Global Times: Participação de estrangeiros na celebração do Festival da Primavera amplia a presença global da China
Alta nas viagens internacionais, isenção de vistos e força cultural impulsionam o Ano Novo chinês como vitrine global em 2026
247 - O início do intenso fluxo de viagens do Festival da Primavera de 2026 revela uma mudança visível no perfil dos passageiros que cruzam a China neste período. Além dos milhões de chineses que retornam às suas cidades natais, cresce de forma expressiva a presença de visitantes estrangeiros interessados em vivenciar de perto as celebrações do Ano Novo chinês, que neste ciclo marca o Ano do Cavalo.
Segundo editorial do Global Times, dados recentes de plataformas de viagem indicam que o turismo receptivo durante o feriado está prestes a registrar um crescimento sem precedentes. Nas duas últimas semanas, as reservas de voos feitas por estrangeiros aumentaram mais de 400% em comparação com o mesmo período do ano anterior, com destaque para viajantes da Rússia, Argentina e de diversos países europeus.
Os números evidenciam uma tendência ampla. As reservas de turistas russos cresceram 471%, enquanto as da Argentina foram nove vezes maiores. Países como Holanda, Espanha e Reino Unido também registraram expansão superior a 200%. Esse movimento consolida a popularidade da chamada experiência de “celebrar o Festival da Primavera na China”, que se soma ao início simbólico do novo ano lunar e reforça a projeção cultural do país no cenário internacional.
O Festival da Primavera é tratado como uma das maiores expressões da cultura chinesa, reunindo valores universais como reencontro familiar, renovação e celebração coletiva. Desde que a festividade foi incluída na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), sua visibilidade global se intensificou. Rituais tradicionais como fogos de artifício, danças do dragão e do leão, preparo de bolinhos de massa e decorações artesanais ajudam a transmitir, de forma acessível, o significado do Ano Novo chinês a públicos de diferentes origens.
Eventos tradicionais em grandes centros urbanos vêm se consolidando como polos de atração para estrangeiros. O Festival das Lanternas do Jardim Yuyuan, em Xangai, as feiras de templos em Pequim, os mercados noturnos de fondue em Chengdu e os festivais de gelo e neve em Harbin despontam como destinos emblemáticos durante o período. A proposta não se limita à observação: os visitantes participam de forma imersiva das atividades, compartilhando o cotidiano festivo e a atmosfera vibrante das cidades.
A expansão desse interesse internacional também é impulsionada pela circulação de conteúdos digitais. Vídeos sobre a vida cotidiana na China ganharam alcance global em redes sociais, enquanto tendências como “Viagens pela China” atraem seguidores de diferentes países. Relatos de influenciadores estrangeiros ajudam a divulgar uma imagem mais direta do país, ampliando a curiosidade sobre sua cultura, história e modo de vida.
Paralelamente, o fortalecimento de marcas e iniciativas chinesas nos setores de tecnologia, indústria, cultura e consumo contribui para esse movimento. Empresas e produtos que ganharam projeção internacional despertam o interesse de estrangeiros que buscam compreender melhor o contexto social e econômico do país, encontrando no Festival da Primavera uma oportunidade privilegiada para essa aproximação.
Outro fator decisivo é a ampliação das políticas de facilitação de viagens. Em 2025, a China estendeu a isenção unilateral de vistos a 48 países e mantém acordos de isenção mútua com outros 29, tornando mais acessível a decisão de viajar ao país. Medidas complementares, como simplificação alfandegária, reembolso de impostos e ampliação de serviços digitais — incluindo pagamentos móveis, reservas online, transporte por aplicativo e suporte multilíngue — reduziram custos e barreiras para turistas internacionais.
O impacto desse fluxo se reflete diretamente na economia. O consumo de visitantes estrangeiros movimenta setores como hotelaria, alimentação, transporte e mercados culturais, gerando efeitos multiplicadores ao longo das cadeias produtivas. Especialistas apontam que o aumento do consumo externo também contribui para a estratégia de abertura econômica e para o fortalecimento da chamada dupla circulação, integrando mercados internos e externos.
Além do aspecto econômico, o fenômeno é interpretado como um espaço de diálogo entre civilizações. A presença crescente de estrangeiros em cidades menos conhecidas internacionalmente, como Lanzhou e Hohhot, indica uma busca por experiências culturais mais diversas e aprofundadas, que vão além dos destinos tradicionais.
Nesse contexto, o Festival da Primavera se afirma não apenas como uma celebração nacional, mas como um ponto de encontro cultural em escala global. Ao reunir pessoas de diferentes origens em torno de rituais, valores e práticas compartilhadas, a festividade projeta a China como um espaço de intercâmbio cultural, reforçando sua presença simbólica e social no mundo contemporâneo.



