Três anos sem Rita Lee, a eterna “ovelha negra” da música brasileira
Cantora, compositora e símbolo de liberdade artística, Rita Lee morreu em 8 de maio de 2023 e deixou um legado revolucionário para a cultura brasileira
247 – O Brasil relembra nesta sexta-feira (8) os três anos da morte de Rita Lee, uma das maiores artistas da história da música brasileira e figura central da contracultura nacional. Rita morreu em 8 de maio de 2023, aos 75 anos, em São Paulo, após enfrentar um câncer de pulmão diagnosticado em 2021.
Dona de uma personalidade irreverente, de letras provocadoras e de uma trajetória marcada pela liberdade criativa, Rita Lee consolidou-se como um dos nomes mais influentes da cultura brasileira. Chamada por ela mesma de “ovelha negra”, em referência a uma de suas canções mais emblemáticas, Rita atravessou gerações rompendo padrões, enfrentando conservadorismos e reinventando a música popular brasileira.
Integrante original dos Mutantes, banda criada nos anos 1960 ao lado de Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, Rita foi uma das protagonistas do movimento tropicalista. Misturando rock psicodélico, experimentalismo, guitarras distorcidas e referências da música brasileira, os Mutantes desafiaram convenções e ajudaram a transformar o cenário cultural do país durante a ditadura militar.
Ao longo da carreira solo, Rita Lee ampliou ainda mais seu impacto artístico e popular. Combinando humor, sensualidade, crítica social e uma estética libertária, ela construiu uma obra marcada por sucessos que se tornaram clássicos da música brasileira, como “Lança perfume”, “Mania de você”, “Doce vampiro”, “Agora só falta você”, “Baila comigo” e “Ovelha negra”.
Seu trabalho também ajudou a abrir espaço para mulheres no rock nacional, em um ambiente historicamente dominado por homens. Rita transformou-se em referência de independência feminina, irreverência e contestação social. Ao lado do músico Roberto de Carvalho, seu parceiro artístico e companheiro de vida, criou algumas das músicas mais populares da história recente da MPB.
Em sua autobiografia, lançada em 2016, Rita revisitou episódios de sua vida pessoal e profissional com a mesma sinceridade ácida que marcou suas entrevistas e canções. O livro tornou-se um fenômeno editorial e reforçou a conexão da artista com o público brasileiro.
Mesmo após sua retirada dos palcos, em 2012, Rita Lee permaneceu como uma presença constante na cultura nacional. Suas músicas seguiram influenciando artistas de diferentes gerações, enquanto sua postura libertária e anticonvencional continuou inspirando debates sobre comportamento, feminismo, liberdade de expressão e criatividade artística.
Quando sua morte foi anunciada, artistas, intelectuais, políticos e milhões de fãs prestaram homenagens à cantora. O presidente Lula lamentou a perda e destacou Rita como uma das maiores representantes da cultura brasileira. Nas redes sociais, multiplicaram-se mensagens lembrando não apenas a artista, mas também a mulher que transformou irreverência em linguagem política e estética.
Rita Lee deixou três filhos — Beto, João e Antônio —, além de um legado artístico considerado insubstituível. Seu velório, realizado no Planetário do Parque Ibirapuera, reuniu milhares de admiradores em uma despedida marcada por emoção, música e celebração de sua trajetória.
Três anos depois de sua partida, Rita segue viva na memória coletiva do país. Sua voz, suas letras e sua atitude continuam ecoando como símbolo de liberdade em uma sociedade frequentemente marcada pelo conservadorismo e pela intolerância. Mais do que cantora, Rita Lee tornou-se uma entidade cultural brasileira — uma artista que jamais aceitou caber em moldes e que fez da diferença sua maior força.


