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Equipe médica chinesa chega à República Democrática do Congo para auxiliar no combate ao ebola

Médicos levam experiência da China no controle de epidemias

Uma equipe de especialistas médicos chineses chega a Kinshasa, capital da República Democrática do Congo (RDC), em 2 de junho de 2026, para uma missão de apoio à resposta do país ao surto de Ebola (Foto: Xinhua)
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247 - Uma equipe chinesa de especialistas médicos em combate a epidemias chegou nesta terça-feira (2) a Kinshasa, capital da República Democrática do Congo (RDC), para uma missão de três meses destinada a apoiar a resposta do país africano ao surto de ebola, informaram a agência Xinhua e o Global Times

Luku Maleyo Marius, representante do Ministério da Saúde da RDC, recebeu a equipe no aeroporto e afirmou que o envio dos especialistas representa um apoio oportuno e significativo ao governo e ao povo congolês.

Segundo ele, sempre que a RDC enfrenta grandes desafios de saúde pública, a China tem prestado assistência de forma rápida e consistente. Marius acrescentou que espera que a missão contribua para fortalecer a capacidade nacional de prevenção, controle e tratamento de epidemias e ajude a conter o surto o mais rapidamente possível.

A iniciativa ocorre após a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinar, em 17 de maio, que o surto de ebola na RDC constitui uma “emergência de saúde pública de interesse internacional”. Desde então, países como Estados Unidos, Canadá, Tailândia e Vietnã reforçaram inspeções em fronteiras e adotaram requisitos mais rigorosos de entrada para evitar a disseminação do vírus.

Em entrevista ao Global Times antes da partida, integrantes da missão afirmaram que a operação reflete o compromisso da China com a cooperação internacional no combate a epidemias. Segundo eles, a equipe buscará adaptar experiências bem-sucedidas de controle sanitário à realidade local e fortalecer a capacidade congolesa de prevenção e atendimento clínico.

Experiência chinesa

O atual surto é o 17º registrado na RDC desde a identificação do vírus, em 1976. Exames laboratoriais identificaram a cepa Bundibugyo do ebola.

A OMS informou anteriormente ao Global Times que as taxas de mortalidade registradas nos dois surtos anteriores dessa variante — ocorridos em Uganda e na RDC em 2007 e 2012 — variaram entre aproximadamente 30% e 50%. Não existe tratamento específico para a doença causada pela cepa Bundibugyo, embora cuidados médicos precoces aumentem significativamente as chances de sobrevivência.

Os especialistas chineses enviados possuem ampla experiência em prevenção e controle de epidemias e atuam em áreas como saúde pública, medicina tradicional chinesa e medicina ocidental. Trabalhando em conjunto com as equipes médicas chinesas já presentes na RDC, eles apoiarão os esforços locais de combate ao ebola e ampliarão a cooperação com instituições médicas e de controle de doenças do país.

Antes do embarque, Lu Ming, líder da missão e inspetor de segundo nível do Departamento de Cooperação Internacional da Comissão Nacional de Saúde da China, afirmou ao Global Times que a equipe reúne especialistas de diferentes áreas e utilizará informações epidemiológicas coletadas em campo para desenvolver medidas específicas de prevenção e controle.

Sob orientação da Embaixada da China na RDC, os especialistas também atuarão junto a instituições chinesas, empresas e comunidades chinesas no país para ampliar a conscientização sobre prevenção, reforçar a preparação das equipes de linha de frente e reduzir o risco de casos importados para a China.

Xu Ke, diretor do Laboratório de Hepatite do Instituto Nacional para Controle e Prevenção de Doenças Virais do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), explicou que seu trabalho estará voltado para a cooperação laboratorial, incluindo testes e análises do vírus, monitoramento de mutações, aprimoramento de métodos diagnósticos e estudo de alterações genéticas.

Segundo Xu, além da elevada letalidade do vírus, as complexas condições sociais nas áreas afetadas representam um dos maiores obstáculos ao controle da doença.

“As áreas mais atingidas estão localizadas em zonas de conflito, com situações geopolíticas complexas e restrições à mobilidade da população, tornando o controle da epidemia muito mais difícil do que em surtos anteriores”, afirmou.

De acordo com o ministro da Saúde da RDC, Roger Kamba, o número de casos confirmados de ebola chegou a 343.

A doença causada pela cepa Bundibugyo é uma zoonose, tendo os morcegos frugívoros como provável reservatório natural. A infecção humana ocorre por contato próximo com sangue ou secreções de animais infectados e, posteriormente, é transmitida entre pessoas por meio do contato direto com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de indivíduos contaminados, bem como por superfícies ou objetos infectados.

Jiang Rongmeng, vice-presidente do Hospital Ditan de Pequim e integrante da missão, destacou que, independentemente da variante do vírus, o tratamento precoce e o suporte médico adequado podem reduzir significativamente a mortalidade.

Veterano da missão chinesa enviada à África em 2014 para combater outra variante do ebola, Jiang afirmou que muitos países afetados pela doença compartilham condições sanitárias, econômicas e culturais semelhantes, o que favorece a propagação do vírus.

Um dos fatores apontados por ele são os rituais funerários tradicionais, que frequentemente envolvem lavar, tocar ou permanecer próximo ao corpo da pessoa falecida. Como o ebola pode ser transmitido por fluidos corporais, esses costumes podem contribuir para a formação de novas cadeias de transmissão.

“Isso nos remete à experiência chinesa de prevenção e controle de doenças infecciosas, baseada na mobilização de toda a sociedade. O combate às epidemias não é responsabilidade apenas dos especialistas ou do governo, mas de toda a população. Essa abordagem permite que países em desenvolvimento controlem doenças com custos relativamente baixos, sem depender exclusivamente de equipamentos caros ou infraestrutura avançada”, afirmou.

Cooperação contínua

A presença médica chinesa na RDC antecede a chegada da nova missão. Desde o início do surto, a 24ª equipe médica chinesa em atuação no país ativou medidas de emergência, estabeleceu sistemas de prevenção e controle, realizou treinamentos e exercícios, coordenou o fornecimento de insumos e reforçou medidas sanitárias em suas instalações.

Os profissionais também permaneceram na linha de frente do atendimento clínico, fortaleceram protocolos de prevenção de infecções, orientaram empresas chinesas instaladas no país e contribuíram para proteger tanto a população local quanto cidadãos chineses residentes na RDC.

Durante a grande epidemia de ebola que atingiu a África em 2014, quando mais da metade dos infectados perdeu a vida, a China manteve suas equipes médicas em campo enquanto muitos países retiravam seus profissionais diante do avanço da doença. As equipes chinesas atuaram em regiões severamente afetadas e ajudaram a suprir lacunas críticas nos serviços de saúde locais.

“Doenças não conhecem fronteiras”, afirmou Lu Ming. Segundo ele, a China também recebeu apoio internacional em momentos de emergência sanitária e, por isso, respondeu rapidamente ao novo surto com o envio de especialistas e ajuda material, demonstrando o compromisso de um país responsável.

“Como integrante desta missão, sinto-me honrado em contribuir com minha experiência para o controle do ebola e para a construção de uma comunidade global de saúde para todos”, declarou.

Xu Ke destacou que a China mantém uma longa tradição de amizade com os países africanos e que os profissionais de saúde chineses estão comprometidos em colocar sua expertise a serviço da população local.

Em coletiva de imprensa realizada na segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que China e África são “bons irmãos que compartilham alegrias e dificuldades”.

“Sentimos profundamente o impacto do novo surto de ebola na República Democrática do Congo”, disse. Segundo ele, o apoio aos países africanos no combate à doença é um exemplo da construção da comunidade China-África com futuro compartilhado para a nova era e integra as dez ações de parceria definidas na Cúpula de Pequim do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) de 2024.

“Enquanto falamos, equipes médicas chinesas estão no terreno, combatendo a doença lado a lado com os povos africanos”, concluiu.

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