China diz que causa da crise no Estreito de Ormuz é a guerra de EUA e Israel contra Irã
Diplomata chinês na ONU aponta ações militares como causa central da instabilidade e defende solução política para garantir segurança marítima
247 - A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã está no centro da escalada de tensões que afeta a navegação no Estreito de Ormuz, segundo avaliação apresentada pela China no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O tema foi debatido em reunião sobre segurança marítima, em meio a crescentes preocupações internacionais com o fluxo de comércio e energia na região.
De acordo com informações divulgadas pelo Global Times, o representante permanente da China na ONU, Fu Cong, afirmou que essas ações são a principal causa das obstruções na via marítima estratégica. Ele classificou a intensificação de destacamentos militares e medidas de bloqueio, mesmo após um cessar-fogo temporário, como “ações perigosas e irresponsáveis”.
Estreito de Ormuz e o impacto global
Durante seu discurso, Fu destacou a importância do Estreito de Ormuz como uma das principais rotas internacionais para o transporte de bens e recursos energéticos. Segundo ele, garantir a estabilidade e a livre navegação na região é um interesse comum da comunidade internacional.
O diplomata chinês defendeu que a solução para as interrupções no tráfego marítimo passa por um cessar-fogo abrangente e duradouro, além da restauração da paz no Golfo e no Oriente Médio. “Somente resolvendo as divergências por meio do diálogo e da consulta será possível fomentar um ambiente propício à navegação segura”, afirmou.
Críticas ao uso de força militar
Fu Cong também alertou para os riscos do uso excessivo de meios militares. Segundo ele, esse tipo de abordagem não resolve as tensões estruturais e pode agravar ainda mais os conflitos. “O abuso de meios militares não pode, fundamentalmente, dissipar os riscos; pelo contrário, exacerbará as tensões e os confrontos e desencadeará crises de segurança ainda mais graves”, declarou.
O representante chinês elogiou ainda iniciativas de mediação conduzidas por países como o Paquistão e pediu que todas as partes envolvidas priorizem soluções políticas e diplomáticas, rejeitando ações que comprometam o cessar-fogo.
Propostas para segurança marítima
No encontro, a China apresentou quatro propostas principais para fortalecer a segurança marítima global: promover soluções políticas para crises, defender o direito internacional, combater crimes marítimos e aprimorar a governança global.
Fu ressaltou que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar deve ser a base da ordem marítima internacional. Ele defendeu que os países apliquem o tratado de forma íntegra e sem seletividade, respeitando a soberania dos Estados costeiros e garantindo a liberdade de navegação.
Desafios e cooperação internacional
O diplomata também chamou a atenção para o aumento de crimes no mar, como tráfico de drogas, contrabando de armas e tráfico de pessoas. Segundo ele, o combate a essas atividades deve respeitar tanto as legislações nacionais quanto as normas internacionais, incluindo a jurisdição dos países sobre suas embarcações.
Além disso, Fu destacou a importância de apoiar o desenvolvimento econômico dos Estados costeiros como forma de reduzir fatores de instabilidade. Ele também defendeu o fortalecimento do papel das Nações Unidas na criação de normas internacionais e no enfrentamento de desafios emergentes, como a preservação ambiental marinha e a elevação do nível do mar.
Por fim, o enviado chinês afirmou que a China continuará atuando de forma construtiva para promover a paz e a estabilidade regional, defendendo uma abordagem baseada em cooperação, inclusão e desenvolvimento sustentável.




