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Flávio Bolsonaro é quase dez vezes mais responsabilizado por tarifas dos EUA do que Lula

Dados de monitoramento digital apontam avanço da narrativa que associa senador às tarifas dos EUA e ampliam pressão sobre sua pré-campanha presidencial

Flávio Bolsonaro é quase dez vezes mais responsabilizado por tarifas dos EUA do que Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Reprodução/X-Flávio Bolsonaro)
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247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a enfrentar dificuldades em sua pré-campanha à Presidência da República após o avanço das discussões sobre a tarifa adicional de 25% proposta pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros e a repercussão envolvendo o Pix. Segundo reportagem publicada pelo Estadão, a narrativa que associa o parlamentar à medida adotada pelo governo norte-americano tem predominado nas redes sociais, ampliando o desgaste político do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Levantamento do Instituto Democracia em Xeque (DX), citado pelo jornal, indica que as menções responsabilizando Flávio Bolsonaro pela crise comercial superam amplamente aquelas que atribuem culpa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O cenário ganhou ainda mais força após declarações do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, sobre a possibilidade de negociação entre Brasil e Estados Unidos em torno do Pix.

De acordo com o relatório divulgado pelo instituto, a tentativa de vincular Lula à crise teve alcance significativamente menor nas plataformas digitais. Já a narrativa apelidada por setores da esquerda de “tariflávio” registrou centenas de milhares de publicações e milhões de interações, consolidando a associação entre o senador, a sobretaxa anunciada pelos EUA e o debate sobre o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Narrativa domina redes sociais

O estudo aponta que a direita bolsonarista havia conseguido ganhar espaço no debate público após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, tema que deslocou as discussões para a área da segurança pública.

Entretanto, o cenário mudou após a divulgação da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que resultou na proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A partir desse momento, as discussões migraram para a responsabilização política pelo chamado tarifaço.

Segundo o relatório, “o total de menções que atribuem culpa a Flávio pelas tarifas foi quase 10 vezes maior que as que responsabilizam Lula”. O documento acrescenta que a direita não conseguiu desvincular a imagem do senador da nova rodada de sobretaxas anunciadas pelos Estados Unidos.

Declaração de Eduardo amplia repercussão

A situação ganhou novos contornos após entrevista concedida por Eduardo Bolsonaro à TMC News. Questionado sobre o futuro do Pix diante das críticas do governo norte-americano ao sistema brasileiro, o parlamentar afirmou que havia solicitado ao governo dos Estados Unidos que adiasse eventuais medidas mais duras contra o Brasil até as eleições presidenciais.

Durante a entrevista, Eduardo declarou: “Agora, os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos EUA. Então dá para você ir a uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos. Dá para você sentar, dá para negociar.”

A fala gerou forte repercussão e foi interpretada por críticos como uma sugestão de flexibilização do sistema brasileiro de pagamentos para atender às exigências norte-americanas. O Pix foi citado pelo USTR entre os elementos utilizados para justificar a investigação comercial conduzida contra o Brasil.

Tentativa de esclarecimento

Diante da repercussão negativa, Eduardo Bolsonaro voltou ao tema no dia seguinte para explicar o que havia pretendido dizer. Segundo ele, a menção ao Zelle buscava justamente demonstrar que os Estados Unidos utilizam ferramentas semelhantes ao Pix.

“Eu citei o Zelle para dizer o seguinte: ‘americanos, calma aí, o que há de problema com o Pix quando vocês têm plataformas semelhantes sendo usadas nos EUA?’ Esse é um bom argumento pra você botar na mesa”, afirmou.

Nos bastidores, porém, integrantes do Partido Liberal demonstraram preocupação com o impacto político da declaração. De acordo com a reportagem do Estadão, pessoas ligadas ao partido avaliaram que o episódio pode gerar desgaste adicional caso não seja devidamente esclarecido junto ao eleitorado.

Flávio busca defender o Pix

O senador já vinha tentando se desvincular das críticas relacionadas ao tarifaço desde que se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atual presidente norte-americano. O encontro ganhou ampla repercussão após Trump publicar uma fotografia ao lado de Flávio e fazer elogios ao parlamentar.

Pouco depois da entrevista de Eduardo Bolsonaro, Flávio saiu em defesa do Pix durante conversa com o jornal O Tempo. O senador procurou associar a criação do sistema ao governo de Jair Bolsonaro e destacou sua importância para o país.

“O Pix é do Brasil e o Pix é do Bolsonaro. Ele foi criado em 2020, foi uma grande inovação que o Banco Central já vinha trabalhando, mas o presidente Bolsonaro veio e foi uma forma que ele encontrou de colocar aquela coisa de ‘menos Brasília, mais Brasil’ em prática”, declarou.

Enquanto isso, a estratégia do PT tem sido reforçar a associação entre o senador e a crise comercial. Segundo o Estadão, a orientação para militantes é utilizar o termo “tariflávio” nas redes sociais e resgatar campanhas anteriores em defesa do Pix e da soberania nacional, buscando consolidar a narrativa que hoje domina o debate digital sobre o tema.

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