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Agressão de Trump e Netanyahu contra o Irã provoca caos aéreo e afeta dezenas de milhares de passageiros

Imperialismo de Israel e Estados Unidos afetou negativamente a vida de passageiros de várias companhias aéreas

Caos aéreo no Oriente Médio (Foto: Reuters)

247 – A ofensiva militar dos Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump, e de Israel, liderado por Benjamin Netanyahu, contra o Irã mergulhou a aviação internacional em um dos maiores episódios de desorganização dos últimos anos, com milhares de voos cancelados, hubs estratégicos fechados e dezenas de milhares de passageiros retidos em aeroportos ao redor do mundo.

As informações são da agência Reuters, que relata que os ataques norte-americanos e israelenses teriam matado o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, desencadeando uma escalada militar que resultou no fechamento ou restrição severa dos principais aeroportos de conexão do Golfo Pérsico.

Segundo a reportagem, Dubai, Abu Dhabi e Doha – três dos mais importantes centros de conexão aérea entre Europa e Ásia – permaneceram fechados ou operando com fortes restrições pelo segundo dia consecutivo. Grande parte do espaço aéreo da região continuava bloqueada no domingo, afetando rotas internacionais e provocando um efeito dominó na malha aérea global.

Israel afirmou ter lançado uma nova onda de ataques contra o Irã no domingo, enquanto explosões foram ouvidas pelo segundo dia perto de Dubai e sobre Doha, após o Irã realizar ataques aéreos de retaliação contra Estados vizinhos do Golfo.

Hubs estratégicos fechados e espaço aéreo esvaziado

De acordo com mapas divulgados pela Flightradar24 e citados pela Reuters, o espaço aéreo sobre Irã, Iraque, Kuwait, Israel, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Catar permaneceu praticamente vazio. A plataforma informou ainda que um novo boletim para pilotos estendeu o fechamento do espaço aéreo iraniano até pelo menos 08h30 GMT de 3 de março, embora fontes do setor afirmem que não há clareza sobre quanto tempo o bloqueio poderá durar.

A Reuters relata que o Aeroporto Internacional de Dubai sofreu danos durante os ataques iranianos, e que aeroportos em Abu Dhabi e no Kuwait também foram atingidos. O fechamento simultâneo desses grandes hubs de trânsito, responsáveis por conectar voos de longa distância entre Europa, Ásia e América do Norte, é descrito por analistas como um evento sem precedentes na região.

Dados da plataforma FlightAware indicam que milhares de voos foram afetados em todo o Oriente Médio. Segundo a empresa de análise Cirium, cerca de 4 mil voos estavam programados para aterrissar na região no domingo. A autoridade de aviação civil dos Emirados Árabes Unidos informou ter auxiliado aproximadamente 20.200 viajantes apenas no sábado.

Companhias suspendem operações e ampliam cancelamentos

A Emirates, considerada a maior companhia aérea internacional do mundo, anunciou a suspensão de todas as operações de e para seu megahub em Dubai até segunda-feira. A Qatar Airways também suspendeu todas as operações e prometeu divulgar nova atualização na segunda.

Na Europa, a Lufthansa prorrogou a suspensão de voos para a região até 8 de março, segundo a Reuters. Companhias aéreas de diferentes continentes passaram a cancelar ou redirecionar voos para evitar áreas de risco, o que prolonga o tempo de viagem e eleva os custos operacionais.

O diretor de comunicações da Flightradar24, Ian Petchenik, alertou para o risco de prolongamento da crise. “O risco de uma disrupção prolongada é a principal preocupação do ponto de vista da aviação comercial”, afirmou. Ele acrescentou: “Qualquer escalada no conflito entre Paquistão e Afeganistão que resulte no fechamento do espaço aéreo teria consequências drásticas para as viagens entre Europa e Ásia”.

Passageiros retidos do Sudeste Asiático à Europa

O impacto foi sentido muito além do Oriente Médio. A Reuters relata que dezenas de milhares de passageiros ficaram retidos em aeroportos como os de Bali, Kathmandu, Dhaka e Frankfurt.

Na Alemanha, a passageira Lara Haenseler, que tentava embarcar rumo à Austrália, relatou dificuldades para reorganizar sua viagem após o cancelamento do voo para Dubai. “A linha telefônica está completamente sobrecarregada. Não conseguimos falar com ninguém”, disse ela, segundo a agência.

Em Bali, longas filas se formaram no Aeroporto Internacional I Gusti Ngurah Rai, com viajantes aguardando atendimento das companhias aéreas. Cenas semelhantes ocorreram em Dhaka, em Bangladesh, onde passageiros aguardavam sentados sobre suas bagagens, e em Kathmandu, onde os painéis de embarque exibiam uma longa lista de voos cancelados.

Petróleo em alta e risco de prolongamento da crise

A crise também elevou as preocupações econômicas. A Reuters aponta que o petróleo Brent subiu 10%, alcançando US$ 80 o barril no domingo, com analistas prevendo que poderia atingir US$ 100. O aumento impacta diretamente os custos das companhias aéreas, especialmente em um momento em que rotas precisam ser alongadas para contornar áreas de conflito.

O consultor de aviação Bertrand Grabowski resumiu o impacto energético da crise ao afirmar: “Para todos, o principal impacto virá por meio dos preços do petróleo, que obviamente sofrerão uma alta”.

Já o analista britânico John Strickland destacou a dimensão logística do problema. “É o volume absoluto de pessoas e a complexidade”, afirmou. Em seguida, completou: “Não são apenas os clientes, são as tripulações e as aeronaves espalhadas por todos os lugares”.

Com grandes hubs do Golfo paralisados e corredores aéreos estratégicos fechados, companhias na Europa, Ásia e Oriente Médio enfrentam um cenário de incerteza que pode se prolongar. A retomada plena das operações dependerá da reabertura segura do espaço aéreo regional e da evolução do conflito desencadeado pela ofensiva liderada por Estados Unidos e Israel contra o Irã.

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