Globo vira alvo do MPF por pronúncia de "recorde" e pode pagar R$ 10 milhões
Ação do MPF em Minas acusa emissora de erro de prosódia e pede retratação nacional urgente em telejornais e programas esportivos
247 - A TV Globo se tornou alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF-MG) por causa da forma como a emissora pronuncia a palavra “recorde” em seus telejornais e programas esportivos. O processo pede que a empresa seja condenada ao pagamento de R$ 10 milhões e também exige uma retratação em rede nacional, informa o portal F5.
A ação foi protocolada pelo procurador da República Cléber Eustáquio Neves. O MPF mineiro confirmou a existência do processo, mas não detalhou o andamento ou o conteúdo completo da iniciativa. Procurado pelo F5 desde a semana passada, o procurador não respondeu. Já a Globo afirmou que não comenta casos que ainda estão em análise na Justiça.
No documento encaminhado ao Judiciário, Neves afirma que a Globo, por meio de seus repórteres e apresentadores, teria adotado uma pronúncia incorreta da palavra “recorde”, disseminando o que classifica como um erro de prosódia. Segundo ele, a prática estaria provocando um “efeito manada”, levando parte da população a repetir a pronúncia considerada errada.
“A palavra ‘recorde’ é paroxítona, com a sílaba tônica em cor: reCORde. Portanto, não leva acento gráfico e não deve ser pronunciada como proparoxítona. Leia-se RÉ-cor-de”, afirma o procurador na petição inicial.
Para sustentar a acusação, o procurador anexou vídeos com exemplos retirados de programas como o Jornal Nacional, o Globo Esporte e o Globo Rural. Entre os registros, ele destaca uma gravação em que questiona a forma como o jornalista César Tralli, um dos principais apresentadores do canal, pronuncia a palavra durante o telejornal.
Na argumentação apresentada ao Judiciário, Neves sustenta que a Globo tem papel central na comunicação pública e, por operar uma concessão nacional, deveria manter rigor no uso da norma culta da língua portuguesa. “A Globo atua como um braço do Estado na difusão de informações, portanto, a utilização da norma culta da língua portuguesa não é uma opção estética, mas um modelo de qualidade e eficiência administrativa”, diz.
O procurador também afirma que a repetição do suposto erro linguístico representaria violação ao direito coletivo de acesso a conteúdo educativo e informativo. “Quando uma concessionária de alcance nacional propaga, de forma reiterada e sistemática, um erro de pronúncia, conhecido por erro de prosódia, ela viola o direito difuso da sociedade a ter acesso a uma programação com finalidade educativa e informativa”, afirma Neves.
Além da condenação financeira, o MPF-MG solicita que a Globo faça uma retificação pública em rede nacional, corrigindo a pronúncia de “recorde” em telejornais e programas esportivos. O procurador também pede uma liminar em caráter de urgência para que a correção seja aplicada o mais rápido possível.
No pedido de indenização, Neves argumenta que a emissora deve ser responsabilizada por uma suposta “lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa”, motivo pelo qual solicita a multa de R$ 10 milhões.
De acordo com a coluna, a Globo foi notificada antes do Carnaval e ainda não apresentou sua defesa formal no processo, o que deve ocorrer nos próximos dias, conforme o andamento judicial.

