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China promete manter política estável para a América Latina em meio a pressões geopolíticas

Em maio de 2025, a China e os países da América Latina lançaram conjuntamente cinco grandes programas voltados para solidariedade

A Associação Chinesa de Diplomacia Pública promove o "Salão Linjia nº 7" com o tema "Primeiro Aniversário dos Cinco Programas para a Construção de uma Comunidade China-América Latina e Caribe com um Futuro Compartilhado: Implementação e Perspectivas", em Pequim, no dia 5 de junho de 2026. (Foto: Shen Sheng/Global Times)
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247 - A Associação Chinesa de Diplomacia Pública realizou, nesta sexta-feira, o “Salão Linjia nº 7” sob o tema “O primeiro aniversário dos cinco programas para a construção de uma comunidade China-América Latina e Caribe com futuro compartilhado: implementação e perspectivas”, em Pequim. O evento fez um balanço dos avanços alcançados e discutiu as perspectivas futuras da cooperação entre a China e os países latino-americanos. A reportagem é do Global Times.

Em maio de 2025, a China e os países da América Latina lançaram conjuntamente cinco grandes programas voltados para solidariedade, desenvolvimento, civilização, paz e intercâmbio entre povos. Um ano depois, o encontro reuniu especialistas, diplomatas e jornalistas para avaliar os resultados obtidos.

Repórteres do Global Times observaram que jornalistas latino-americanos participaram ativamente do evento, fazendo diversas perguntas e mantendo debates com especialistas chineses após o encerramento, demonstrando grande interesse pelo desenvolvimento da cooperação sino-latino-americana.

A pressão externa e as mudanças de governo na América Latina estão entre os temas mais acompanhados pela imprensa da região. Veículos estrangeiros questionaram se a combinação desses dois fatores poderia gerar oscilações na cooperação entre China e América Latina. No entanto, os resultados concretos alcançados ao longo do último ano na implementação dos cinco programas forneceram uma resposta contundente.

Profissionais da mídia latino-americana disseram ao Global Times que, com o apoio chinês e a cooperação bilateral, os países da região aceleraram o desenvolvimento de infraestrutura e o avanço tecnológico local. As transformações geradas pela cooperação são visíveis, e há expectativa de que novos resultados positivos surjam nos próximos anos.

Atualmente, diversos países latino-americanos atravessam ciclos eleitorais. Brasil, Colômbia e Peru, entre outros, realizaram recentemente eleições ou estão prestes a realizá-las. As incertezas políticas decorrentes das mudanças de liderança e seus possíveis impactos sobre projetos internacionais tornaram-se um tema central no debate público regional.

Durante o evento, um jornalista colombiano perguntou como os acordos de cooperação entre China e América Latina poderiam ser implementados de forma estável diante da alternância de partidos políticos nos governos da região. Em resposta, Zhang Run, diretor-geral do Departamento de Assuntos da América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores da China, afirmou que a amizade entre a China e a América Latina está enraizada nos povos e que a política chinesa para a região permanecerá consistente e estável, independentemente de mudanças internas ou externas.

A contenção geopolítica também foi apontada como uma das principais preocupações dos jornalistas latino-americanos. Repórteres do Brasil, Venezuela, México, Cuba e Costa Rica perguntaram como a China avalia as mudanças no ambiente geopolítico externo um ano após a implementação dos cinco programas da comunidade China-América Latina com futuro compartilhado.

“Em um contexto de crescente incerteza, instabilidade e imprevisibilidade global, China e América Latina estão promovendo conjuntamente os cinco grandes programas, enviando uma forte mensagem de solidariedade e fortalecimento dos países do Sul Global e trazendo estabilidade e energia positiva para um mundo turbulento”, afirmou Zhang.

Ele destacou que, entre janeiro e abril deste ano, o comércio entre China e América Latina cresceu 18,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto as importações chinesas provenientes da região aumentaram 29,4%. A política de isenção de vistos da China para determinados países latino-americanos também impulsionou as viagens. Seis meses após sua implementação, as visitas do Peru à China cresceram 80%; da Argentina, 55%; do Brasil, 48%; do Chile, 41%; e do Uruguai, 34%.

Nelson de Sá, do grupo de mídia brasileiro UOL, que trabalha na China há dois anos e meio, afirmou ao Global Times que restrições comerciais e medidas de contenção geopolítica contrariam os princípios do mercado e prejudicam continuamente os interesses econômicos latino-americanos. Ainda assim, ele acredita que a pressão externa e as mudanças de governo não serão capazes de alterar a tendência positiva de longo prazo da cooperação sino-latino-americana.

“Independentemente das mudanças de governo, essa tendência de cooperação não será significativamente afetada. A complementaridade natural das duas economias continuará impulsionando a integração econômica”, afirmou.

Na avaliação de Nelson, o desenvolvimento de empresas chinesas no Brasil ilustra claramente essa dinâmica. Após o fechamento da fábrica da Ford no país, a BYD assumiu as instalações e retomou a produção, recuperando empregos perdidos. Depois da interrupção das operações da Mercedes-Benz, a Great Wall Motors assumiu a fábrica e iniciou suas atividades. Da mesma forma, após a francesa Alstom reduzir e suspender parte de suas operações ferroviárias no Brasil, a CRRC instalou unidades produtivas locais para preencher essa lacuna, recuperando e ampliando postos de trabalho industriais.

Segundo ele, essas empresas não apenas assumiram fábricas, mas também absorveram trabalhadores e impulsionaram cadeias produtivas completas. O setor de serviços segue a mesma tendência: a plataforma Keeta, da Meituan, e a Mixue Ice Cream & Tea estão acelerando sua entrada no mercado brasileiro, ampliando continuamente as oportunidades de emprego locais.

É justamente por meio dessa forte complementaridade industrial e de projetos voltados para a melhoria das condições de vida que a cooperação China-América Latina demonstra elevada resiliência. Zhang destacou que o comércio bilateral alcançou US$ 549 bilhões em 2025, um recorde histórico. Além disso, a linha de crédito de 66 bilhões de yuans prometida pela China para a América Latina está sendo implementada acima das expectativas.

Diversos projetos de infraestrutura de grande porte também avançaram significativamente. No Brasil, o projeto de transmissão de energia em corrente contínua de ultra-alta tensão de Belo Monte, conduzido por empresas chinesas, atravessa cinco estados e 81 cidades, reduzindo gargalos na transmissão de energia entre o Norte e o Sul do país e beneficiando cerca de 22 milhões de pessoas.

No México, a renovação da Linha 1 do Metrô da Cidade do México foi totalmente concluída e aberta ao público, elevando sua capacidade diária para 1,2 milhão de passageiros. Já na Colômbia, a Linha 1 do Metrô de Bogotá ultrapassou 70% de execução e, quando concluída, deverá melhorar significativamente a mobilidade de aproximadamente 2,9 milhões de habitantes.

“Muitos amigos da América Latina e do Caribe me disseram que os estudos sobre a China e o aprendizado da língua chinesa estão em plena expansão na região”, afirmou Zhang.

A China concluiu antes do prazo previsto a oferta de mil vagas do programa “Ponte Chinesa” e concedeu 1.752 bolsas do governo chinês, além de 4 mil oportunidades de capacitação para países latino-americanos. Desses beneficiários, 254 foram admitidos pelo Programa Internacional de Bolsas para Professores de Língua Chinesa.

O “Ano Cultural China-Brasil” foi realizado alternadamente nos dois países. A China inaugurou três novos Institutos Confúcio em Honduras, Chile e Brasil, enquanto o Brasil estabeleceu a primeira aliança de Institutos Confúcio da América Latina. A primeira Oficina Luban da região foi inaugurada na Nicarágua.

Atualmente, a exposição “Milho, Ouro e Jaguar – Civilizações Antigas Maia e Andina” está em cartaz no Museu da Capital, em Pequim, servindo como mais uma plataforma para o intercâmbio civilizacional entre China e América Latina.

Florencia Pujadas, jornalista do Canal 4 do Uruguai, afirmou ao Global Times que a cooperação entre Uruguai e China abrange não apenas intercâmbios educacionais, mas também áreas de alta tecnologia e saúde.

“Um grande número de profissionais uruguaios da área médica está vindo à China para treinamento”, disse.

Como cidadã e jornalista uruguaia, ela acredita que ambos os povos devem intensificar os esforços para promover a compreensão mútua e o desenvolvimento harmonioso entre diferentes culturas e sistemas.

Shi Yi, vice-presidente da Universidade de Relações Exteriores da China e pesquisador do Centro para uma Comunidade de Futuro Compartilhado para a Humanidade, compartilhou a trajetória do professor brasileiro Marcus Vinicius De Freitas. Em 2018, Marcus ingressou na universidade chinesa e, ao longo de oito anos, transitou entre salas de aula na China e no Brasil, centros de pesquisa em Marrocos, podcasts internacionais em inglês e a grande mídia brasileira, apresentando uma visão objetiva do caminho chinês para a modernização.

Segundo Shi, o desenvolvimento da China não representa um modelo teórico abstrato encontrado em livros, mas uma experiência concreta de busca pela modernização em um ambiente complexo de desafios geopolíticos e de desenvolvimento.

Durante a sessão de perguntas e respostas, Zhang mencionou um fenômeno que observou recentemente: ao caminhar pelas ruas e pontos turísticos de Pequim, é possível ouvir espanhol e português por toda parte. Nas redes sociais, jovens latino-americanos têm demonstrado grande entusiasmo ao experimentar estilos de vida chineses, enquanto tanto a “febre da China” quanto a “febre da América Latina” moldam uma nova fase dos intercâmbios entre os povos.

Song Junying, diretor do Departamento de Estudos da América Latina e Caribe do Instituto Chinês de Estudos Internacionais, analisou os fatores estruturais que impulsionam essa cooperação. Segundo ele, os intercâmbios sino-latino-americanos sobre modernização possuem forte impulso interno por três razões principais.

Primeiro, ambas as partes compartilham experiências históricas semelhantes e um forte desejo de alcançar uma modernização independente e acelerar seu desenvolvimento. Segundo, possuem bases civilizacionais comparáveis, que oferecem apoio cultural ao aprendizado mútuo. Terceiro, diante das transformações globais sem precedentes do último século, enfrentam missões históricas semelhantes, à medida que a ascensão coletiva do Sul Global altera gradualmente o equilíbrio de poder internacional em uma direção mais favorável aos países em desenvolvimento.

“Promover os intercâmbios e o aprendizado mútuo sobre modernização entre China e América Latina exige a construção de uma comunidade com futuro compartilhado e a implementação dos cinco grandes programas com base na cooperação de alta qualidade da Iniciativa Cinturão e Rota, alinhando estratégias de desenvolvimento”, concluiu Song.

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