HOME > Meio Ambiente

Transição energética exige múltiplas soluções, diz ministro

Biocombustíveis aparecem como alternativa viável e escalável

Ministro Capobianco no Diálogo Climático de Petersberg, em Berlim (Foto: Felipe Werneck/Presidência da COP30)

247 - O debate sobre caminhos para reduzir emissões de gases de efeito estufa ganhou destaque em encontro internacional, onde o Brasil defendeu estratégias adaptadas à realidade de cada país. A discussão reforça a necessidade de combinar diferentes tecnologias para avançar na agenda climática global.

De acordo com informações apresentadas durante o Diálogo Climático de Petersberg, em Berlim, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou que a transição energética não depende de uma única solução, mas de um conjunto de alternativas.

Biocombustíveis ganham protagonismo

O ministro afirmou que a eletrificação deve avançar, mas ressaltou o papel de soluções mais acessíveis no curto prazo. “Em muitos casos, as soluções híbridas com biocombustíveis podem alcançar reduções de emissões a um custo menor por tonelada em curto prazo, permitindo que os governos maximizem o impacto climático positivo com recursos públicos limitados”, disse.

Ele também destacou que essa abordagem atende especialmente países em desenvolvimento. “Isso é particularmente relevante para os países em desenvolvimento, onde o espaço fiscal é restrito e as necessidades de investimento são altas em diversos setores.”

Exemplo no transporte público

Capobianco citou o caso da mobilidade urbana para ilustrar os desafios. “Se convertêssemos frotas inteiras de ônibus para sistemas totalmente elétricos em curto prazo, isso imporia custos muito altos aos orçamentos públicos, potencialmente retardando a implantação e limitando o acesso à mobilidade limpa”, afirmou.

Ele defendeu alternativas mais imediatas. “Por outro lado, os ônibus híbridos movidos a biocombustíveis sustentáveis, como etanol de cana-de-açúcar ou biodiesel, podem proporcionar reduções substanciais de emissões imediatamente, a um custo significativamente menor e utilizando a infraestrutura existente.”

Segundo o ministro, essa escolha envolve critérios técnicos e econômicos. “Do ponto de vista da mitigação, isso se traduz em uma métrica muito importante: o custo por tonelada de CO₂ evitada.”

Brasil reforça liderança em energias renováveis

Durante agenda na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também destacou o papel do país no setor. “Com conhecimento acumulado ao longo de cinco décadas, o Brasil é capaz de produzir etanol e biodiesel sem comprometer a produção de alimentos e as áreas de floresta”, afirmou.

O presidente defendeu a urgência na substituição de combustíveis fósseis. “Dispomos de matriz elétrica 90% limpa e temos potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo. Essa trajetória consistente em energias renováveis fortaleceu nossa segurança energética. O Brasil é um dos países menos afetados pela atual crise de oferta de petróleo. A transição energética é também um imperativo climático. Na COP30, em Belém, reafirmamos que o planeta não comporta mais o uso intensivo de combustíveis fósseis”, disse.

Fundo global para florestas

No mesmo encontro, o chanceler alemão Friedrich Merz declarou apoio ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). “Estou muito feliz que há dois dias pude reafirmar e concretizar meu apoio ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre com o presidente Lula”, afirmou.

Ele destacou o objetivo do mecanismo. “Este novo fundo baseado em investimentos foi desenhado para fornecer aos países apoio de longo prazo para a preservação das florestas tropicais. Todos sabemos que elas são ecossistemas essenciais para manter o equilíbrio climático no mundo.”

Preparação para a COP31

O Diálogo Climático de Petersberg reúne anualmente lideranças internacionais para preparar as negociações climáticas globais. A próxima conferência, a COP31, ocorrerá entre 9 e 20 de novembro de 2026, em Antália, na Turquia, com copresidência do país europeu e da Austrália.

O encontro reforçou a importância de estratégias integradas para acelerar a redução de emissões e ampliar o acesso a soluções sustentáveis em escala global.

Artigos Relacionados