China propõe nove diretrizes para reformar a governança global
Iniciativa apresentada na ONU busca fortalecer o multilateralismo, ampliar a voz do Sul Global e tornar o sistema internacional mais justo e eficaz
247 – A China defendeu uma reforma ampla da governança global, com nove diretrizes consideradas centrais para tornar o sistema internacional mais democrático, inclusivo e eficaz. A proposta foi apresentada em 28 de maio, durante reunião do Grupo de Amigos da Governança Global, realizada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, com representantes de mais de 60 países.
As informações foram publicadas em editorial do jornal chinês Global Times, que destacou o papel da Iniciativa de Governança Global, apresentada pelo presidente Xi Jinping em setembro do ano passado. A iniciativa se baseia em cinco conceitos centrais: respeito à igualdade soberana, observância do direito internacional, prática do multilateralismo, abordagem centrada nas pessoas e foco em ações concretas.
Durante o encontro, Wang Yi, membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China e ministro das Relações Exteriores, apresentou em nome de Pequim nove caminhos para a reforma e o aprimoramento da governança global. Segundo o editorial, a proposta recebeu respostas positivas dos participantes e estabeleceu um roteiro claro para transformar princípios em ações comuns da comunidade internacional.
Apoio crescente à iniciativa chinesa
Em menos de um ano, a Iniciativa de Governança Global obteve apoio ou resposta positiva de quase 160 países e organizações internacionais, de acordo com o Global Times. O Grupo de Amigos da Governança Global já foi estabelecido em Nova York, Genebra e Viena, reunindo mais de 60 países.
O grupo defende cinco consensos principais: democratização das relações internacionais, respeito aos propósitos e princípios da Carta da ONU, preservação do papel central das Nações Unidas, redução gradual da divisão Norte-Sul e foco na solução de problemas concretos.

O editorial ressalta que o mecanismo não busca criar uma estrutura paralela ao sistema internacional existente. Ao contrário, está ancorado no sistema centrado na ONU e pretende funcionar como uma plataforma aberta, inclusiva e prática para fortalecer o multilateralismo e ampliar consensos.
Sul Global no centro do debate
A expansão do Grupo de Amigos, de 43 membros fundadores em Nova York para mais de 60 países, foi apresentada pelo jornal como expressão da crescente participação dos países em desenvolvimento. A iniciativa busca reunir diferentes prioridades do Sul Global em uma voz coletiva, afastando a reforma da governança global da lógica da rivalidade entre grandes potências, da competição geopolítica e da confrontação entre blocos.
As nove diretrizes propostas pela China abrangem áreas como funcionamento dos mecanismos da ONU, responsabilidades do Conselho de Segurança, operações internacionais de paz, cooperação para o desenvolvimento, governança internacional dos direitos humanos, reforma do sistema econômico e financeiro, regras para inteligência artificial, governança de novas fronteiras e intercâmbio entre civilizações.
Segundo o editorial, essas áreas atacam três fragilidades centrais do sistema atual: a baixa representação do Sul Global, a erosão da autoridade da ONU e a necessidade urgente de aumentar a eficácia da governança internacional.
Inteligência artificial, clima e finanças globais
Entre os temas citados nas nove diretrizes estão a reforma da arquitetura financeira internacional, a inteligência artificial, o ciberespaço, as mudanças climáticas e o espaço exterior. Para o Global Times, esses setores concentram déficits relevantes de governança e exigem respostas coordenadas.
O editorial sustenta que a proposta chinesa cria uma estrutura abrangente, em múltiplas camadas e integrada, capaz de enfrentar limitações dos mecanismos internacionais atuais e colocar em prática os cinco princípios da Iniciativa de Governança Global.
Representantes presentes no encontro manifestaram apoio à iniciativa e afirmaram que ela está alinhada aos propósitos e princípios da Carta da ONU. Também destacaram que as nove diretrizes dialogam com os objetivos da Iniciativa ONU80.
Ao fim da reunião, foi divulgado um comunicado conjunto pedindo que as nove diretrizes sirvam como referência para aprofundar consultas, construir consensos e apresentar medidas práticas e viáveis.
Do consenso à ação concreta
O editorial afirma que a reforma da governança global é uma tarefa complexa e de longo prazo. Um dos problemas recorrentes, segundo o texto, é a tendência de debater sem decidir e decidir sem implementar. Muitos acordos permanecem apenas no papel, sem mecanismos efetivos de execução.
O jornal também afirma que, em alguns casos, grandes potências individuais dificultam ações coletivas em defesa de seus próprios interesses, o que torna ainda mais difícil enfrentar desafios comuns.
Por isso, a Iniciativa de Governança Global coloca a ação concreta entre seus princípios centrais. O objetivo, segundo o editorial, é superar a distância entre compromissos abundantes e implementação insuficiente, estimulando a comunidade internacional a transformar consensos em medidas efetivas.
Uma governança mais justa e equilibrada
O Global Times afirma que a ampliação da influência do Grupo de Amigos da Governança Global e a apresentação das nove diretrizes demonstram a vitalidade da proposta chinesa. O texto defende atenção especial às preocupações dos países africanos, das nações menos desenvolvidas e dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento.
Para o jornal, os benefícios de uma governança global aprimorada devem ser compartilhados por todos os países e povos.
O editorial conclui que a reforma do sistema internacional exigirá compromisso contínuo e perseverança da comunidade internacional. A China, segundo o texto, continuará a defender o multilateralismo e a contribuir com sua experiência de governança para a construção de uma ordem global mais justa, equitativa, pacífica, segura e próspera.




