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Netanyahu perde apoio após agredir o Irã e Haaretz afirma que Israel não suporta uma guerra longa

Editorial alerta para falta de plano de reconstrução e de evacuação e cobra metas limitadas para evitar novo abandono do “front interno”

Benjamin Netanyahu em Jerusalém 5/1/2026 REUTERS/Ronen Zvulun (Foto: Ronen Zvulun)

247 – A nova ofensiva militar de Israel contra o Irã abriu uma frente de tensão externa e, ao mesmo tempo, intensificou o desgaste político interno do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, diante do temor de uma guerra longa e dos riscos impostos à população civil. As críticas foram explicitadas em um editorial do jornal Haaretz, que reconhece a gravidade da ameaça iraniana, mas adverte que Israel não pode sustentar uma campanha prolongada nem repetir o abandono do “front interno”.

Segundo o Haaretz, no sábado (1º), o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciou que Israel lançou um ataque ao Irã em coordenação com os Estados Unidos. Em seguida, o Comando da Frente Interna decretou estado de emergência em todo o país e determinou o fechamento do espaço aéreo. A participação dos EUA como “parceiro pleno”, afirma o editorial, amplia a vantagem estratégica israelense, mas não elimina as perguntas essenciais sobre preparo, objetivos e limites do conflito.

O alerta do Haaretz e o peso de uma “guerra de escolha”

O editorial sustenta que “eliminar a ameaça representada pelo Irã” pode ser um objetivo legítimo, ao descrever Teerã como um regime que ameaça outros países com aniquilação, avança em infraestrutura nuclear e em mísseis balísticos e reprime violentamente protestos internos. Ainda assim, o jornal insiste que reconhecer o risco iraniano não torna dispensável a discussão sobre as condições reais de uma guerra prolongada.

O ponto central é que a nova ofensiva, chamada no texto de Operação Lion’s Roar, teria sido iniciada apenas oito meses depois de Netanyahu ter declarado “vitória” na Operação Rising Lion. Para o Haaretz, isso torna a decisão ainda mais sensível porque os danos do confronto anterior não foram plenamente reparados e a sociedade ainda não teria se recuperado.

Reconstrução incompleta e população exposta

O Haaretz afirma que uma reportagem do próprio jornal constatou que centenas de pessoas ainda não haviam retornado para suas casas em cidades atingidas na guerra anterior com o Irã. O texto acrescenta que dezenas de edifícios destruídos ou gravemente danificados não foram reconstruídos ou adequados para habitação.

O editorial também menciona um alerta do controlador do Estado, Matanyahu Englman, sobre falhas na proteção do “front interno”. Mesmo assim, diz o Haaretz, a população não teria recebido um plano organizado de reconstrução nem um plano geral de evacuação para uma campanha longa. A crítica é direta: Israel estaria indo à guerra com centenas de milhares de civis ainda sem proteção apropriada.

“Vitória total” no discurso público e incerteza sobre o custo humano

O editorial descreve um clima de mobilização e apelos por “vitória total”, pela derrubada do regime iraniano e pela eliminação dos programas nuclear e de mísseis. Mas enfatiza que ninguém pode prever o custo humano da operação.

O Haaretz levanta perguntas que expõem o temor de uma escalada sem controle: a frente norte será reaberta? Quantos mísseis vão atravessar as defesas? Quantos civis serão feridos? Quantos prédios serão destruídos? Quantas famílias ficarão desabrigadas novamente?

Reservistas, desigualdade e crise moral do recrutamento

Outro trecho do editorial aponta que a grande convocação de reservistas reacende o debate sobre a desigualdade do ônus da guerra. O Haaretz afirma que o serviço militar ainda não se aplica a “todo o público” e chama esse quadro de “desgraça moral”.

O jornal critica a presença de partidos ultraortodoxos no governo, acusados de agir para que seus eleitores evitem o serviço militar, e responsabiliza a liderança política por sustentar esse desequilíbrio enquanto pede confiança irrestrita da população em decisões de guerra.

Metas limitadas, tempo limitado e prioridade à vida civil

Na conclusão, o Haaretz afirma que, para atingir os objetivos declarados — eliminar a ameaça e aumentar a segurança — o ataque deve ser acompanhado de uma política responsável, limitada no tempo e nos objetivos. O editorial adverte contra o risco de Israel ser arrastado para uma guerra prolongada e defende cautela para não causar danos desnecessários a civis, incluindo no Irã, onde vivem milhões de pessoas inocentes.

Acima de tudo, o jornal cobra que o governo não repita o que classifica como erro estratégico e moral: abandonar novamente o “front interno”, deixando a população exposta enquanto o conflito se prolonga sem um plano claro de proteção, evacuação e reconstrução.

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