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Sachs vê futuro promissor para a China e destaca inovação como motor do desenvolvimento

Economista afirma que polos inovadores chineses impulsionam a economia mundial e reforçam o otimismo para os próximos anos

Sachs vê futuro promissor para a China e destaca inovação como motor do desenvolvimento (Foto: .REUTERS/Max Rossi)

247 – O economista e professor norte-americano Jeffrey Sachs afirmou que o desenvolvimento da China “permanecerá muito positivo” porque o país escolheu a rota da inovação. A declaração foi dada em entrevista ao jornal Global Times, à margem do Fórum de Desenvolvimento da China de 2026, realizado em Pequim entre os dias 22 e 23 de março.

Segundo o Global Times, Sachs participou das discussões paralelas ao encontro e ressaltou que a estratégia chinesa baseada em inovação, tecnologia e planejamento de longo prazo fortalece não apenas a economia do país, mas também amplia sua contribuição para o crescimento global e para o desenvolvimento de outras economias emergentes.

Inovação chinesa sustenta visão otimista

Ao comentar os fatores que embasam sua avaliação positiva sobre o futuro da China, Sachs destacou a força dos polos de inovação do país. Em sua análise, esses aglomerados tecnológicos são decisivos para compreender a atual etapa do desenvolvimento chinês e seu papel crescente na economia internacional.

"O desenvolvimento da China permanecerá muito positivo porque a China adotou o caminho da inovação", afirmou Sachs ao Global Times no domingo, durante o evento em Pequim.

O economista enfatizou especialmente a região formada por Shenzhen, Hong Kong e Guangzhou, apontando-a como um dos centros mais dinâmicos do planeta em matéria de inovação. Para ele, a concentração de conhecimento, investimentos, capacidade industrial e desenvolvimento tecnológico nesses territórios ajuda a explicar o desempenho chinês em setores estratégicos.

"O principal polo é Shenzhen, Hong Kong e Guangzhou. Esse é um polo muito importante. Três dos seis principais polos de inovação do mundo estão na China, além de Pequim e Xangai", disse.

A observação de Sachs reforça a percepção de que a China consolidou um ecossistema de inovação distribuído entre alguns de seus principais centros urbanos, combinando pesquisa, produção avançada, infraestrutura e políticas públicas voltadas à modernização econômica. Ao citar também Pequim e Xangai, o acadêmico sublinhou que a presença chinesa entre os principais polos tecnológicos do planeta não é episódica, mas estrutural.

Impacto global da China sobre economia, energia e tecnologia

Na entrevista, Sachs também relacionou o avanço inovador da China aos seus efeitos diretos sobre a economia mundial. Em sua visão, o peso dos polos chineses não se limita ao crescimento doméstico, mas produz um impulso relevante para o sistema econômico global, ampliando as razões para uma leitura otimista dos próximos anos.

"Isso dá à China um impulso extraordinário e uma tremenda contribuição para a economia mundial. E essa é mais uma razão para estarmos otimistas com os próximos anos", declarou.

A fala aponta para um entendimento mais amplo sobre o lugar da China no cenário internacional. O país não aparece apenas como uma potência manufatureira ou comercial, mas como um centro gerador de tecnologia, investimentos e soluções de desenvolvimento. Essa leitura ganha ainda mais relevância em um contexto global marcado por disputas estratégicas, reorganização de cadeias produtivas e pressão por crescimento sustentável.

Sachs também enfatizou o papel chinês no apoio a outras economias emergentes, especialmente em duas frentes decisivas: a transição energética e a digitalização. Para ele, a cooperação promovida pela China nessas áreas tende a gerar benefícios compartilhados e a fortalecer a resiliência econômica de países em desenvolvimento.

"O apoio da China a outras economias emergentes para tornar seus sistemas energéticos mais limpos e mais resilientes, além de adotar tecnologias digitais avançadas, é muito forte. E isso trará benefícios mútuos para a China e para as economias emergentes do mundo", afirmou.

A declaração sugere que a expansão da capacidade tecnológica chinesa pode se traduzir em parcerias estratégicas com o Sul Global, tanto na modernização das matrizes energéticas quanto na adoção de tecnologias digitais avançadas. Trata-se de um ponto central em um momento no qual muitos países buscam acelerar sua industrialização, reduzir vulnerabilidades externas e ampliar a competitividade em setores de ponta.

Fórum debate desenvolvimento de alta qualidade no período do 15º Plano Quinquenal

As declarações de Sachs ocorreram durante o Fórum de Desenvolvimento da China de 2026, encontro anual que, segundo os organizadores, reúne representantes de grandes organizações internacionais, corporações multinacionais e instituições de pesquisa de destaque, além de estudiosos de renome mundial.

Neste ano, o evento foi realizado sob o tema “China em seu período do 15º Plano Quinquenal: promovendo o desenvolvimento de alta qualidade e criando novas oportunidades em conjunto”.

A formulação sintetiza a aposta chinesa em desenvolvimento de alta qualidade, aprofundamento da modernização econômica e criação de novas oportunidades em cooperação com o restante do mundo.

De acordo com os organizadores do fórum, mais de 100 representantes de importantes organizações internacionais, empresas multinacionais globais e instituições de pesquisa de referência participam do encontro. O objetivo é debater os rumos da economia chinesa no período do 15º Plano Quinquenal e suas implicações para a economia internacional.

Planejamento de longo prazo reforça centralidade da China

O pano de fundo das falas de Sachs é justamente a nova etapa do planejamento estratégico chinês. Ao vincular inovação, transição energética, digitalização e cooperação internacional, o economista norte-americano indicou que a China chega a esse novo ciclo com fundamentos robustos e com capacidade de seguir ampliando sua influência econômica global.

Em um momento em que parte do Ocidente enfrenta estagnação, tensões geopolíticas e dificuldades para articular políticas industriais de longo prazo, a avaliação de Sachs chama atenção por destacar a consistência da trajetória chinesa. Em vez de associar o crescimento do país apenas à escala de sua produção, ele aponta a inovação como eixo central da continuidade desse processo.

Ao ressaltar os polos de Shenzhen, Hong Kong, Guangzhou, Pequim e Xangai, Sachs sugere que a China consolidou bases tecnológicas capazes de sustentar o avanço de setores estratégicos e de irradiar efeitos positivos para além de suas fronteiras. Sua leitura, apresentada em um dos mais importantes fóruns econômicos do país, reforça a percepção de que a China segue ocupando posição decisiva na reorganização da economia mundial.

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