Embaixada do Irã rebate Estadão e fala em "padrão duplo e muito injusto"
Embaixador Ghadirli classificou editorial como "declaração partidária" e questionou se "questões financeiras" influenciaram o jornal
247 - A Embaixada do Irã no Brasil divulgou nesta sexta-feira (3) uma crítica formal ao editorial publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo em 28 de fevereiro, intitulado "Ninguém vai chorar pelo Irã". As declarações do embaixador iraniano Abdollah Ghadirli foram veiculadas pela agência RT e representam uma resposta diplomática direta ao posicionamento editorial do Estadão sobre a guerra que os Estados Unidos e Israel travam contra o Irã.
O editorial do Estadão, publicado no mesmo dia em que os ataques americanos contra o Irã tiveram início, trazia o seguinte subtítulo: "O Irã é um Estado pária, que massacra seu povo, quer a bomba para destruir Israel e financia o terror contra o Ocidente. Se o ataque derrubar esse regime criminoso, o mundo agradecerá." O texto gerou repercussão internacional e motivou a manifestação oficial da representação diplomática iraniana em Brasília.
O embaixador Ghadirli foi direto ao apontar o que classifica como um desequilíbrio na cobertura jornalística do conflito. "Infelizmente, no mundo das comunicações, enfrentamos um padrão duplo e muito injusto", afirmou o diplomata. Para ele, o editorial vai além da opinião jornalística e representa um alinhamento explícito com uma das partes do conflito.
Ghadirli classificou o texto do Estadão como "uma espécie de declaração partidária, ou de grupo, ou relacionada a uma das partes agressoras contra o Irã". O embaixador também levantou dúvidas sobre as motivações por trás do posicionamento do jornal ao dizer que espera que "questões financeiras não tenham desempenhado um papel nisso" — uma insinuação que amplia o alcance da crítica ao questionar a independência editorial da publicação.
A manifestação da Embaixada iraniana ocorre em um momento de escalada do conflito no Oriente Médio, com o Irã enfrentando ataques militares simultâneos dos Estados Unidos e de Israel desde o final de fevereiro. A guerra provocou o fechamento do Estreito de Ormuz, disparada nos preços do petróleo e uma crise humanitária crescente, com milhares de mortos registrados desde o início das hostilidades.


