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G7 enfrenta crise de liderança em meio à ascensão do Sul Global, destaca editorial do Global Times

De acordo com o Global Times, o G7 vive divisões internas e tenta atribuir à China os problemas de uma ordem global em transformação

Um manifestante segura um cartaz durante um protesto em Calgary, Canadá, em 15 de junho de 2025. Foto: Xinhua (Foto: Xinhua)
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247 - A crise de liderança do G7 voltou ao centro do debate internacional em meio à ascensão do Sul Global, às divisões internas entre potências ocidentais e às críticas ao papel do grupo na ordem mundial em transformação, conforme editorial publicado pelo Global Times.

Segundo o Global Times, a cúpula do G7, marcada para ocorrer entre 15 e 17 de junho em Évian-les-Bains, nos Alpes franceses, chega cercada de controvérsias antes mesmo de sua abertura. O jornal chinês afirma que o encontro evidencia um declínio de coesão dentro do bloco ocidental e um distanciamento crescente entre o grupo e a realidade de um mundo cada vez mais multipolar.

O editorial sustenta que, mesmo entre cidadãos dos países que compõem o G7, o grupo tem sido visto de forma crítica, com descrições como “hipócrita”, “egoísta” e “distante do mundo”. Na avaliação do jornal, essa percepção reflete problemas estruturais acumulados pelo bloco, como dificuldades econômicas, aumento da dívida pública, perda de competitividade industrial, fragmentação social e pressões associadas ao envelhecimento populacional.

O Global Times afirma que o G7 enfrenta uma espécie de “doença” política e econômica, mas não tem demonstrado capacidade de formular respostas conjuntas. O texto menciona atritos entre os Estados-membros e aponta uma queda histórica na confiança dos países europeus em relação aos Estados Unidos. Nesse contexto, segundo o editorial, o bloco teria dificuldade até mesmo para construir consensos internos.

A publicação avalia que a cúpula deste ano pode repetir a incapacidade de emitir um comunicado conjunto, como teria ocorrido no ano anterior, e entrar para a história como uma das reuniões de “menor denominador comum” do grupo. Para o jornal, esse quadro revelaria não apenas perda de força, mas também redução da capacidade política do G7 de agir como fórum de articulação internacional.

O editorial critica o fato de o grupo tentar apresentar soluções para outros países em vez de refletir sobre seus próprios impasses. De acordo com o Global Times, reportagens da imprensa europeia indicam que a cúpula teria definido informalmente a chamada responsabilização da China como ponto mínimo de convergência entre seus membros.

O texto cita temas que estariam na agenda do encontro, como supostos desequilíbrios comerciais, acusações de “excesso de capacidade”, alianças em torno de minerais críticos e estratégias de “redução de riscos”. Para o jornal, esses pontos demonstram uma tentativa de deslocar para a China tensões que têm origem em problemas internos do próprio bloco.

O editorial afirma que desafios globais como reorganização das cadeias industriais, segurança energética, estabilidade financeira e governança climática não podem ser enfrentados sem a participação da China e de outros países do Sul Global. Por isso, o Global Times defende que os debates internacionais ocorram em mecanismos multilaterais mais representativos, e não em “pequenas camarilhas” formadas por um número restrito de países desenvolvidos.

A publicação argumenta que o cenário global passou por transformações históricas desde o início deste século. A China é apresentada como a segunda maior economia do mundo e como um motor importante do crescimento global. O texto também destaca a ascensão de potências emergentes como Índia, Brasil e Indonésia, além do fortalecimento coletivo das economias representadas pelos Brics.

Na avaliação do editorial, a emergência desses países rompeu a antiga lógica de domínio ocidental sobre a ordem internacional. O Global Times afirma que o Sul Global, com grandes populações, mercados amplos e elevado potencial de desenvolvimento, tornou-se uma força indispensável para o crescimento mundial.

O jornal critica o fato de o G7, apesar de representar menos de 10% da população mundial e ver sua participação no PIB global diminuir, ainda busca se apresentar como “líder mundial”. O editorial afirma que o grupo tenta, em alguns momentos, disfarçar seus próprios interesses sob a linguagem de “regras internacionais”.

Para o Global Times, essa postura já não corresponde às necessidades da realidade internacional contemporânea. O texto aponta que o G7 combina uma “ilusão de liderança” com uma sensação crescente de ansiedade e impotência diante das mudanças globais.

Segundo o editorial, essa combinação levaria o grupo a transferir a culpa para a China como forma de desviar tensões internas, escapar de responsabilidades próprias e reunir aliados em estruturas fechadas. A publicação afirma que cada integrante do bloco mantém sua própria agenda, desde a tentativa de controlar o discurso das relações internacionais até a busca de ganhos geopolíticos em cenários instáveis.

O jornal sustenta ainda que muitos dos problemas do G7 têm origem em uma percepção equivocada da China e em políticas inadequadas adotadas em relação ao país. O editorial compara essa postura a alguém que está doente, mas decide prescrever remédios para os outros, afirmando que o resultado seria previsível.

Na parte final, o Global Times afirma que os desafios enfrentados pelo mundo já ultrapassaram a capacidade de qualquer bloco isolado ou mecanismo restrito. O texto apresenta como alternativa a defesa chinesa de um mundo multipolar “igualitário e ordenado” e de uma globalização econômica “universalmente benéfica e inclusiva”.

O editorial conclui que o G7 deveria despertar de sua “ilusão de líder” e adotar mais abertura, inclusão, cooperação de ganhos mútuos e colaboração multilateral. A publicação afirma que apenas assim o grupo poderia desempenhar papel construtivo na preservação da paz e na promoção do desenvolvimento, embora ressalte que “acordar alguém que finge estar dormindo não é tarefa fácil”.

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