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China Oportunidade 2.0: modernização chinesa abre nova etapa para a economia global

Editorial do Global Times afirma que a China deixou de ser apenas mercado consumidor e polo industrial para se tornar plataforma global de inovação

China se converte num dos grandes pólos de inovação mundiais (Foto: Brasil 247 / Dall-E)
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247 – A expressão “China oportunidade 2.0” ganhou força durante a 17ª Reunião Anual dos Novos Campeões do Fórum Econômico Mundial, conhecida como Summer Davos, realizada em Dalian, na província de Liaoning, no nordeste da China. Segundo editorial publicado pelo jornal chinês Global Times, o conceito sintetiza uma nova fase da modernização chinesa, marcada pela inovação tecnológica, pela abertura econômica e pela capacidade de oferecer novas oportunidades de desenvolvimento ao restante do mundo.

De acordo com o Global Times, a antiga “oportunidade chinesa” estava associada sobretudo aos dividendos de um grande mercado consumidor e aos baixos custos de produção. Agora, a chamada “China oportunidade 2.0” representa algo mais amplo: a capacidade do país de impulsionar investimentos de alto retorno, fortalecer cadeias produtivas globais, ampliar o acesso a novas tecnologias e contribuir para uma globalização econômica mais inclusiva.

O tema surge em um contexto internacional marcado por recuperação econômica lenta, aumento do protecionismo, disputas tecnológicas e incertezas geopolíticas. Para o editorial, justamente por isso a nova etapa da economia chinesa ganhou relevância no debate global: ela se apresenta como uma alternativa concreta diante da fragmentação das cadeias de suprimentos e da tentativa de alguns países de restringir a circulação de tecnologias e produtos estratégicos.

Durante o período do 14º Plano Quinquenal, a contribuição da China para o crescimento da manufatura global superou 30%, segundo os dados citados pelo jornal. Em meio à onda de desglobalização, o país ajudou a estabilizar cadeias industriais e de suprimentos por meio de seu sistema industrial abrangente. Como maior nação comerciante de bens do mundo e segundo maior mercado consumidor global, a China tornou-se uma das principais parceiras comerciais de mais de 160 países e regiões.

Um dos exemplos mais citados dessa nova etapa é a chamada “nova tríade” chinesa, formada por veículos elétricos, baterias de íon-lítio e produtos fotovoltaicos. Esses setores passaram a desempenhar papel relevante na transição energética global, ajudando a reduzir a lacuna entre oferta e demanda por tecnologias verdes e contribuindo para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono.

Além disso, o editorial destaca uma nova geração de produtos de alta tecnologia, representada por inteligência artificial, robótica e medicamentos inovadores. Para o Global Times, esses avanços têm potencial para romper barreiras e monopólios tecnológicos, tornando tecnologias emergentes mais acessíveis e economicamente viáveis para populações de diferentes países.

Abertura econômica de alto nível

A China também tem buscado demonstrar compromisso com uma abertura econômica de alto nível. A realização sucessiva de eventos como a China International Supply Chain Expo, a China International Import Expo, a Feira de Cantão e exposições regionais é apresentada pelo jornal como prova de que Pequim pretende continuar oferecendo plataformas de cooperação para empresas globais, mesmo em um ambiente internacional mais restritivo.

Em 2025, segundo os dados mencionados pelo editorial, foram criadas 14 mil novas empresas estrangeiras no setor de pesquisa científica e serviços técnicos na China, um aumento de 27,2% em relação ao ano anterior. Para muitas multinacionais, a lógica da oportunidade deixou de ser apenas “vender para a China” e passou a ser também “criar com a China”.

Essa mudança revela uma transformação estrutural. A China, que por décadas foi vista principalmente como mercado consumidor global e centro manufatureiro mundial, passou a ser também uma plataforma para transformação, teste e amplificação de inovações. Em outras palavras, empresas estrangeiras já não buscam o país apenas para vender produtos, mas também para desenvolver tecnologias, adaptar soluções e ampliar sua escala global.

O editorial sustenta que, em um momento de incerteza econômica, a abertura se tornou um bem escasso. Países capazes de manter mercados abertos, estabilidade industrial, continuidade de políticas públicas e amplos cenários de negócios tendem a se consolidar como pilares estratégicos para capitais, tecnologias e empresas globais. Nesse sentido, a China é apresentada como um estabilizador relevante da economia mundial.

A “China oportunidade 2.0” também é descrita como parte de uma disputa mais ampla sobre as regras da globalização e da governança global. O Global Times afirma que, enquanto alguns países recorrem ao protecionismo e à hegemonia, a China procura praticar o multilateralismo, defender a estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos e sustentar princípios de livre comércio e concorrência justa.

O jornal também rejeita a lógica da chamada “lei da selva”, baseada na sobrevivência dos mais fortes, e defende a superação do modelo internacional de divisão do trabalho entre “centro” e “periferia”. Segundo o editorial, iniciativas como a Nova Rota da Seda e a Iniciativa de Desenvolvimento Global têm ajudado países em desenvolvimento a se integrar à globalização econômica e a avançar em seus processos de industrialização.

Na leitura do Global Times, se a “China oportunidade 1.0” oferecia ao mundo principalmente dividendos de mercado, baseados no tamanho do consumo interno chinês e nos baixos custos de produção, a “China oportunidade 2.0” combina esses dividendos com um novo dividendo de inovação. Essa combinação, afirma o jornal, amplia as oportunidades de crescimento e contribui para uma globalização econômica mais inclusiva e equilibrada.

Narrativa ocidental distorcida

O editorial também critica a narrativa ocidental conhecida como “China shock 2.0”, usada por setores dos Estados Unidos e da Europa para descrever a entrada de produtos chineses, como veículos de nova energia, equipamentos de inteligência artificial e tecnologias de telecomunicações, nos mercados internacionais. Para o Global Times, a ascensão da ideia de “China oportunidade 2.0” representa o enfraquecimento dessa narrativa.

Segundo o jornal, o problema real não estaria na rápida difusão de novas tecnologias, mas na resistência de alguns países a aceitar a redistribuição de benefícios provocada pela concorrência industrial e pela disseminação tecnológica. O chamado “choque chinês” seria, portanto, uma narrativa defensiva adotada por interesses estabelecidos diante de um reequilíbrio global das forças produtivas.

O editorial afirma que o maior receio desses setores é a perda de vantagens monopolistas. Tecnologias e produtos antes controlados por poucas empresas e poucos países passam a se tornar acessíveis a mais consumidores e nações. Para o jornal, o que prejudica o mundo não é a capacidade produtiva eficiente, mas a construção artificial de barreiras, a fragmentação das cadeias de suprimentos e a politização da cooperação tecnológica.

A crise atual do crescimento global, segundo o texto, não decorre de um excesso de tecnologia, mas da insuficiência de mecanismos de cooperação, da deterioração do ambiente de abertura e do atraso das capacidades de governança. Em um cenário internacional turbulento, o desenvolvimento global exigiria que mais países adquirissem competências industriais e tecnológicas, além de capacidade de participação nas decisões de governança internacional.

A mensagem central do editorial é que a modernização chinesa deve ser compreendida não apenas como um processo interno, mas como uma fonte de oportunidades compartilhadas. A “China oportunidade 2.0” significaria justamente a transformação do desenvolvimento da China em condições para o desenvolvimento comum.

Ao final, o Global Times sustenta que ver a China como oportunidade permite identificar perspectivas mais amplas de cooperação. E tratar a China como parceira, segundo o editorial, pode ajudar a transformar uma era de incertezas em um futuro construído de forma conjunta.

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