa absurda” da lista norte-americana. A publicação sustenta que a medida representa uma nova escalada na repressão dos Estados Unidos contra empresas chinesas e uma afronta às regras internacionais de comércio e de mercado.

Segundo o texto, a atualização feita pelo Pentágono alcança áreas como inteligência artificial, plataformas de comércio eletrônico, veículos elétricos, baterias, semicondutores, robótica e biofarmacêutica. Para o Global Times, a ampliação do escopo indica que Washington passou a mirar de forma mais direta empresas líderes nos setores de manufatura avançada e tecnologias emergentes da China.

O editorial argumenta que a lista norte-americana se tornou cada vez mais semelhante a uma “lista de honra” das novas forças produtivas chinesas, expressão usada para se referir ao avanço industrial e tecnológico do país. Na avaliação do jornal, a inclusão de empresas competitivas em escala global reflete não apenas suspeitas de natureza militar, mas também a preocupação dos Estados Unidos com a ascensão tecnológica chinesa.

Critério da lista é arbitrário

O Global Times afirma que o principal problema da chamada “lista negra de empresas militares” está em seus critérios considerados arbitrários. Segundo o editorial, companhias de comércio eletrônico, motores de busca ou fabricantes de veículos de nova energia podem ser enquadradas como supostas apoiadoras das Forças Armadas chinesas apenas por terem avançado em áreas como inteligência artificial, computação em nuvem ou tecnologia de baterias.

Para o jornal, essa lógica parte de uma presunção de culpa contra empresas chinesas que alcançam competitividade internacional. O texto sustenta que, na prática, companhias com ativos tecnológicos relevantes passam a ser tratadas como ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, ainda que não haja ligação direta com atividades militares.

O editorial também acusa Washington de aplicar um duplo padrão. O Global Times questiona se, por uma lógica semelhante, empresas norte-americanas com modelos avançados de análise de dados ou contratos com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos poderiam ser classificadas por outros países como ameaças à segurança nacional.

De acordo com o jornal, a posição norte-americana revela uma mentalidade hegemônica, na qual a liderança tecnológica seria aceita apenas quando exercida pelos próprios Estados Unidos. Para a publicação, negar a outros países o direito ao desenvolvimento representa uma violação das normas internacionais de equidade.

Tecnologia chinesa vira alvo estratégico

O editorial afirma que a lista do Pentágono passou a abranger praticamente todas as principais indústrias estratégicas emergentes da China. Entre os setores citados estão inteligência artificial, veículos elétricos, sistemas não tripulados, aviação, computação em nuvem e semicondutores.

Na avaliação do Global Times, Washington deixou de mirar empresas específicas e passou a tratar a tecnologia chinesa como um campo de competição estratégica. O jornal sustenta que a lista, embora apresentada como instrumento para lidar com supostos vínculos militares, passou a funcionar como mecanismo para identificar e conter empresas centrais do avanço tecnológico chinês.

O texto afirma ainda que a medida equivale a um reconhecimento indireto do progresso tecnológico da China. Segundo o editorial, o que preocupa os Estados Unidos é a possibilidade de que sua liderança em setores de ponta seja desafiada de forma ampla por empresas chinesas.

O Global Times também destaca o papel das startups e das companhias emergentes da China na transformação de cadeias industriais globais. Para o jornal, o avanço dessas empresas amplia a ansiedade de Washington diante da capacidade chinesa de remodelar mercados estratégicos.

Editorial diz que tentativa de conter a China fracassará

O jornal chinês afirma que a tentativa de frear o desenvolvimento do país por meio de uma lista administrativa está destinada ao fracasso. Segundo o editorial, o crescimento no número de empresas incluídas na relação demonstra que a estratégia de selecionar e pressionar companhias chinesas individualmente não conseguiu atingir seus objetivos.

Para o Global Times, a ascensão das empresas chinesas é ampla e resulta de ganhos de inovação e competitividade em condições de mercado. O texto cita as trajetórias das indústrias de veículos elétricos, armazenamento de energia e inteligência artificial como exemplos desse processo.

O editorial argumenta que, quando uma empresa chinesa é bloqueada, outras surgem em seu lugar. Quando um setor é reprimido, afirma o jornal, toda a cadeia industrial tende a se mover em direção a maior autossuficiência e inovação.

A publicação reconhece que, no curto prazo, medidas desse tipo podem elevar a pressão sobre empresas concorrentes. No longo prazo, porém, avalia que elas tendem a prejudicar a abertura das cadeias globais de suprimentos e reduzir a eficiência da inovação.

Critica aos impactos sobre comércio global

O editorial afirma que as ações do Pentágono não contribuem para proteger a segurança dos Estados Unidos. Na avaliação do jornal, elas interferem na cooperação comercial transfronteiriça, perturbam a ordem econômica e comercial internacional e criam riscos artificiais para a estabilidade da economia global.

Segundo o Global Times, a lista não reduziu a determinação da China de ampliar sua autossuficiência tecnológica. O jornal também afirma que a medida não alterou a demanda real do mercado norte-americano por produtos chineses de alta qualidade.

Ao concluir sua avaliação, o editorial sustenta que a lista tende a se transformar em um registro do sucesso das empresas chinesas em superar barreiras tecnológicas e restrições externas. Para a publicação, a iniciativa norte-americana documenta, de forma indireta, os avanços contínuos da China no desenvolvimento de novas forças produtivas e no fortalecimento de seus setores industriais estratégicos.

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