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Lula deve discutir acordo Mercosul-Japão no G7

Lula deve discutir acordo Mercosul-Japão em encontro com Sanae Takaichi durante cúpula do G7, no Canadá

Bandeiras do Brasil, Japão e Mercosul (Foto: Gerada por IA)
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247 - O presidente Lula (PT) deve se reunir com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, à margem da próxima cúpula do G7, em um encontro que deve incluir na pauta o possível início de negociações para um acordo entre o Mercosul e o país asiático. A aproximação também pode envolver conversas sobre a venda de petróleo brasileiro ao Japão, em meio ao esforço do governo brasileiro para ampliar sua presença nas principais discussões econômicas e diplomáticas globais, relata a Folha de São Paulo.

Integrantes do Itamaraty afirmaram que há disposição do lado japonês para avançar no debate sobre uma eventual negociação com o bloco sul-americano. A Embaixada do Japão em Brasília declarou que avalia diferentes posições sobre o tema e afirmou que vai “continuar considerando como fortalecer a relação com o Mercosul enquanto leva em consideração esses pontos de vista”.

O encontro será o primeiro entre Lula e Sanae Takaichi, que foi eleita em outubro do ano passado e se tornou a primeira mulher a chefiar o governo japonês. A última reunião do presidente brasileiro com uma autoridade do Japão ocorreu em março de 2025, durante visita de Estado a Tóquio, quando Lula se encontrou com o então primeiro-ministro Shigeru Ishiba.

Além da pauta comercial com o Mercosul, a venda de petróleo brasileiro ao Japão também deve ser discutida pelos dois líderes. O tema já havia sido tratado em maio, em reunião que contou com o chanceler Mauro Vieira, ao menos um executivo da Petrobras e o ministro da Economia, Comércio e Indústria de Tóquio, Ryosei Akazawa.

A participação de Lula no G7 será a décima do presidente brasileiro no encontro que reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Itália, Japão, Reino Unido e França. Desde seu retorno à Presidência, Lula foi convidado para todas as edições realizadas entre 2023 e 2026, em um movimento interpretado pelo governo como parte da tentativa de recolocar o Brasil no centro das discussões internacionais.

Nos bastidores da cúpula, Lula também deve se reunir com o presidente da França, Emmanuel Macron. O governo brasileiro ainda tenta viabilizar uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à preocupação com novas tarifas contra produtos brasileiros.

Na eventual reunião com Trump, Lula deve buscar impedir a aplicação de medidas tarifárias anunciadas em maio pelo governo norte-americano. Uma delas, de 12,5%, poderia ser adotada sob a alegação de suposta prática comercial desleal. A outra, de 25%, estaria relacionada à acusação de suposto trabalho forçado.

Outro tema que pode entrar na pauta com Washington é a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. A medida é acompanhada com atenção pelo governo brasileiro, diante de seus possíveis impactos políticos e diplomáticos.

A presença de Lula na cúpula também faz parte da estratégia de projetar o Brasil como defensor do multilateralismo. Essa linha tem sido defendida pelo governo em articulação com outros países afetados por tarifas norte-americanas, como a China.

A participação em fóruns internacionais de alto nível também reforça a tentativa do governo de associar a política externa brasileira à defesa da soberania nacional. Essa agenda ganhou força depois do tarifaço imposto por Trump em 2025 e passou a ocupar espaço central na atuação internacional do presidente.

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