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Julgamento de Maduro nos EUA provoca reação internacional e críticas nas redes sociais chinesas, diz Global Times

Jornal relata repercussão na mídia internacional e redes sociais, destacando que internautas chineses apontam interesses ligados ao petróleo

Cilia Flores e Nicolás Maduro conduzidos por policiais dos EUA (Foto: Adam Gray/Reuters)

247 - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, compareceram nesta segunda-feira (5) à primeira audiência de um julgamento em um tribunal federal de Manhattan, em Nova York. Na sessão inicial, ambos se declararam inocentes das acusações de tráfico de drogas e porte de armas atribuídas pela Justiça dos Estados Unidos, em um processo que rapidamente ganhou repercussão internacional e mobilizou a atenção da mídia e das redes sociais.

A cobertura do caso foi detalhada pelo jornal Global Times, que destacou não apenas os aspectos formais do julgamento, mas também a forte reação de internautas chineses, muitos dos quais questionam a legitimidade do processo e associam a iniciativa de Washington a interesses estratégicos relacionados às reservas de petróleo da Venezuela.

De acordo com informações reproduzidas por veículos como CNN, CBS News, BBC News e The Guardian, a acusação apresenta quatro crimes federais, incluindo conspiração para o chamado “narco-terrorismo”, conspiração para importação de cocaína e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos. Cada uma das acusações pode resultar em pena máxima de prisão perpétua. Maduro se declarou inocente de todas elas.

Durante a audiência, que ocorreu sem a presença de câmeras, Maduro entrou no tribunal vestindo uniforme prisional e com os pés algemados. Diante do juiz, afirmou: “Eu não sou culpado”. Em seguida, acrescentou: “Sou um homem decente, sou presidente do meu país”, conforme relatou a NBC News. Em outro momento, falando em espanhol, o presidente venezuelano declarou: “Sou um prisioneiro de guerra”, além de afirmar que foi “sequestrado” e “capturado” de sua residência em Caracas, segundo a mesma emissora.

Relatos do jornal britânico The Guardian indicam que, ao entrar no tribunal, Maduro estava algemado apenas nos tornozelos e olhou em direção ao júri. Antes de se sentar, dirigiu-se ao público presente com a saudação “Feliz ano novo!”. O jornal descreveu que ele usava chinelos laranja, camisa azul sobre outra de tom laranja fluorescente e calça bege, além de fazer anotações constantes em um bloco jurídico durante toda a sessão.

Segundo a revista Politico, o presidente venezuelano pediu ao juiz que suas anotações fossem preservadas e que tivesse acesso a elas posteriormente. A publicação destacou que Maduro manteve esse comportamento ao longo de toda a audiência.

A situação de Cilia Flores também chamou atenção da imprensa. De acordo com o The Guardian, ela apresentava grandes curativos na têmpora e na testa. Seu advogado, Mark Donnelly, afirmou que ela sofreu “ferimentos significativos durante seu sequestro” e que precisou passar por avaliação médica devido a “hematomas severos” nas costelas.

O local de detenção do casal foi outro ponto destacado pela mídia internacional. Segundo o The Guardian, Maduro e Flores foram levados ao tribunal sob forte esquema de segurança a partir do Metropolitan Detention Center, no Brooklyn, prisão conhecida por abrigar detentos de alto perfil. Entre ex-presos da unidade estão Ghislaine Maxwell, Joaquín “El Chapo” Guzmán e o ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, condenado por tráfico de drogas em 2024 e posteriormente perdoado pelo presidente dos EUA Donald Trump. 

Além da ampla cobertura jornalística, o julgamento provocou intensa reação nas redes sociais. Usuários questionaram a condução do processo e as motivações das autoridades norte-americanas. No TikTok, o internauta @Patrick Elis perguntou: “Por que ele deveria se declarar culpado?”. Outro usuário, identificado como @n.z.d8, comentou: “Tudo isso é por causa do petróleo”. Já no X, antigo Twitter, @Freddie escreveu que os Estados Unidos estariam “criando um reality show”.

Na China, comentários em plataformas como o Sina Weibo reforçaram o tom crítico. Um provérbio chinês foi amplamente citado nas discussões: “Quem quer condenar nunca fica sem pretextos”, comentário que acumulou centenas de curtidas. Outros internautas classificaram a ação norte-americana como “a lei da selva em ação”, na qual “os fortes se aproveitam dos fracos”, enquanto alguns descreveram o episódio como um “sequestro”.Ainda segundo o Global Times, diversos comentários sustentam que, independentemente das acusações apresentadas, “não cabe aos Estados Unidos julgar” o presidente venezuelano e sua esposa. 

Outros internautas afirmaram que as ações de Washington seriam “incompreensíveis” e que estariam “revestidas por uma aparência de legalidade”. Para muitos, a leitura predominante é a de que o processo estaria diretamente ligado ao interesse estratégico dos Estados Unidos nas reservas de petróleo da Venezuela, percepção que segue alimentando o debate internacional em torno do caso.

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