China condena novo plano tarifário dos EUA
Ministério das Relações Exteriores da China defende diálogo
247 - A China se opõe a todas as formas de medidas tarifárias unilaterais. Ninguém tem a ganhar com uma guerra tarifária ou uma guerra comercial, afirmou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (3). As informações são do Global Times.
Mao fez as declarações ao responder a uma pergunta da Reuters sobre a proposta do governo Trump de impor tarifas adicionais de 10% ou 12,5% sobre importações provenientes de 60 economias, incluindo a China, após uma investigação conduzida sob a Seção 301 concluir que houve “falhas em conter o trabalho forçado no processo de produção”.
Mao observou que questões econômicas e comerciais devem ser resolvidas por meio de diálogo e consultas, com base na igualdade, no respeito e no benefício mútuo.
Zhou Mi, pesquisador sênior da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, disse ao Global Times nesta quarta-feira que o plano tarifário dos EUA representa mais uma ação unilateral, em violação às regras da Organização Mundial do Comércio e aos princípios básicos do comércio internacional.
“Os Estados Unidos estão tentando impor suas próprias regras unilaterais a outros países, o que distorcerá ainda mais as cadeias internacionais de suprimentos”, advertiu Zhou.
A Reuters informou que a proposta surge no momento em que “o governo Trump busca reconstruir suas tarifas emergenciais, que foram derrubadas por uma decisão da Suprema Corte dos EUA em fevereiro”.
Gao Lingyun, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou nesta quarta-feira que, ao recorrer repetidamente às tarifas, os Estados Unidos não apenas perturbam a ordem comercial global, mas também prejudicam seus próprios interesses.
Gao destacou que as tarifas distorcem a alocação de recursos, elevam os custos de produção e geram perdas líquidas de bem-estar, uma vez que as perdas suportadas por consumidores e produtores superam a receita tarifária arrecadada pelo governo.
Sobre o chamado “trabalho forçado”, Mao afirmou durante a coletiva que não existe “trabalho forçado” na China e que o país se opõe ao uso dessa alegação como pretexto para manipulação política.
Gao acrescentou que a alegação dos EUA de impor tarifas à China com base em suposto “trabalho forçado” é fundamentalmente insustentável.
Além disso, China e Estados Unidos realizaram discussões aprofundadas sobre a questão tarifária e chegaram a entendimentos correspondentes, de modo que os EUA devem cumprir seus compromissos, acrescentou Zhou.
He Yadong, porta-voz do Ministério do Comércio da China (MOFCOM), afirmou em 28 de maio que as tarifas têm sido há muito tempo uma das principais questões nas relações econômicas e comerciais entre China e Estados Unidos. Segundo He, os dois lados concordaram, em princípio, em discutir, no âmbito do conselho comercial, um acordo-quadro para redução recíproca de tarifas sobre produtos de escala equivalente e valor igual ou superior a US$ 30 bilhões de cada lado.
As equipes econômicas e comerciais da China e dos Estados Unidos manterão comunicação estreita sobre as questões tarifárias, definirão arranjos específicos e avançarão na implementação o mais rapidamente possível. “Gostaria de reiterar que a China espera que os Estados Unidos cumpram seus compromissos e criem condições favoráveis para ampliar a cooperação econômica e comercial entre os dois países”, afirmou o porta-voz do MOFCOM.




