China não apoia lógica de “cogovernança entre grandes potências”, diz chanceler chinês
Wang Yi defende coexistência multipolar
247 - A China não apoia a lógica de “cogovernança entre grandes potências”, afirmou Wang Yi neste domingo (8) durante uma coletiva de imprensa realizada à margem da quarta sessão do 14º Congresso Nacional do Povo. Ele respondeu a perguntas de jornalistas chineses e estrangeiros sobre a política externa e as relações internacionais do país, informou o Global Times, citando a agência Xinhua.
Um repórter da NBC disse na coletiva que Wang Yi já afirmou que as relações China-EUA estão entre os vínculos bilaterais mais importantes do mundo e que as escolhas estratégicas dos dois países influenciam as tendências históricas globais. O jornalista perguntou se a China aceita a ideia de um modelo de “cogovernança EUA-China”, proposta por algumas pessoas — incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — para compartilhar responsabilidades e lidar com desafios globais. Caso contrário, perguntou qual alternativa a China poderia oferecer para evitar confronto com os EUA, ao mesmo tempo em que assegura ao mundo que uma China em ascensão não pretende derrubar o atual sistema internacional.
Em resposta, Wang disse que China e Estados Unidos naturalmente têm impacto significativo no mundo, mas que não se deve esquecer que existem mais de 190 países no planeta. A história mundial sempre foi escrita coletivamente por todas as nações, e o futuro da humanidade deve ser criado conjuntamente pelos povos de todos os países. Diversidade e coexistência são a verdadeira natureza da sociedade humana, e a coexistência multipolar é a forma adequada da configuração internacional, afirmou.
Ao olhar para a história, Wang disse que cada episódio de rivalidade entre grandes potências e de confrontação entre blocos trouxe desastres e sofrimento para a humanidade. Por essa razão, a China nunca seguirá o velho caminho segundo o qual “um país forte inevitavelmente busca a hegemonia”, nem subscreve a lógica da “cogovernança entre grandes potências”. A Constituição chinesa estipula claramente que o país segue uma política externa independente e trilha um caminho de desenvolvimento pacífico. Líderes chineses têm reiterado em diversas ocasiões internacionais que, independentemente de como evolua a situação internacional e de quão longe a China se desenvolva, o país jamais buscará hegemonia ou expansão, disse Wang.
Sobre como a configuração internacional deve evoluir, Wang afirmou que a proposta da China é construir um mundo multipolar igualitário e ordenado. “Igualitário” significa que os países, independentemente de tamanho ou força, são todos membros iguais da comunidade internacional e podem encontrar seu lugar e desempenhar seu papel em uma estrutura multipolar. “Ordenado” significa que todos os países devem respeitar regras internacionais amplamente reconhecidas, especialmente os propósitos e princípios da Organização das Nações Unidas e as normas básicas que regem as relações internacionais.
Construir um mundo multipolar igualitário e ordenado deve ser uma responsabilidade compartilhada por todos os países, disse Wang, acrescentando que as grandes potências, por possuírem mais recursos e capacidades, devem demonstrar visão e responsabilidade mais amplas, liderando pelo exemplo no respeito às regras, no cumprimento de compromissos e na defesa do Estado de direito. A China está pronta para continuar sendo uma força construtiva em um mundo em transformação e trabalhar com todos os países para acolher conjuntamente a chegada de um mundo multipolar.



