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Encontro em Pequim aponta estabilidade estratégica como eixo para a relação entre China e EUA

China e EUA buscam novo rumo nas relações bilaterais

Donald Trump e Xi Jinping em Pequim (Foto: Xinhua/Shen Hong)
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247 - O encontro entre Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Pequim marcou uma tentativa de estabelecer um novo rumo para as relações China-EUA, tendo a estabilidade estratégica como eixo central de uma relação bilateral considerada decisiva para os dois países e para o cenário internacional. ]

Segundo editorial do Global Times, os dois chefes de Estado concordaram em avançar em uma nova visão para a construção de uma relação China-EUA construtiva, sustentada por estabilidade estratégica. A formulação foi apresentada como um “novo posicionamento” para orientar os laços bilaterais nos próximos três anos e além.

O encontro ocorreu na quinta-feira, no Grande Salão do Povo, em Pequim, durante a visita de Estado de Donald Trump à China. Para o jornal chinês, a iniciativa busca dar direção a uma relação marcada por ampla interdependência, disputas comerciais, competição tecnológica, tensões geopolíticas e, ao mesmo tempo, por interesses comuns em áreas estratégicas.

Estabilidade estratégica como novo eixo

De acordo com o editorial, Xi Jinping definiu a ideia de “estabilidade estratégica construtiva” a partir de quatro dimensões: uma estabilidade positiva, baseada na cooperação; uma estabilidade saudável, em que a competição permaneça dentro de limites adequados; uma estabilidade constante, capaz de administrar diferenças; e uma estabilidade duradoura, sustentada por uma paz previsível.

Na leitura do Global Times, essas “quatro estabilidades” formam um roteiro prático para a relação entre as duas maiores potências globais. O jornal argumenta que a proposta não deve ser vista como uma resposta temporária a crises diplomáticas, mas como uma abordagem de longo prazo para evitar que a rivalidade se transforme em confronto.

O editorial sustenta ainda que o novo posicionamento rejeita a lógica de soma zero e aposta em uma cooperação de benefício mútuo. Para o veículo, a relação entre China e EUA pode ser conduzida de forma a permitir que ambos os países alcancem resultados positivos, com impacto também sobre a estabilidade global.

Três questões para o futuro das grandes potências

Durante a reunião, Xi Jinping apresentou três questões consideradas centrais para o futuro da relação bilateral. O líder chinês questionou se China e Estados Unidos podem superar a chamada Armadilha de Tucídides e criar um novo paradigma para as relações entre grandes potências; se podem enfrentar juntos os desafios globais e oferecer maior estabilidade ao mundo; e se podem construir um futuro positivo para os laços bilaterais, em benefício dos dois povos e da humanidade.

Segundo o editorial, Xi afirmou que essas perguntas dizem respeito à história, ao mundo e aos povos, além de representarem questões do tempo presente que os líderes das grandes potências precisam responder em conjunto.

A construção de uma “relação construtiva China-EUA de estabilidade estratégica” é apresentada pelo Global Times como mais um passo em direção a um novo modelo de convivência entre potências. O jornal recorreu à memória da Diplomacia do Pingue-Pongue, iniciada há 55 anos, para lembrar o processo que ajudou a romper mais de duas décadas de distanciamento entre os dois países.

O editorial afirma que a história demonstrou repetidamente que China e Estados Unidos não podem simplesmente virar as costas um ao outro, que tentar remodelar o outro lado é irrealista e que qualquer conflito direto teria consequências graves para ambos.

Trump elogia Xi e fala em ações conjuntas

A reunião entre Xi Jinping e Donald Trump durou mais de duas horas. Segundo o texto original, Trump chamou Xi de um grande líder e a China de um grande país.

O presidente dos Estados Unidos também afirmou que EUA e China são os países mais importantes e poderosos do mundo e que os dois presidentes podem “fazer muitas coisas grandes e boas para os dois países e para o mundo”.

Para o Global Times, essa postura indica uma abordagem mais objetiva e igualitária dos Estados Unidos em relação à China. O editorial sustenta que esse reconhecimento reforça a lógica do novo posicionamento bilateral, baseado na necessidade de estabilizar a relação e evitar que a competição avance para um cenário de ruptura.

Temas globais entram na pauta

Além da relação bilateral, os dois presidentes discutiram questões internacionais e regionais relevantes, incluindo a situação no Oriente Médio, a crise na Ucrânia e a Península Coreana.

O editorial afirma que China e Estados Unidos também concordaram em apoiar-se mutuamente na realização da Reunião de Líderes Econômicos da APEC e da Cúpula do G20 deste ano. Para o jornal, esse entendimento aponta para um caminho de “cooperação ganha-ganha para a China, os EUA e o mundo”.

Na avaliação do Global Times, uma relação estável, saudável e sustentável entre Pequim e Washington é essencial para lidar com tensões regionais, novos desafios de governança global e áreas emergentes ligadas ao progresso humano.

Cooperação econômica e tecnológica

O editorial também destaca a composição da delegação empresarial que acompanhou Donald Trump à China. Em comparação com nove anos atrás, quando predominavam representantes dos setores de energia, aviação e agricultura, a nova delegação é descrita como liderada por nomes da tecnologia e por elites de Wall Street.

Para o jornal, a mudança reflete a ampliação e o aprofundamento das áreas de cooperação entre China e Estados Unidos. O texto cita ainda a sétima rodada de consultas econômicas e comerciais China-EUA, realizada na Coreia do Sul, que teria produzido “resultados geralmente equilibrados e positivos”.

Na visão do Global Times, essas iniciativas mostram que o novo posicionamento não está limitado ao discurso diplomático, mas começa a se traduzir em ações práticas.

Respeito mútuo e coexistência pacífica

No banquete de boas-vindas oferecido a Donald Trump, Xi Jinping reiterou que o avanço estável da relação depende de respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação vantajosa para ambos os lados.

O editorial afirma que uma “relação construtiva China-EUA de estabilidade estratégica” não deve ser apenas um slogan, mas um compromisso refletido em medidas concretas dos dois países. O texto sustenta que a base da relação precisa ser fortalecida, pois, sem ela, não haveria estabilidade estratégica ou construtiva significativa.

A visita de Xi Jinping e Donald Trump ao Templo do Céu, em Pequim, também foi destacada pelo Global Times como símbolo do momento diplomático. Os dois líderes posaram para fotos na praça do Salão de Oração pelas Boas Colheitas. O editorial citou comentário da Reuters segundo o qual o local, historicamente associado às orações imperiais por boas colheitas, poderia representar a busca dos dois lados por “uma boa colheita” nas relações bilaterais.

Para o jornal chinês, o novo posicionamento oferece uma visão em que China e Estados Unidos deixam para trás a lógica de soma zero, trabalham juntos diante dos desafios globais e compartilham oportunidades de desenvolvimento a partir de um novo ponto de partida. O editorial conclui que a orientação estratégica dos dois chefes de Estado aponta um rumo para as relações bilaterais e injeta confiança na paz e no desenvolvimento mundial.

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