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Brasil precisa construir poder militar de dissuasão, diz Paulo Nogueira Batista Jr.

Economista afirma que país segue “desarmado” e defende estratégia para elevar o custo de qualquer agressão externa

Paulo Nogueira Batista Júnior (Foto: Reprodução Youtube)

247 – O economista Paulo Nogueira Batista Jr. defendeu que o Brasil precisa construir um poder militar de dissuasão diante do que descreve como um cenário internacional “muito preocupante” e de risco crescente para o país e para outras nações. Autor do livro O Brasil não cabe no quintal de ninguém, ele argumenta que o tema se tornou ainda mais atual nos últimos anos.  A avaliação foi feita em um vídeo publicado no YouTube, no qual Batista Jr. sustenta que o Brasil mantém vulnerabilidades militares importantes e não teria adotado, nas últimas décadas, uma política de defesa capaz de protegê-lo de agressões externas.

Logo no início do vídeo, o economista enquadra a conjuntura como excepcionalmente perigosa e relaciona o cenário ao que chama de escalada do risco representado pela política externa dos Estados Unidos. “A situação internacional é muito preocupante. Nunca vi na minha vida inteira uma situação tão arriscada para o Brasil e vários outros países”, afirmou.

Em seguida, ele endurece o tom ao descrever Washington como uma ameaça central: “Nós temos uma superpotência efetivamente delinquente e que se comporta de maneira delinquente, não respeita regras, não respeita tratados, não respeita o direito internacional e usa a força militar”, disse.

Venezuela e a lógica do “protetorado”

Batista Jr. também conecta sua tese à crise regional e ao lugar estratégico da Venezuela. Ele afirma que os Estados Unidos estariam tentando impor uma tutela neocolonial para acessar recursos venezuelanos, especialmente petróleo. “Está tentando estabelecer em relação a Venezuela uma tutela neocolonial através da qual ela extrairia os recursos naturais da Venezuela, notadamente petróleo, para benefício dos Estados Unidos”, declarou.

Na sequência, ele reforça a ideia de subordinação: “Fundamentalmente querem estabelecer uma uma transformar a Venezuela numa espécie de protetorado dos Estados Unidos.”

Para o economista, isso é “altamente relevante” para o Brasil por dois motivos: a proximidade geográfica e a condição defensiva do país. “Não só porque a Venezuela é nossa vizinha, mas também porque o Brasil tem vulnerabilidades militares muito importantes”, afirmou.

“O Brasil país desarmado”

Ao retomar o argumento do seu livro, Batista Jr. sustenta que o diagnóstico de insuficiência militar persiste. “Isso era verdade há 10, 15, 20 anos continua verdadeiro. O Brasil não tomou providências eficazes para ter uma política de defesa bem construída que proteja o Brasil contra agressões externas”, declarou.

Ele procura afastar a ideia de ameaça regional e afirma que a lógica de defesa, na sua visão, não deve mirar países vizinhos. “O problema nosso não é com os vizinhos”, disse, para então apontar o alvo principal do seu alerta: “O nosso problema é com a superpotência delinquente dos Estados Unidos da América.”

A noção de “dissuasão” citada por Batista Jr. remete à capacidade de afastar um agressor sem combate, elevando o custo esperado de uma ofensiva — um conceito amplamente usado em debates de estratégia e documentos de defesa. 

Dissuasão não é “vencer uma superpotência”

No trecho final do vídeo, o economista tenta delimitar o que entende por poder dissuasório e rejeita qualquer leitura de confronto direto como objetivo. “Não se trata de preparar o Brasil para uma algo impossível, que seria uma vitória militar sobre uma superpotência”, afirmou.

A proposta, segundo ele, seria criar credibilidade para impor perdas ao atacante: “Basta saber indicar com credibilidade que um ataque ao Brasil exigiria perdas importantes para o atacante, para o país agressor. Isso se chama poder de dissuasão.”

Batista Jr. encerra com a síntese do argumento: “Esse poder de dissuasão que o Brasil precisa construir.”

Desafios estruturais e pressão orçamentária

O debate sobre defesa no Brasil costuma esbarrar em limitações recorrentes de financiamento, continuidade de projetos e prioridades institucionais, com análises acadêmicas apontando obstáculos orçamentários e dificuldades de execução de objetivos estratégicos ao longo do tempo. 

Ainda assim, ao defender uma política de dissuasão, Batista Jr. reposiciona o tema como uma agenda de soberania: não para buscar superioridade militar, mas para reduzir vulnerabilidades e elevar o custo de qualquer tentativa de coerção externa — sobretudo em um ambiente geopolítico que ele descreve como mais agressivo e instável.

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