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China e Paquistão apresentam cinco propostas para restaurar paz e estabilidade na região do Golfo e no Oriente Médio

Os dois países destacaram que a soberania, a integridade territorial, a independência e a segurança do Irã e dos países do Golfo devem ser respeitadas

Wang Yi e Ishaq Dar (Foto: Xinhua)

247 - China e Paquistão apresentaram cinco propostas para restaurar a paz e a estabilidade na região do Golfo e no Oriente Médio durante conversas entre o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar, em Pequim, na terça-feira (31), informou o Global Times, citando a agência Xinhua. 

As propostas incluem cessar imediatamente as hostilidades, iniciar negociações de paz o mais rápido possível, garantir a segurança de alvos não militares, assegurar a segurança da navegação e salvaguardar a primazia da Carta das Nações Unidas.

Durante o encontro, Wang afirmou que, após sediar uma reunião quadrilateral de chanceleres em Islamabad, o lado paquistanês seguiu diretamente para Pequim, sem pausa, para discutir conjuntamente formas de reduzir as tensões no Oriente Médio — iniciativa bem recebida pela China.

“Os esforços do Paquistão em dialogar entre as partes para promover a paz e encerrar os combates demonstram seu firme compromisso com a preservação da paz regional e global. A comunicação estratégica oportuna entre China e Paquistão sobre grandes questões internacionais e regionais e o aprofundamento da coordenação estratégica refletem a essência da comunidade China-Paquistão com futuro compartilhado. A China apoia e espera que o Paquistão desempenhe um papel único e importante na redução das tensões e na retomada das negociações de paz. Esse processo não será fácil, mas os esforços de mediação do Paquistão estão alinhados aos interesses comuns de todas as partes”, afirmou Wang.

Horas antes da apresentação das propostas, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, declarou na tarde de terça-feira que “os dois ministros das Relações Exteriores intensificarão a comunicação e coordenação estratégicas sobre a situação no Irã e outras questões internacionais e regionais de interesse mútuo, defenderão conjuntamente a paz e uma posição justa e farão novos esforços para ajudar a encerrar o conflito e trazer paz e estabilidade à região”.

Apelos por cessar-fogo

China e Paquistão pedem um cessar-fogo imediato e o fim dos combates, além de esforços máximos para evitar uma nova escalada e o transbordamento do conflito, segundo a agência Xinhua.

Os dois países também destacaram que a soberania, a integridade territorial, a independência e a segurança do Irã e dos países do Golfo devem ser respeitadas. O diálogo e a diplomacia são o único caminho viável para resolver conflitos.

Além disso, China e Paquistão apelaram para que todas as partes cessem imediatamente ataques contra civis e alvos não militares, cumpram plenamente o direito internacional humanitário e interrompam ataques contra infraestruturas essenciais, como instalações energéticas, usinas de dessalinização, sistemas elétricos e instalações nucleares pacíficas, incluindo usinas de energia nuclear.

Em relação ao Estreito de Ormuz, China e Paquistão pediram que todas as partes garantam a segurança de embarcações e tripulações retidas na área, organizem a passagem segura e rápida de navios civis e comerciais e restabeleçam a navegação normal o mais breve possível.

Defendendo o fortalecimento do papel da ONU, os dois países afirmaram apoiar acordos baseados nos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional para estabelecer um marco abrangente de paz e alcançar uma paz duradoura.

Zhu Yongbiao, diretor do Centro de Estudos do Afeganistão da Universidade de Lanzhou, disse ao Global Times que as propostas destacam a natureza especial das relações China-Paquistão e o alto grau de alinhamento entre suas posições.

“As propostas refletem o consenso baseado em princípios alcançado por China e Paquistão sobre questões do Oriente Médio, fortalecendo ainda mais sua postura coordenada nos assuntos internacionais”, afirmou o especialista.

Ele acrescentou que a iniciativa também demonstra a responsabilidade da China na manutenção da paz regional e global. Em particular, o apelo para garantir a passagem segura de embarcações civis pelo Estreito de Ormuz está alinhado aos interesses da maioria dos países e é viável na prática, tornando-se um ponto central da proposta.

As cinco propostas oferecem um roteiro para resolver a atual crise no Oriente Médio, delineando os princípios básicos dos dois países para futuras negociações de paz e demonstrando o apoio chinês aos esforços de mediação do Paquistão, afirmou Ding Long, professor do Instituto de Estudos do Oriente Médio da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai.

Coordenação estratégica

A viagem a Pequim marca a segunda visita oficial de Dar à China neste ano, informou o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão.

Segundo a chancelaria paquistanesa, embora Dar tenha sofrido uma pequena fratura no ombro ao receber o ministro das Relações Exteriores do Egito — e apesar da recomendação médica de repouso — ele insistiu em manter a visita planejada à China. O ministério destacou que isso “demonstra a importância atribuída pelo Paquistão à sua relação com a China”, ponto também enfatizado por diversos veículos de mídia paquistaneses.

De acordo com o jornal paquistanês The News International, o Paquistão tem mantido a China informada enquanto intensifica esforços para levar as partes em conflito à mesa de negociações em Islamabad.

Zhu afirmou que as frequentes visitas recentes do chanceler paquistanês à China refletem tanto a necessidade prática de lidar com focos regionais recorrentes — incluindo questões no Paquistão, Afeganistão e Irã — quanto o alto nível de confiança estratégica mútua entre os dois países.

Segundo ele, intercâmbios regulares de alto nível permitem coordenação eficiente de posições, resposta conjunta a desafios regionais complexos, aprofundamento da confiança mútua e fortalecimento do consenso, sinalizando um futuro amplo e promissor para as relações bilaterais.

A mídia internacional tem destacado o momento e o contexto da visita em meio à escalada das tensões envolvendo o Irã. Alguns veículos estrangeiros associaram a viagem de Dar a Pequim ao agravamento da situação no Oriente Médio, sugerindo que o Paquistão poderia atuar como “corretor da paz”, “mediador” ou até anfitrião de negociações entre Estados Unidos e Irã.

“A visita ocorre um dia após Islamabad sediar uma reunião quadrilateral com os ministros das Relações Exteriores da Turquia, Egito e Arábia Saudita como parte de seus esforços contínuos para levar EUA e Irã à mesa de negociações”, informou a agência turca Anadolu.

O conflito, que já dura um mês, espalhou-se pelo Oriente Médio, causando milhares de mortes, interrompendo o fornecimento de energia e ameaçando lançar a economia global em forte instabilidade. Em meio a esse cenário, a Bloomberg observou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem enviado sinais contraditórios sobre os próximos passos do país na guerra.

Ele afirmou que os EUA já negociam com o Irã, tanto diretamente quanto por meio de mediadores, ao mesmo tempo em que considera publicamente expandir a campanha militar e ameaça ataques contra importantes instalações energéticas e de infraestrutura. O Irã tem negado repetidamente a existência de negociações com Washington, segundo a Bloomberg.

Enquanto isso, ataques militares iranianos continuaram, com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) realizando ofensivas como parte da 88ª onda da Operação Verdadeira Promessa 4 nas primeiras horas de terça-feira.

O departamento de relações públicas do IRGC anunciou que um esconderijo utilizado por fuzileiros navais dos EUA na costa dos Emirados Árabes Unidos foi atingido e destruído com precisão por drones explosivos. O comunicado reiterou que o Estreito de Ormuz está totalmente sob controle das forças iranianas, informou a PressTV.

A escalada contínua da situação no Irã criou múltiplas incertezas para a segurança regional, com riscos crescentes à segurança energética, às rotas marítimas e às condições humanitárias. Isso testa a contenção das partes envolvidas e aumenta a pressão sobre a comunidade internacional por mediação diplomática, afirmou Ding.

O especialista acrescentou que a crise no Oriente Médio chegou a um ponto decisivo entre guerra e paz. Os esforços de mediação do Paquistão foram reconhecidos por ambos os lados do conflito, oferecendo uma plataforma para reduzir tensões prolongadas e trazendo uma esperança de paz — o que os torna particularmente valiosos.

No entanto, um alívio duradouro exigirá que todas as partes busquem uma solução política por meio do diálogo, e não da confrontação militar, concluiu Ding.

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